Resenha: Phoenix – Ti Amo

Lançamento: 09/06/2017
Gênero: Synthpop
Gravadora: Loyauté / Glassnote Records
Produtores: Phoenix e Pierrick Devin.

Já faz quatro anos desde que a Phoenix lançou o “Bankrupt!” (2013), um disco relativamente mais fraco do que o aclamado “Wolfgang Amadeus Phoenix” (2009). Formada por Thomas Mars, Deck d’Arcy, Laurent Brancowitz e Christian Mazzalai, a banda aprimorou o seu som na última década. Em 2017, eles pararam na Itália ao canalizar a sensibilidade veneziana no seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Ti Amo”. Neste registro, declarações de amor e saudade correm ao lado da luxúria, enquanto Thomas Mars tenta reconciliar com sua esposa num relacionamento amarrado por telefonemas de longa distância. “Bankrupt!” foi destacado pelo synthpop dos anos 80, ao passo que “Ti Amo” foca mais no new-wave com uma pitada de europop. Apesar dos tons amargos, é um álbum que mantém uma sensação divertida e alegre ao longo de 36 minutos de duração. Provavelmente, é o registro mais discreto da banda até à data. Enquanto “Bankrupt!” explorava temas negativos, “Ti Amo” se volta para momentos mais felizes e sexuais. É uma lembrança de algo sexy, mais perigoso e excitante. Phoenix geralmente constrói seus álbuns em torno de um tema definido, e com “Ti Amo” não foi diferente. Segundo os próprios membros da banda, o repertório foca numa Itália imaginária, uma versão idealizada por eles mesmos.

Enquanto eles são orgulhosamente franceses, este álbum fala sobre a Europa Mediterrânea, mais especificamente a sua fantasiada Itália. O primeiro single, “J-Boy”, vê a banda aperfeiçoando o seu som para algo que mergulha numa jornada cheia de brilhantes sintetizadores e consistentes batidas. Elementos do álbum anterior podem ser ouvidos, porém, com uma borda muito mais madura e interessante. Certamente, o vocalista Thomas Mars é uma das principais forças desta música, muito mais do que na maioria das faixas do disco “Bankrupt!”. “J-Boy” é uma canção synthpop mid-tempo com sintetizadores cintilantes e sentimentos severos. As coisas começam com uma breve queda no baixo, mas rapidamente segue por uma combinação de guitarras, tambores e riffs de sintetizador (que são cativantes e descaradamente influenciados pelos anos 80). Enquanto os sintetizadores e as guitarras encaixam-se bem com as frases melódicas de Thomas Mars, eles juntam-se perfeitamente. A letra de “J-Boy” pode precisar de certo tempo para ser organizada na sua cabeça. Elas foram criadas a partir do senso tedioso e arraigado de Mars, mas são espetacularmente elegantes. As linhas “maior que uma bola de discoteca” e “kamikazes em um mundo sem esperança”, só provam o grande talento de composição da banda. Com a sua docilidade synthpop dos anos 80, “J-Boy” é nada menos do que um sucesso inquestionável.

A faixa-título, “Ti Amo”, é tudo que você poderia esperar da Phoenix, embora não haja muitos riscos assumidos aqui. Nesta canção, Thomas Mars renuncia qualquer sutileza enquanto canta: “Love you! Ti amo! Je t’aime! ¡Te quiero!”. Ele é descaradamente doce ao dizer “eu te amo” em quatro idiomas diferentes. Muito parecida com a faixa anterior, “Tuttifrutti” segue pelo mesmo caminho suave. Posteriormente, “Fleur de Lys” apresenta algo mais animado, uma vez que o refrão com teclado dá mais propósito à canção. “Goodbye Soleil” e “Via Veneto” possuem uma mistura de synthpop e funk com órgãos brilhantes e incríveis vocais de Thomas Mars. Da mesma forma, sua voz está no momento mais suave e transparente durante a faixa de encerramento, intitulada “Telefono”. Phoenix é uma banda realmente legal, eles respiram confiança em suas músicas e shows ao vivo. No seu sexto álbum, os quatro parisienses festejam enquanto progridem como banda. Entretanto, eu não posso deixar de dizer que, apesar de “Ti Amo” ter vários momentos dignos de nota, contém algumas faixas sem qualquer razão específica para estar no álbum. Embora seja um ótimo LP, “Ti Amo” não produz a mesma poderosa qualidade do “Wolfgang Amadeus Phoenix”. De qualquer forma, é seguro dizer que “Wolfgang Amadeus Phoenix” é uma anomalia que, geralmente, só acontece uma vez na vida de qualquer banda.

Favorite Tracks: “J-Boy”, “Tuttifrutti” e “Via Veneto”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.