Resenha: Professor Green – Growing Up In Public

Lançamento: 22/09/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap, Rock
Gravadora: Virgin Records
Produtores: Alex “Cores” Hayes, Chris Loco, Felix Joseph, Kid Harpoon, Mojam, The Futuristics, The New Royales, TMS e Yogi.

Stephen Paul Manderson, mais conhecido por seu nome artístico Professor Green, é um rapper inglês assinado da gravadora Virigin Records. Ele começou a ganhar notoriedade quando trabalhou com Lily Allen em sua turnê de 2009. Posteriormente, ele lançou o single “I Need You Tonight” e alcançou o top 3 da parada de singles britânica. Em julho de 2010 Green lançou o seu álbum de estreia, intitulado “Alive Till I’m Dead”, que apresentava vocais de Lily Allen, Emeli Sandé, Labrinth e Example. Pouco mais de 1 ano depois lançou o seu segundo álbum e fez sucesso com o single “Read All About It” em parceria com Emeli Sandé. O “Growing Up in Public”, portanto, é o seu terceiro álbum de estúdio, lançado dia 22 de setembro de 2014. O álbum conta com participações de nomes como Tori Kelly, Mr. Probz, Rizzle Kicks, entre outros.

O álbum continua abordando os mesmos temas do seu antecessor, transparecendo que Professor Green não consegue ser um rapper tão corajoso. Ele também falha na tentatica de ser o Eminem britânico, pois é muito inofensivo. Ambos até possuem semelhanças, pois são brancos, fazem rap e possuem o timbre um pouco parecido. De qualquer forma, não tiro os méritos de Green, que é famoso, tem talento e conseguiu criar uma grande imagem para si mesmo no Reino Unido. “Growing Up in Public” aborda diferentes componentes de sua vida, sendo até louvável o fato de não focar suas letras apenas em sexo, dinheiro e drogas, como muitos rappers fazem. É um disco muito referencial, quase autobiográfico, com contos de seu casamento, brigas com colegas de trabalho, acidentes de carro, desentendimentos com a lei e assim por diante.

“Growing Up in Public” é formado por 10 faixas, é o seu primeiro álbum em três anos e surpreendentemente é o mais variado até à data. A mídia internacional não gostou tanto dele, o criticando negativamente logo após o seu lançamento. No entanto, apesar de suas várias falhas, possui algumas faixas divertidas. Na verdade, o álbum começa bom o suficiente, com “I Need Church” que traz uma vibe rock com seus riffs crocantes de guitarra. Essa música também consegue mostrar sua competência lírica com um bom jogo de palavras. Ele ainda acha tempo para zombar de Danny O’Donoghue (The Script) e Robbie Williams: “(…) Um, Danny O’Donog-who-what / I would rather listen to Rudebox / By Robbie Williams, that’s a lie / I would rather not listen to either of these two knobs”.

Professor Green

Assim como a primeira faixa, “Dead Man’s Shoes” também possui articulações de rock combinadas com seu rap. Nessa canção o rapper zomba do reality show “Made in Chelsea” da qual sua esposa, Millie Mackintos, faz parte. Ele fala brevemente sobre seu relacionamento e os meios de comunicação, mas com uma certa destreza e um tom brincalhão. É uma música genuinamente espirituosa se olharmos para os problemas que o afligem por ter se casado com uma estrela de TV. O registro também brilha com “Lullaby”, faixa lançada como primeiro single e apoiada pela cantora Tori Kelly no refrão. É uma das músicas mais fortes e pesadas liricamente do álbum. É fácil entender o porquê foi lançada como carro-chefe do álbum, pois é a mais radiofônica e possui uma estrutura muito comum no meio pop.

Tori Kelly têm vocais angelicais e encanta durante o refrão, enquanto em seu rap Professor Green lamenta o falecimento de sua avó, que morreu quando ele tinha treze anos de idade. O rapper também fala sobre como é ter uma mãe apenas 16 anos mais velha e um pai que raramente o visitava. “Lullaby” é realmente muito comovente, ainda mais por também falar de sua batalha contra a depressão e tocar em tragédias da vida real (“Eu não quero fazer o que meu pai fez com uma corda”). Outra colaboração que consegue agradar é a de Mr. Probz durante a faixa “Little Secrets”. Aqui, Professor Green decepciona um pouco durante seus versos. Não apenas por causa das rimas extremamente básicas (“We’ve lived or we live together/ At least we did when we were together/ All of the things that we did together”), mas também por fazer insinuações sexuais muito equivocadas. Felizmente, o cativante gancho protagonizado por Mr. Probz salva a música.

Professor Green

Na faixa “Name In Lights” Green é auxiliado pelo duo Rizzle Kicks, uma faixa que vale a pena ouvir. A performance lírica do rapper é novamente bem fraca. Mas a dupla Rizzle Kicks, com algumas linhas inteligentes, consegue fornecer um suporte bacana. O ritmo da música também se sobressai, pois possui bons riffs e é bem alegre e vibrante. Já a esquecível “Fast Life” fala ironicamente o quão difícil é ser um artista famoso que dorme com uma grande quantidade de mulheres. Na linha de abertura ele fala: “Eu acabei de acordar ao lado desta garota / Que eu não sei quem é / E provavelmente nunca vou ver de novo”“Can’t Dance Without You”, por sua vez, é um ode pop, co-escrito por Lily Allen e que conta com a participação de Whinnie Williams. A cantora de indie pop até consegue fazer uma boa participação, embora a produção engula um pouco dos seus vocais.

“Not Your Man” é um som surpreendentemente soulful, que destaca-se pelos vocais de Thabo. Seu conteúdo lírico é um tanto quanto desagradável, mas Green cospe em um ritmo mais rápido do que o normal, que equilibra-se muito bem com a oferta mais lenta de Thabo. Entre as faixas que incluem guitarra elétrica e acústica, “In the Shadow of the Sun” é talvez o que mais soa emocionante e ao mesmo tempo cheia de energia. A faixa-título, “Growing Up in Public”, é bem energética e uma resposta para a mídia que o criticou duramente quando dirigiu embriagado e bateu o carro. O problema foi que, na verdade, ele só dirigiu para proteger sua esposa de um ladrão armado. É bom ouvir uma música dedicada inteiramente a refutação de um homem contra uma terrível cobertura da imprensa, embora a canção não seja tão boa sonoramente.

Um fato nesse álbum é que os convidados são grandes destaques em suas respectivas faixas. Professor Green parece que aprendeu com os outros ao longo de sua carreira e, por mais que o disco não seja espetacular, ele demonstra sinais de experiência e maturidade. Ele pode muito bem confiar em seu próprio som e tentar afastar-se de comparações com Eminem e outros rappers. Isso o ajudaria a futuramente entregar um registro ainda mais forte. Porque Green é um letrista inteligente quando quer e possui talento como rapper. A metade das canções nesse álbum passam despercebidas, mas aquelas que ele coloca suas verdadeiras emoções e transmite sinceridade, é quando realmente se sobressai. Ou seja, seu fluxo em determinados momentos é impressionante e notamos a presença de talento aqui, embora muitas vezes seja enterrado por batidas genéricas. Dito isto, ressalto que “Growing Up in Public” é um esforço divertido, mas que oscila muito e não mantém um bom equilíbrio.

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Favorite Tracks: “I Need Church”, “Lullaby (feat. Tori Kelly)” e “Little Secrets (feat. Mr. Probz)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.