Resenha: Pixie Lott – Pixie Lott

Lançamento: 01/08/2014
Gênero: Pop, R&B, Soul
Gravadora: Virgin EMI
Produtores: Jerry Abbott, Rami Afuni, Craze & Hoax, Jonathan Green, Mads Hauge, Jack Splash, Phil Thornally.

A cantora inglesa Pixie Lott lançou o seu terceiro auto-intitulado álbum de estúdio em agosto de 2014. Ela começou a gravá-lo em meados de 2012 e o concluiu em junho de 2013. Disse que o auto-intitulou porque: “Ele representa o máximo proveito de todos os meus álbuns. O meu último disco teve algumas faixas dance e soul, mas este é o mais centrado”. Comercialmente, o álbum não está obtendo êxito, visto que estreou com apenas 4 mil cópias na primeira semana de vendas no Reino Unido. Classificado como o seu álbum mais pessoal, até a presenta data, este novo disco de Pixie Lott é bom, mas não o suficiente para trazer ela de volta ao estrelato como em sua estreia. As músicas são bem produzidas e o conjunto é divertido, da forma que um disco pop deve ser. Mas na maioria das baladas ficou claro que, apesar de serem interessantes, a voz de Pixie Lott não vai muito longe.

Isso significa que por mais eficiente que a produção e a intérprete sejam, a imensa maioria das músicas ainda são versões aquém do que pretendiam realmente ser. E, no caso desse álbum, isso torna-se ainda mais nítido, porque em diversos momentos a cantora parece se inspirar no que já é uma cópia. O primeiro single e faixa de abertura, “Nasty”, é uma boa radio-friendly, embora não seja nada exuberante. Originalmente, foi gravada por Christina Aguilera e Cee Lo Green para a trilha sonora do filme “Burlesque” (2010), entretanto, a música acabou sendo descartada da versão final devido a questões de direitos autorais. Após a equipe jurídica de Lott conseguir a música, a cantora gravou sua própria versão e a lançou como primeiro single. “Nasty” é uma música uptempo cativante, mas enquanto Lott possui uma bela voz, a mesma não é tão poderosa quanto a de uma cantora como Christina Aguilera.

Pixie Lott

Por isso, quem já estiver familiarizado com a versão de Aguilera, provavelmente, vai achar que ficou faltando algo na versão de Pixie Lott. Nessa nova fase, a cantora veio mais adulta, madura e com um conteúdo mais elevado musicalmente que os seus discos anteriores. Além disso, ela mergulhou no R&B e soul em várias de suas novas canções. Numa análise bem superficial, o álbum é bom. Os vocais de Lott são lindos e toda essa mistura clássica e descompromissada do soul ficou divertida. O segundo single foi a canção “Lay Me Down”, que possui vantagem de ser bem extrovertida e gostosa de se ouvir. Possui um ritmo contagiante e, provavelmente, é a melhor canção do álbum. Um número que combina o pop moderno com algo que aproxima-se do soul de salão dos anos 1970. É apresentado por alguns assobios bem legais e o teclado é tocado fortemente para adicionar a elevada dinâmica que a canção pede.

Em seguida, “Break Up Song” permite Lott mostrar que cresceu vocalmente desde que estourou com o hit “Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)” em 2009. Uma música acústica cheia de sentimentos, com voz rouca e crua de Lott transmitindo tudo o que ela se recusa a dizer através das letras. Musicalmente, embora não seja particularmente uma inovação em sua estrutura, é uma balada de amor excepcionalmente linda. Ainda mais por não ser demasiadamente dramática ou deprimente. “Champion” eleva ainda mais o bom nível do começo do álbum, uma canção triunfante, energética e uma das minhas favoritas. Uma radio-friendly pop-vintage cheia de metáforas extravagantes, poderosa e secretamente suja (“I’m going to use my lips / Use my hips / Wrap you around my finger tips / Just to prove I love ya baby”). A quinta faixa, “Kill a Man”, tem bastante personalidade e paixão. Aqui suas relações desequilibradas são abordadas de forma agradavelmente otimista.

Enquanto isso, “Ain’t Got You” foi possivelmente inspirada por Alicia Keys, desde o nome da canção até a sua sonoridade, o que aponta para uma certa falta de autenticidade. A canção aparenta ter potencial, a cantora consegue expor sua emoção e deve estar entre as preferidas do álbum para os seus fãs. Mas, sinceramente, para mim, o vocal dela soou um pouco sob pressão e desconfortável aqui. Já em “Heart Cry” os seus vocais estão bem doces e de forma apaixonante, enquanto claramente inspirados por canções da década 1960. Liricamente, deixa a desejar, pois possui uma verniz estática que contribui para soar genérica e passar pouca emoção, embora cantada com intensos sentimentos de desgosto. “Ocean” é linda, a começar por sua lenta introdução seguida de uma explosão musical. Sua letra explora questões que parecem realmente estar saindo de seu coração.

Pixie Lott

“Raise Up”, por sua vez, traz novamente o soul ao lado de um instrumental poderoso e outra boa performance vocal. No entanto, não chega a ser uma canção tão memorável. “Guns are shooting / People looting / Sirens blaring / The world is done”, a letra de “Bang” não é algo que se esperava de Pixie Lott, além de suas melodias serem repetitivas e irritantemente mundanas. Explorando o alcance vocal de Lott, “Leaving You” aparece em seguida com um refrão simples e um básico piano. Ela brilha nessa sólida balada, onde os seus vocais ficaram perfeitamente adequados. O disco termina com a faixa “Cry and Smile”, canção completamente acapela nos primeiros 45 segundos. Um movimento ousado, mas que peca pela posição na tracklist. O registro é orgulhosamente influenciado pelo soul da década de 1960 e apresenta um repertório repleto de batidas contagiantes. A estridente voz de Pixie Lott também está ousada e descarada como sempre foi.

O álbum ainda consegue fazer uma mistura inteligente de soul e pop, enquanto algumas canções até criam uma magia própria. Entretanto, tenho que ressaltar que é um material raso no conteúdo lírico e pouco convincente. Vindo de um antecessor com toques de pop e eletrônica, foi até estranho Pixie Lott vir com um som mais orgânico e surgindo como uma pequena Amy Winehouse. Ela tem muita bravura e mesmo possuindo um nasal atraente, não chega a convencer cantando soul. Foi muito arriscado ela usar ferramentas como o retrô-soul nesse novo trabalho. Em alguns momentos, ela deslisou e ficou parecendo que estava apenas tentando imitar uma cantora do gênero. As baladas são interessantes, mas ficou claro que a voz de Pixie Lott não surpreende, pelo menos não da forma que se esperaria de uma cantora de soul. Não é um trabalho notório, mas, de vez em quando, pode ser divertido escutá-lo.

60

Favorite Tracks: “Lay Me Down”, “Break Up Song”, “Champion”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.