Resenha: Portugal. The Man – Woodstock

Lançamento: 16/06/2017
Gênero: Rock Alternativo, Pop Psicodélico, Rock Psicodélico
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: John Gourley, John Hill, Danger Mouse, Asa Taccone, Stint, Mike D, Rallier, Nick Koenig, Ammar Malik e Casey Bates.

Portugal. The Man é uma banda de rock de Wasilla, Alasca, composta por John Gourley, Zach Carothers, Kyle O’Quin, Jason Sechrist e Eric Howk. Juntos há mais de uma década, os atuais membros lançaram em junho de 2017 o seu oitavo disco. O título do álbum é uma referência ao lendário festival de música da década de 60. Ele não é um encanto comercial instantâneo da mesma maneira que “Evil Friends” (2013), em vez disso cumpre seus requisitos com sons em camadas, intricados e diversos. O atual clima político dos Estados Unidos promove muitas emoções e frustração para alguns. Tendo isto em mente, Portugal. The Man trabalhou sua música na forma de um protesto. Entretanto, o tema não impede que “Woodstrock” seja tão divertido e emocionante quanto seus discos anteriores. Os refrões e melodias continuam cativantes e exuberantes como sempre foram. A banda explora esses sentimentos através de um rock experimental e pop-psicodélico. O registro apresenta uma série diversificada de produtores, tais como Mike D, John Hill e Danger Mouse, juntamente com o produtor de longa data, Casey Bates. O resultado foi muito mais concentrado e focado do que seus álbuns anteriores. Portugal. The Man tem sido muito ativo durante a maior parte de sua carreira, tendo lançado os seus primeiros setes álbuns em menos de uma década, de 2006 a 2013. O intervalo de quatro anos, que separa “Evil Friends” do “Woodstrock”, é parcialmente devido a criação de um LP completamente diferente e o desejo da banda de aproveitar o tempo.

O repertório abre com uma pequena referência ao famoso festival de 1969, do qual o álbum leva o nome. “Number One” possui amostras do desempenho de Richie Havens na abertura do Woodstock Festival de 1969. Foi uma escolha corajosa da banda, enquanto a forte batida eletrônica induz o ouvinte a avançar. Apesar da mudança dramática de ritmo, “Number One” capta imagens de um som bruto dos anos 60, com uma suave linha de baixo roubando os holofotes. A segunda faixa, “Easy Tiger”, por sua vez, possui uma grande vibração pop-psicodélica e algumas inclinações experimentais. Com o seu refrão cativante, “Live in the Moment” sugere a ideia de uma calmante fuga da realidade. Ou seja, momentos sem preocupações, pressões ou expectativas. O som aparentemente animado da música consegue esconder a tristeza de lembrar dos momentos de solidão. O primeiro single e hit do álbum, “Feel It Still”, possui uma sensação dos anos 60 e onde a voz de John Gourley realmente brilha. Uma música pop-psicodélica com elementos de funk perfeitamente equilibrada com guitarras, instrumentos de metais e fortes graves. A próxima faixa, “Rich Friends”, gira em torno de um riff de guitarra sincopado apoiado por um sólido ritmo de bateria. A guitarra fortemente tonificada faz a música tornar-se maior do que realmente é. “Keep On”, por sua vez, possui uma progressão de acordes realmente agradável.

Embora haja uma frustração em meio ao seu tema, ela oferece uma grande dinâmica. Impulsionada por um riff de guitarra stoner-rock, o desempenho da banda soa incrível nesta música. A segunda parte do repertório continua com faixas como “So Young”, que trabalha com básicos instrumentos e fortes harmonias, e “Tidal Wave”, uma música animada com sintetizadores, baixo e simples melodias. Apresentando vocais de Mary Elizabeth Winstead e Zoe Manville, “Noise Pollution” termina o disco com uma nota agradável. Ela usa um pano de fundo eletrônico, conforme Gourley canta sobre a poluição sonora provocada por notícias falsas e discussões incessantes. “Woodstock” é um retorno bem-vindo de uma banda que costumava lançar um novo disco por ano. Dada a quantidade de pessoas que trabalharam neste registro, o resultado foi bem satisfatório. Há muitas artimanhas técnicas, lirismo crítico e texturas estranhas, “Woodstock” parece ser uma nova página para a banda. Um álbum que levou três anos para ser aperfeiçoado e criado. Como um todo, ele captura alguns momentos de agitação política de uma forma acessível e sem profundidade. Obviamente, é um bom álbum, porém, é fácil confundi-lo com qualquer trabalho de outras bandas de indie-rock da atualidade. Sem uma forte assinatura, “Woodstock” age como uma coleção cativante de uma banda pouco temperada.

Favorite Tracks: “Live in the Moment”, “Feel It Still” e “Rich Friends”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.