Resenha: Pharrell Williams – G I R L

Lançamento: 03/03/2014
Gênero: Soul, R&B, Pop, Funky
Gravadora: Columbia
Produtores: Pharrell Williams.

O cantor e produtor musical Pharrell Williams lançou em março de 2014 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “G I R L”. Composto por 10 faixas, esse é o seu primeiro álbum de estúdio em oito anos (seu álbum de estreia foi lançado em 2006). Pharrell Williams é o produtor mais badalado e bem sucedido dos últimos meses, ele foi responsável pela composição e/ou produção dos smash hits “Get Lucky” de Daft Punk, “Blurred Lines” de Robin Thicke e o primeiro single do seu álbum, a canção “Happy”. O álbum estreou no topo de 12 países e em #2 lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, com vendas de 113 mil cópias na primeira semana. Pharrell, muitas vezes ao lado de Chad Hugo, com o The Neptunes e na banda N.E.R.D., com Hugo e seu amigo de infância Shay Haley, tem sido um dos produtores e compositores mais inovadores e bem-sucedidos da música pop. O “GIRL” é um álbum que fala menos sobre o que está em sua mente e mais sobre o que está em seu coração. É um disco admiravelmente conciso, impulsionado por um sentimento despreocupado, versátil e eclético.

Aqui Pharrell misturou o funky, disco, pop, soul e um R&B futurista que, até certo ponto, lembra o cantor Prince. Só ele para ousar colocar tantos estilos em um único trabalho, e mesmo assim conseguir ser bem-sucedido. Pharrell descreveu o álbum como uma explicação e pedido de desculpas às mulheres ofendidas por seu envolvimento na canção “Blurred Lines”. Mas, na realidade, ele parece falar muito mais sobre o seu próprio trabalho, do que estar fazendo uma grande declaração sobre feminismo. O sucesso comercial de Williams, após um período de calmaria em sua carreira, foi rápida e espetacular. Afinal, seu envolvimento em três grandes hits, em menos de 1 ano é espantoso. Para quem não conhece profundamente suas produções, fique sabendo que ele, ao lado de Chad Hugo, está por trás de grandes hits da última década, como “Hot In Herre” de Nelly, “Milkshake” de Kelis, “I’m a Slave 4 U” de Britney Spears, “Rock Your Body” de Justin Timberlake e “Hollaback Girl” de Gwen Stefani, apenas para citar alguns.

Os anos de 2013/2014 foi dele, até mesmo através de uma música solo, algo que ele ainda não havia experimentado. O seu mega hit “Happy”, conquistou um enorme sucesso mundial, chegando ao primeiro lugar nos Estados Unidos, onde reinou durante 10 semanas, Reino Unido, Canadá, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e mais outros 20 países. Não seria exagero afirmar que “Happy” é o single de maior sucesso do século XXI. Já ultrapassou a marca de 6,5 milhões de cópias digitais vendidas nos Estados Unidos e 1,6 milhões no Reino Unido. E ainda fez parte da trilha sonora de “Despicable Me 2 (Meu Malvado Favorito 2), o que culminou em uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Canção Original. E “Happy” é, definitivamente, a melhor e mais interessante faixa do “GIRL”. Escrita e produzida inteiramente por Pharrell Williams, é um soul/funky em que ele usa um falsete comparado a Curtis Mayfield pela crítica. Um som alegre, incrivelmente cativante, com um vocal exuberante, uma música que contagia e inspira felicidade, como sugere o título.

Pharrell Williams 3

A faixa de abertura é “Marilyn Monroe”, particularmente, minha segunda favorita do disco. Ela começa com uma introdução de cordas de orquestra e sua produção é bem característica de Pharrell. A letra fala sobre mulheres românticas, indefesas e perfeitas, e, inclusive, o seu refrão faz menções a mulheres famosas, como Marilyn Monroe, Cleópatra e Joana d’Arc. “Brand New”, com Justin Timberlake, nos apresenta uma faixa com duplos falsetes. O dueto é impulsionado por batidas explosivas e guitarras jogadas sob medida. No refrão ambos cantam sobre o poder do amor em rejuvenescer: “You’ve got me feelin’ brand new / like the tag’s still on me”. A terceira faixa, “Hunter”, é involuntariamente hilária, onde um elegante e ocasional baixo nos remete ao Prince e os anos 1970. Sua produção disco, atracada aos vocais em falsete de Pharrell, a deixou muito grudenta. Aparentemente, foi escrita a partir da perspectiva de uma mulher dramatizada e em busca de afetos de um amante. “Gush” é a que mais lembra o som do Neptunes, um registro brilhante, porém, demasiadamente explícito. De qualquer maneira, ele não soa decadente, ao invés disso, parece um cara que está simplesmente maravilhado com a beleza e força das mulheres.

“Come Get It Bae”, com vocais de Miley Cyrus, é um funky onde se discute o sexo através de uma metáfora com motocicleta. Uma canção agitada e com uma boa produção, porém, com um conteúdo lírico um tanto quanto deselegante. Em “Gust of Wind” ouvimos novamente uma boa parceria entre Pharrell Williams e o duo eletrônico Daft Punk. É o som mais diferente e impressionante do registro, que serviu como uma mudança necessária para o andamento do álbum. Mesmo variando, a canção não sai drasticamente do R&B e cai em qualquer EDM genérico. Muito pelo contrário, a batida aqui é um número de funky bem sofisticado que apresenta as vozes de robô do Daft Punk no refrão. A próxima faixa é a que possui a maior duração (quase oito minutos). “Lost Queen” é uma canção minimalista com um zumbido tribal vagaroso, que serviu para homenagear uma mulher que não é considerada deste mundo. “What planet are you from, girl?”, ele pergunta aqui. A cantora JoJo faz uma aparição na seção oculta de “Lost Queen” (o motivo da sua longa duração) e funciona bem em conjunto com Pharrell.

Junto de Alicia Keys, Williams performa “Know Who You Are” e demonstra seu lado sensível quando canta: “I know who you are / And I know what you’re feelin'”. Mesmo não sendo um número tão impressionante, é uma das canções mais agradáveis, onde os vocais de Alicia Keys ajudam a dar uma maior visibilidade para a canção. A última e mais descartável faixa é “It Girl”, canção baseada em um instrumental longo e com palmas, onde o cantor explora, mais uma vez, a paixão que sente pelas mulheres. O repertório de “GIRL” é bem coeso, homogêneo, traz melodias interessantes e uma boa mistura de funky, soul e R&B. Continua com a mesma abordagem de suas últimas produções, além de fornecer admiráveis falsetes. Entretanto, por mais que o álbum tenha ficado bacana, em um contexto geral, ficou abaixo do esperado visto o nome e experiência que Pharrell Williams carrega. Porque ele não inovou, incluiu algumas canções sem brilho algum e não impressionou com as faixas onde fez parceira com grandes nomes como Justin Timberlake, Alicia Keys e Miley Cyrus. De qualquer forma, mesmo com esses erros o álbum é um bom material dentre os lançamentos de 2014.

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Favorite Tracks: “Marilyn Monroe”, “Brand New (feat. Justin Timberlake)”, “Happy” e “Know Who You Are (feat. Alicia Keys)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.