Resenha: Pitbull – Climate Change

Lançamento: 17/03/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: RCA Records / Polo Grounds Music / Mr. 305 Inc.
Produtores: Jimmy Joker, AJ Junior, IAMCHINO, Jorge Gomez, Ian Kirkpatrick, DJ White Shadow, Kro’Nic, Wilberto Madera, Leonardo Brooks, Ricky Reed, Thomas Peyton, Dr. Luke, Cirkut, Twice as Nice, Jerome Price, Michael Mayeda, Richard Pearl, Al Burna, Genarro “Geronimo” Schiano, Jason Evigan, The Monsters & Strangerz, Alex Ross, Calper e Ape Drums.

O rapper Pitbull lançou seu décimo álbum de estúdio, “Climate Change”, em 17 de março de 2017. Ele contém 12 faixas e apresenta uma série de colaborações com outros artistas, incluindo Robin Thicke, Flo Rida, R. Kelly, Jennifer Lopez, Leona Lewis, Jason Derülo e Enrique Iglesias. O seu repertório é bem crossover, pois além das parcerias versáteis com outros cantores, faz um infusão de hip-hop, pop, dance e reggae. Mas, embora possua grandes nomes no seu interior, “Climate Change” não contém a mesma introspecção profunda de outros álbuns de hip-hop. Ele também ignora questões sociais contemporâneas e o conteúdo lírico não tem nada a ver com o título. Assim como seus discos anteriores, “Global Warming” e “Globalization”, este registro não é liricamente projetado para desafiar seus limites, mas destinado a energizar a multidão nos seus shows e conseguir sucesso comercial. As letras giram em torno de sair com mulheres, festejar, dançar e beber. Tudo feito de forma despreocupada e entusiasmada.

Temos um punhado de faixas com som tropical, enquanto o resto é orgânico, variado e composto por gêneros que vão desde o funk até a música eletrônica. Pitbull é um rapper conhecido por sua capacidade de cuspir rapidamente. No entanto, sua voz é melhor utilizada em míusicas que precisam de algum tipo de amplificação. Consequentemente, o álbum também concentra-se na atual obsessão da música pop pelo tropical-house e dancehall. No entanto, a tentativa de Pitbull de imitar o sucesso e tendências de outros artistas não é algo lisonjeador. Em vez disso, ele soa sem inspiração e desajeitado. Em suma, o problema com a maioria das canções é que o refrão não tem absolutamente nada a ver com os versos. “We Are Strong” começa o álbum com a participação da cantora canadense Kiesza, que cobre parte do clássico “Love Is a Battlefield” (Pat Benatar) de 1983. Assim como essa faixa de abertura, o reggaeton “Freedom” insere pequenas mensagens sobre independência.

“Messin’ Around”, o primeiro single do álbum, apresenta o cantor Enrique Iglesias. Uma música pop e trap com uma produção frenética e um tanto quanto confusa. Aqui, a voz de Iglesias foi esmagada por camadas de auto-ajuste e uma produção genérica. O sample de “Take It on the Run” (1981), da banda REO Speedwagon, nada fez para salvar a música. “Bad Man”, com Robin Thicke, Joe Perry e Travis Barker, se afasta de qualquer inovação e foca em uma super produção. A melodia é extremamente barulhenta, conforme Pitbull tenta um rap sobre solos de guitarra elétrica. “Greenlight” é, possivelmente, uma das melhores músicas do álbum, em parte devido ao refrão e baixo cativante. É uma canção bem interessante, que traz participação de Flo Rida e LunchMoney Lewis, e produção de Dr. Luke. A segunda metade do álbum, com músicas como “Better on Me” e “Educate Ya”, possuem ainda menos personalidade.

O repertório continua com singles pré-lançados entrelaçados com outras canções como o reggae de “Options”. Uma faixa que possui a presença de Stephen Marley e apresenta uma melodia acústica e relaxante. Ainda há algumas músicas bem harmônicas e com ganchos atraentes, como o caso de “Sexy Body” com Jennifer Lopez, “Only Ones to Know” com Leona Lewis e “Dedicated” com R. Kelly e Austin Mahone. Enquanto em “Sexy Body” Pitbull traz o dancehall de “Dat Sexy Body” (Sacha) para o jogo, R. Kelly e Mahone destacam-se nos tons eletrônicos/tropicais de “Dedicated”. Por fim, o registro termina com a melodia descontraída de “Can’t Have”, que mostra Pitbull ao lado do cantor de Miami Steven A. Clark. “Climate Change” não introduz nada de novo no hip-hop, mas é muito divertido. A maior força do Pitbull é seu charme, algo que está em plena exibição por aqui. Ao longo de sua carreira, ele conseguiu construir um caminho através do seu charme e seriedade. Isso é o que mantém as coisas cativantes e salva este álbum de ser absolutamente ruim.

Favorite Tracks: “Greenlight (feat. Flo Rida & LunchMoney Lewis)”, “Sexy Body (with Jennifer Lopez)” e “Only Ones to Know (feat. Leona Lewis)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.