Resenha: Prince – Art Official Age

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: R&B, Funky
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Prince e Joshua Welton.

Prince é sem dúvida uma das mais importantes figuras da música popular das últimas três décadas. Muito conhecido por ser inovador, amplamente eclético, com forte presença de palco e uma ampla gama vocal. Sua música combina diversos gêneros musicais, entre eles o rock, R&B, soul, funky, hip hop, disco, jazz e pop. Nascido em Minneapolis, Minnesota, Prince desenvolveu um interesse pela música muito cedo, escrevendo sua primeira canção aos sete anos. Seu primeiro álbum de estúdio, “For You” foi lançado em 1978 e ano passado ele lançou o seu 32º e 33º álbum (“Art Official Age” e “PlectrumElectrum”) no mesmo dia, 30 de setembro. Nesta resenha falarei do “Art Official Age” e depois, em outra review separada, comentarei sobre o “PlectrumElectrum”, que foi lançado em conjunto com a sua banda de apoio 3EDEYEGIRL. O disco foi lançado pela NPG Records, sob a licença renovada com a Warner Bros, marcando a segunda colaboração de ambas as partes, desde 1995. “Art Official Age” estreou no número #5 da Billboard 200, vendendo 51 mil cópias em sua primeira semana.

É um trabalho que flui com batidas sintéticas, palmas, guitarras funky, elementos de R&B modernista, toques futuristas e toda a marca de sedução que só ele sabe fazer. É um álbum que sobe a grandes alturas, de fato. É um registro tão quente e memorável que já prende o ouvinte logo na primeira audição. Sua produção é de alta qualidade, é estiloso, inovador, nostálgico e mais brilhante que o outro álbum em conjunto com a sua banda. Prince, atualmente com 56 anos, é um cara que transcende gêneros, idade e limites artísticos. Ele abre com um, “bem-vindo de volta à nossa casa, você percorreu um longo caminho”, na faixa de abertura “Art Official Cage”. Um hino pulsante sobre liberdade de expressão, que inicia o trabalho do álbum e define o tom futurista do mesmo. É descaradamente funky e trabalhado na combinação com um som pop e rock. Com uma boa sintonia e cheia de sensualidade, a faixa “Clouds” fala sobre a diminuição das relações humanas causadas pelo uso excessivo da tecnologia, como ele coloca no verso: “When life’s a stage / In this brand new age / How do we engage?”. E ainda abre espaço na música para colocar letras românticas como “você nunca deve subestimar o poder de um beijo no pescoço”.

“Clouds” é uma celebração de afeto e intimidade em colaboração com a convidada britânica Lianne La Havas. A letra da música consegue condenar de forma brilhante os aspectos impessoais, pela falta de sinceridade na atual interação e comunicação humana. Prince está ainda mais incrível na balada “Breakdown”, um lamento sincero de um relacionamento que deu errado. Soa como uma das músicas mais reveladoras que Prince pessoalmente já gravou. “Acordando em lugares que você nunca iria acreditar / Devolva-me o tempo todo, você pode manter apenas as memórias”, ele canta sob um pesar profundo. Ele coloca seu falsete de forma estelar, ao passo que a trilha agita ao fazer transições com o esparsos teclado. O refrão com aqueles elementos efetivamente unidos por tambores e uma linha de baixo, soa muito emocionante. É uma música de cortar o coração, amplificada por cordas crescentes que constroem um clímax espetacular. Aqui, percebemos que o vocal de Prince não perdeu nada da sua selvagem mutabilidade ao longo dos anos.

Prince

“The Gold Standart”, faixa seguinte, é um funky que segue toda a tradição de músicas neste estilo de Prince. Outra faixa incrível, conduzida por riffs animados de guitarra e ótimos falsetes. “U Know”, por sua vez, é uma canção de R&B sedutora, curiosamente tão moderna quanto músicas de Miguel, Usher ou Frank Ocean. Possui uma melodia muito boa, além de ser um número descontraído e conduzido com ajuda de um sintetizador. “Breakfast Can Wait” foi o primeiro single do álbum, lançado dia 05 de fevereiro de 2013 e, posteriormente, relançado no verão do mesmo ano. Esta canção chamou atenção das pessoas por Prince ter tentado ser sexy novamente. O que faz dessa canção de trabalho ser agradável, é o fato de ser muito descontraída e levemente agradável. No entanto, não é tão memorável quanto outras canções dele que também são sexualmente carregadas. Mas as baladas desse álbum realmente são brilhantes, “This Could Be Us”, por exemplo, apresenta falsetes impecáveis e uma linha ágil de piano trabalhando em conjunto para criar um som de alta-frequência. Sua letra transmite de forma comovente a frustação do cantor por um amor não correspondido. Além do piano, o instrumental ainda é formado por uma leve percussão, teclados, sintetizadores e licks de guitarra.

Muito bem orquestrada, a faixa “What It Feels Like” é um dueto com a cantora e guitarrista Andy Allo. Na verdade é uma reformulação de sua canção, de mesmo título, de 2012. A voz sublime da artista camaronesa combinou muito bem com o vocal de Prince e a melodia mid-tempo. A faixa 9 é “Affirmation I & II”, um pequeno interlúdio de 40 segundos com falas de Lianne La Havas desempenhando um papel de terapeuta. Após o interlúdio temos “Way Back Home”, uma balada pop rock confessional e introspectiva que é, tanto liricamente como musicalmente, um dos destaques do álbum. “Eu nunca quis uma vida normal”, declara Prince logo na linha de abertura. É difícil de resistir a essa linda música a medida que ele continua, poeticamente, embarcando em uma busca pela realização eterna. Uma canção muito comovente, acentuada por um bumbo, e com Prince se expondo de uma forma quase nunca vista antes. Logo em seguida, ouvimos a inquietação criativa de “Funknroll”, uma música muito divertida movida por uma despojada percussão, efeitos sonoros e um incrível solo de guitarra no final.

A ranhura sensual e retrô de “Time” é executada novamente em um dueto com Andy Allo. Outra canção fascinante, um pouco mais lenta, que fala sobre um casal que deseja passar um tempo de qualidade com o outro. Atada por um sintetizador e apoiada pelos riffs de guitarra de Allo, a produção dessa pista conseguiu ficar especial. “Como você está se sentindo hoje, o Sr. Nelson?”, pergunta La Havas à Prince. Parece que ela está dando as boas-vindas após ele acordar. Ao lado de um arranjo instrumental incrivelmente exuberante, aqui temos palavras de encorajamento, como ouvimos nos versos: “Lembre-se, não há realmente apenas um destino, e esse lugar é você. Tudo isso, tudo, é você”. “Art Official Age” é seguramente um disco maravilhoso, um registro que dá indicadores de que Prince continua recheando o seu legado. Ele recapturou um som que evoluiu e continua acessível à todos. É um álbum original, completo, muito consistente e um dos mais contemporâneos do cantor. É verdadeiramente uma adição bem-vinda a sua incrível discografia, que já possui verdadeiras obras de arte. “Art Official Age” pode até não ser um retorno à altura dessas obras, mas ainda assim, é modestamente um álbum emocionante, chocantemente pesado e sonoramente sofisticado.

78

Favorite Tracks: “Clouds”, “Breakdown”, “The Gold Standart”, “This Could Be Us” e “Way Back Home”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.