Resenha: Phillip Phillips – Behind the Light

Lançamento: 16/05/2014
Gênero: Folk Rock, Pop Rock
Gravadora: Interscope
Produtores: Phillip Phillips, Gregg Wattenberg e Derek Fuhrmann.

Phillip Phillips é um jovem cantor e compositor norte-americano, vencedor da décima primeira temporada do American Idol. O seu primeiro single, “Home”, lançado logo após a sua vitória, foi um sucesso e tornou-se o single de estreia mais vendido por um vencedor da competição. Em 2014, ele lançou o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Behind the Light”, que chegou para suceder o “The World from the Side of the Moon”. O disco estreou em #7 lugar nos Estados Unidos, com vendas de 41 mil cópias na primeira semana e conta com produções de Gregg Watternberg, Dereck Fuhrmann e do próprio Phillip Phillips. “É muito mais maduro. Eu tenho que passar mais algum tempo com isso. É um pouco mais do lado do rock, e é como eu vou representá-lo quando eu tocar ao vivo (…)”, disse Phillips à respeito do álbum durante o tapete vermelho do Billboard Music Awards. O som de Phillips é mais alternativo que o de outros vencedores do American Idol, ele tem uma nítida influência em Dave Matthews Band. E com vários conceitos musicais e altos precedentes verossímeis dentro do álbum, cada faixa conseguiu realmente mostrar algo a mais para o público. “Behind the Lights” é um registro suave, fácil para Phillips, doce o suficiente e com algumas produções cinematográficas.

Em alguns momentos o estilo bombástico das músicas contradizem com a simplicidade do cantor, entretanto, ele não soa mal adaptado. Ele consegue ser hábil o suficiente para fazer o som parecer o mais natural e autêntico possível. Armado com o seu violão e com uma voz angelical, Phillip Phillips fez outro disco com melodias acústicas, batidas up-tempo e um conteúdo lírico que, embora seja um pouco clichê por explorar muito o conceito de amor e romantismo sem esperança, consegue ser belo. Os instrumentais do álbum são bem variados, como já era esperado, com um coletivo exuberante de cordas formado por violões, guitarras, baixo, além de teclados e tambores. Tudo isso é fundido com melodias bem radio-friendly e um forte vocal. O álbum também não fica livre de emoções que, sem dúvida, contribuiu para deixar o registro mais sólido. Desde que ganhou o American Idol o cantor evoluiu como artista e você pode comprovar isso no “Behind the Lights”, um trabalho que, certamente, consegue se diferenciar de qualquer outra coisa atualmente no mercado. “Searchlight”, música de abertura, tem um som bem familiarizado com as faixas do seu antecessor.

As suas guitarras e o refrão trazem, instantaneamente,  à nossa mente canções como “Gone, Gone, Gone”, por exemplo. É uma faixa cativante, bem escrita e mais ousada e corajosa que a citada. “Rangig Fire”, o carro-chefe do álbum, fala sobre “o poder do amor” e, como descrito por Phillips, “é apenas uma música querendo sentir aquelas borboletas no estômago, quando você sabe que ama e beija aquela pessoa pela primeira vez”. É uma canção apaixonada de folk-rock com bons vocais que, em alguns momentos, lembra “Home”, seu single de estreia. Instrumentalmente, é contagiante e possui um bom ritmo de cordas de violão trabalhando junto de uma boa dose de bateria. É um bom exemplo da fusão e incorporação de música rock com percussão acústica. “Trigger” lida com uma angustiante e profunda turbulência emocional na mente e coração de Phillips (“Please just leave me be / I feel as though no one knows what goes on inside of me”). Contada através da perspectiva do cantor, esta canção investiga a guerra mental de uma pessoa próxima a ele. Musicalmente, ela carrega um grande peso rítmico e é atormentada por um riff de guitarra solene e um suave toque de sintetizador.

Phillip Phillips

“Lead On” é uma faixa folk com elementos de funky, iniciada por uma boa batida de piano. Na música, ele fala com uma garota da qual é romanticamente ligado e mostra o quanto está hipnotizado por sua elegante arrogância. Possui um toque sombrio e cativante, uma das típicas assinaturas de Phillips. Consegue representar o lado mais maduro em exposição no disco, enquanto o refrão o permite brilhar sem a necessidade de uma produção exagerada. “You make your way through the fire / I stand inside and I get burned”, ele canta no refrão. A quinta faixa, “Alive Again”, é refrescante e com o mesmo potencial para cantar junto de “Raging Fire”. Uma canção que resume o sentimento de rejuvenescimento quando você está com alguém especial. Logo no início, o ouvinte é levado para uma letra da qual o título do álbum foi derivado: “I see myself again / Behing the light I flicker”. “Alive Again” ainda possui uma sensação de uma poderosa balada, graças ao seu arranjo e vocal suave de Phillips.

