Resenha: Phantogram – Three

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Rock Eletrônico, Dream Pop, Eletrônica, Trip-Hop
Gravadora: Republic Records
Produtor: Ricky Reed.

Phantogram é uma dupla americana de Nova York formada em 2007, composta por Josh Carter (vocais/guitarra) e Sarah Barthel (vocais/teclado). O nome da banda foi inspirado por uma ilusão de ótica chamada phantogram, na qual imagens bidimensionais parecem ser tridimensionais. O duo define sua música como electro-rock, dream-pop, eletrônica e trip-hop, descrevendo seu som geral como “street beat, psych pop”. Musicalmente, Carter e Barthel são inspirados por artistas como Beatles, David Bowie, Cocteau Twins, Madlib, Sonic Youth, Yes, Kevin Shields, Serge Gainsbourg, J Dilla, The Flaming Lips e Prince. Com um título apropriado, “Three” é o terceiro álbum de estúdio do Phantogram. Desde o sucesso do seu segundo material, “Voices”, o duo tem trabalho como ato de abertura nas turnês do Alt-J e Muse, e fazendo aparições em programas como The Tonight Show e Jimmy Kimmel Live.

“Three” oferece ao ouvinte vários tons e texturas, além de um verdadeiro senso de arte. Há criatividade envolvendo os elementos que eles usam para construir suas músicas. Carter e Barthel mantém as tendências hip-hop e R&B, mas com ênfase no EDM e seus sub-gêneros. Apesar de suas falhas, “Three” vê uma mudança bem-vinda na qualidade de composição da dupla. O único problema é que isso muitas vezes vêm através de uma mistura indulgente. Quando eles surgiram em 2007, suas amostragens musicais refrescaram as coisas. Josh e Sarah misturaram boas guitarras, teclados e vocais em uma série de EPs, e capturaram os ouvidos do público. Enquanto trabalhavam em novos materiais, sua produção aumentou rapidamente, e logo chamaram atenção de artistas como Miley Cyrus e Big Boi.

Entretanto, no “Three” eles parecem ter perdido um pouco do seu próprio estilo, em favor de criar músicas mais lentas e alternativas. Em muitos momentos do álbum, eles fazem isso onde não deveriam. Algumas músicas, a propósito, sentem-se completamente fora do lugar. Por vir na sequência do “Voices”, esse disco não apresenta qualquer sinal de crescimento. Na medida que é um bom lançamento e possua uma atmosfera muito sedutora, “Three” não exala qualquer originalidade ou grande nível de criatividade. Phantogram inicia o projeto com a escura faixa de abertura “Funeral Pyre”. Ela é seguida pela cativante “Same Old Blues”, uma música sublime composta por ótimos vocais de Sarah Barthel e um verdadeiro solo de guitarra de Josh Carter. A maravilhosa melodia sobe e desce sobre a performance vocal de Barthel, principalmente no excelente refrão.

phantogram

Outra faixa muito interessante é o primeiro single, intitulado “You Don’t Get Me High Anymore”. O sintetizador de marca registrada da dupla aparece repetidamente, conforme Barthel dita letras sobre ansiedade e sobriedade. A faixa é guiada de forma habitual, com um tom escuro e refrão pegajoso. Além disso seu pré-refrão e batida são incrivelmente etéreos. É uma música que possui uma grande extravagância radiofônica. A emotiva “Cruel World” demonstra suas habilidades na produção, conforme eles inserem uma amostra soulful. O ritmo e as amostras trabalham em conjunto, enquanto uma guitarra entra no meio da música. Abruptamente, “Barking Dog” começa com uma potente seção de cordas. É a primeira faixa do álbum onde ouvimos Carter conduzindo vocalmente. Mesmo com ele na dianteira, Barthel mostra suas habilidades no teclado.

“You’re Mine” é um dueto sincopado entre Carter e Barthel, com letras confiantes sob uma batida eletrônica. Aqui, ainda temos o prazer de ouvir um sintetizador gaguejando por toda extensão da música. O resultado final é bastante satisfatório, visto que é uma das músicas mais cativantes. Não é inovadora, nem particularmente de grande qualidade, mas é bastante distinta e pegajosa. “Answer” é o mais próximo que chegamos de uma balada descontraída e despojada. Nessa canção conseguimos ver uma boa química, vocal e instrumental, entre Josh Carter e Sarah Barthel. Essa música possui fortes influências de Serge Gainsbourg, principalmente na forma como Carter usa sua voz de peito. No rock eletrônico “Run Run Blood”, a dupla faz você se sentir um pouco perdido e confuso. Apesar disso, é cativante a forma como Barthel e Carter cantam sobre a batida eletrônica obscura.

Depois da lenta e adorável “Destroyer”, o álbum encerra com a faixa “Calling All”. Essa canção possui sete pessoas creditadas na escrita, e termina o álbum com uma tentativa de apelar para o mainstream. Não há nada de errado com isso e a música é muito viciante. No entanto, mostra que Phantogram tentou ajustar-se a certas tendências, a fim de chamar atenção. Muitas faixas do “Three” fazem misturas embaraçosas de gêneros, incluindo o dancehall e dubstep clichê. Embora Phantogram tenha conseguido criar um material que desperta interesse, eles perderam um pouco de sua identidade no processo. Apesar das falhas, como a falta de originalidade, e título previsível, “Three” consegue proporcionar momentos interessantes. O problema é que fica a impressão que Phantogram pode oferecer algo muito mais criativo que isso.

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Favorite Tracks: “Same Old Blues”, “You Don’t Get Me High Anymore” e “You’re Mine”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.