Resenha: Queens of the Stone Age – Villains

Lançamento: 25/08/2017
Gênero: Stoner Rock, Hard Rock, Boogie Rock, Dance-Rock
Gravadora: Matador Records
Produtores: Mark Ronson e Mark Rankin.

Para o primeiro álbum do Queens of the Stone Age em quatro anos, a banda colaborou inesperadamente com Mark Ronson. Quando essa parceria foi anunciada, muitos fãs de longa data da banda demonstraram uma certa preocupação. Como Mark Ronson, um produtor conhecido por seu trabalho com Amy Winehouse, Adele e Bruno Mars, poderia produzir um álbum de uma banda como Queens of the Stone Age? Felizmente, “Villains” é um clássico disco da banda californiana. São 48 minutos de linhas de baixo crocantes, pesados tambores e guitarras distorcidas que atravessam os poderosos vocais e falsetes de Josh Homme. O que Ronson trouxe à mesa foi muito grooves sobre um excelente trabalho de guitarra. Há menos interferências e mais riffs atraentes que combinam com o grupo. Dito isto, na maior parte, a produção é estelar. Muito semelhante ao disco “Songs for the Deaf” (2002), “Villains” não é um álbum conceitual, mas a banda soube como guiar o repertório. O seu último álbum, “…Like Clockwork” (2013), era mais escuro, meditativo e profundamente pessoal, uma vez que era inspirado por experiências de Josh Homme. Por outro lado, “Villains” é teatral, animado e estritamente realizado. Ele ainda possui o tom arrogante pelo qual o Queens of the Stone Age é conhecido, mas é diferente de qualquer álbun anterior deles.

O registro começa com “Feet Don’t Fail Me”, uma introdução em camadas que funciona perfeitamente como faixa de abertura. Ela possui um som insustentável, excitante e pouco convencional com uma lenta acumulação de bateria, sintetizador, baixo e riffs de guitarra. O primeiro single, “The Way You Used to Do”, é um número de boogie-rock e blues-rock com guitarras otimistas e ritmo groovy que provoca uma mudança de direção necessária. Nesta canção podemos notar claramente a influência do produtor Mark Ronson. Em seguida, “Domesticated Animals” oferece repetitivos riffs de guitarra que nos remetem ao glam-rock de David Bowie. Enquanto isso, “Fortress” fornece efeitos de sintetizador de ficção científica e riffs infecciosos que empurra a música para a década de 60. Uma canção mais lenta e melodiosa que adéqua-se facilmente ao tom geral do álbum. A quinta faixa, “Head Like a Haunted House”, por sua vez, possui um ritmo rápido e algumas inflexões de rockabilly. Esta canção fornece uma dose adequada de energia e agressão, pois é dançante, pesada, possui elétricas linhas de baixo e bateria acelerada. Enquanto a ótima “Un-Reborn Again” possui a presença bem-vinda de órgãos, “Hideaway” é um esforço relaxado que serve como uma pausa necessária, após a energia frenética de “Head Like a Haunted House”.

Provavelmente, o rock mais puro do álbum é “The Evil Has Landed”, uma canção com mais de 6 minutos de duração. Ela têm duas camadas de riffs de guitarra e se torna cada vez mais rápida à medida que progride. Muito reminiscente dos álbuns anteriores da banda, é uma faixa com riffs de baixo, sons distorcidos e indiferentes harmonizações de Josh Homme. À primeira vista, “Villains of Circumstance” parece não se encaixar com o restante do álbum, pois começa devagar e apresenta acordes espaçosos de baixo. É uma música atmosférica reminiscente de “The Vampyre of Time and Memory” e “…Like Clockwork”. Combinando uma boa progressão de acordes com notas altas, ela torna-se a peça ideal para concluir o álbum. Como um todo, “Villains” é um álbum incrível. É refrescante saber que Queens of the Stone Age manteve o seu núcleo ao tentar algo teoricamente novo. Depois de um disco pesado como “…Like Clockwork” (2013), é ótimo ver Josh Homme e companhia divertindo-se novamente em um álbum. Em uma parceria surpreendente com Mark Ronson, a banda experimentou novas coisas. Em suma, “Villains” mistura vários elementos tão bem que é difícil ouvir apenas uma vez. Nenhuma das canções soam iguais, e isso é excelente. Dito isto, é provavelmente o primeiro álbum acessível da banda desde “Songs for the Deaf” (2002).

Favorite Tracks: “The Way You Used to Do”, “Fortress” e “Un-Reborn Again”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.