“Open Your Eyes”, por sua vez, fala sobre a importância de representar quem você é e como realmente é. “I see who you are but don’t believe / You show a side you claim to be”, ele canta tentando incentivar alguém a parar de ser introvertido e preocupado, pois ambos têm um tempo limitado para serem eles mesmos (“For the moments we have in this life they will end”). É uma da faixas do registro que mais possui influência de Dave Matthews Band, além de um som com um entalhe mais natural vindo do cantor. Sua produção acústica parece de fato ser o melhor cenário para Phillip Phillips. Uma carta de amor fornece inspiração para a faixa “Fool For You”, uma canção sincera sobre algo que o interesse romântico do cantor deixou para ele ler. Sua abertura tem uma batida de orquestra semelhante a uma balada pop, enquanto o restante é sublinhado pela orquestração clássica de Phillips: o violão e a percussão pesada.

Phillip Phillips

“Thicket” nos fornece um som mais experimental, onde elementos de rock começam a sair e os vocais a soltar-se um pouco mais. Com um violoncelo triste na abertura e uma vibe sombria que aparece ao longo de toda a música, Phillips fala sobre a tentativa de chegar até alguém que se recusa a ver e enfrentar seus problemas. Melodicamente, “Thicket” é um pouco peculiar, talvez uma pequena decepção após outras faixas melhores produzidas. Acredito que, provavelmente, também não estará entre as canções mais memoráveis do disco para os seus fãs. Em contrapartida, “Fly” é uma bela canção, onde temos um rock parecido com o som do cantor John Mayer e da banda Matchbox 20. Uma música tecnicamente difícil, mas que aponta na direção certa para o crescimento do cantor. Aqui ele explode a sua alma em substância da faixa, para criar uma matriz de cores atraentes e representar uma luta bastante inspirada contra si mesmo. Phillips oferece um vocal transparente e mostra a sua convicção pessoal dentro do assunto.

“Fly” possui uma mensagem realmente forte, e ainda oferece um incrível e perversamente solo de guitarra. “Unpack Your Heart” foi a melhor escolha para suceder “Rangig Fire” no trabalho de divulgação, pois é bem comercial e está entre os melhores momentos do álbum. É carregada com letras mais citáveis, uma canção de esperança, aceitação e amor incondicional. Começa intimamente ao som de uma guitarra acústica e um ambiente agradável, enquanto apresenta uma mensagem encorajadora e confiante sobre um novo interesse amoroso. “Face” é uma canção acústica completamente despojada em sua produção. Phillips mostra um lado mais suave, vulnerável e frágil de si mesmo, graças ao uso de seu falsete raramente ouvido. Entretanto, é uma faixa mais preguiçosa e acaba ficando um pouco aquém do restante do álbum. A última faixa, “Midnight Sun”, soa como uma prima distante de “Home”. Aqui, o cantor demonstra uma boa confiança em seus vocais e violão, e prova que aperfeiçoou-se em ambos durante os últimos dois anos.

O seu refrão é ótimo, um folk-rock com vigor, vocais fortes, grandes guitarras e uma batida cativante. Sua letra fala sobre novos começos e de seguir em frente, uma mensagem positiva, inspiradora e uma excelente maneira para se terminar o álbum. O “Behind the Light” é realmente bom, coerente, consistente e mostrou que Phillip Phillips está conseguindo um desempenho estável em sua carreira. Diferente dos outros vencedores do American Idol, ele apresenta genuinamente um som mais orgânico em suas músicas. E com este material podemos notar um certo crescimento com relação ao seu primeiro trabalho. Phillips pode não ter uma voz tão marcante, mas o disco tem boas melodias acústicas e várias canções de qualidade. Mesmo não sendo um superstar como Kelly Clarkson ou Carrie Underwood, ele empenhou-se em fazer um bom álbum, utilizando a mesma fórmula rígida do material anterior. Pode-se dizer que acabou também sendo uma surpresa, porque é mais orientado para o rock e emocionalmente convincente.

65

Favorite Tracks: “Raging Fire”, “Alive Again”, “Open Your Eyes”, “Fly” e “Unpack Your Heart”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.