Resenha: Pet Shop Boys – Super

Lançamento: 01/04/2016
Gênero: Synthpop, Deep House, Eletropop, Techno
Gravadora: X2
Produtor: Stuart Price.

“Super” é título do décimo terceiro álbum de estúdio do duo britânico Pet Shop Boys. O disco foi lançado em 01 de abril de 2016, através da própria gravadora da dupla, em comemoração dos 35 anos de carreira. Formado em 1981 e composto por Neil Tennant e Chris Lowe, o Pet Shop Boys é considerado a dupla de maior sucesso da histórico no Reino Unido. Em seu histórico acumula-se um total de 22 singles Top 10 no UK Singles Chart, incluindo quatro canções número #1. Eles foram um dos atos responsáveis por definirem a era de ouro do synthpop dos anos 80. Sem recorrer a qualquer mudança drástica, o duo tentou unir um som do passado com algumas tendências atuais. Enquanto ainda homenageia o seu passado, Tennant e Lowe mantém uma perspectiva progressiva neste álbum. Apesar de todas as coisas novas que aconteceram na música eletrônica durante as últimas décadas, Pet Shop Boys conseguiu se manter através do tempo.

“Super” parece ser uma ode às suas raízes, porém, acenando para técnicas de produção contemporâneas. É um disco entusiasmado, energético, sensual, com boas melodias e viciantes sintetizadores. De certa forma, o álbum começa de onde o último disco, “Electric”, parou em 2013. Eles ainda são apaixonados por europop, techno e deep house, portanto, mais um vez, criaram um registro brilhante em vários aspectos. Para esse álbum, a dupla escolheu se juntar à Stuart Price, produtor que já trabalhou com Madonna, Kylie Minogue e The Killers. “É um longo caminho para a felicidade, um longo caminho a percorrer”, eles cantam em “Happiness”, primeira faixa do álbum. Sua agitação estabelece um bom humor para o início do repertório. Sua batida eletrônica e o teclados de Lowe, são cativantes e exalam um otimismo energético. O instrumental é confiante, a melodia sonhadora e a paisagem sonora bastante dinâmica. O primeiro single, “The Pop Kids”, é outra peça cativante com uma estrutura semelhante.

É uma canção synthpop hipnótica, com elementos techno, que soa como uma legítima faixa sonhadora do começo dos anos 90. É uma música eufórica que evoca o eurodisco e aproxima a dupla para perto do seu auge. Sua narrativa não possui grandes esforços, mas a melodia e estrutura são pegajosas e nostálgicas. “Para acompanhar a nossa obsessão pela cena musical / Onde quer que fôssemos, o que quer que nós fizessémos / Conhecíamos as canções”, Tennant declara. Aqui, o piano, baixo e bateria trabalham adequadamente em conjunto, para criar algo totalmente exuberante. Em seguida, “Twenty-Something” surge com uma vibe alegre, brincalhona e uma melodia grudenta. Liricamente, a faixa explora o mundo da juventude com cinismo, ironia e letras afiadas. “Leve o seu smart phone / E faça o seu caminho de casa / Por si só”, Tennant canta aqui. A maravilhosa batida, conduzida por tambores e o teclado de Lowe, é o seu elemento mais viciante.

Pet Shop Boys

Após as três primeiras faixas do repertório, você já consegue perceber que a dupla sabe como misturar algo clássico com toques modernos. “Groovy” traz uma vibração disco e prova ser uma canção perfeita para dançar. Embora repetitivo, o seu refrão, em camadas vocais, é muito catchy. Sua pseudo sensação ao vivo, reforçada pela programação da bateria e teclado, é um elemento muito despojado e agradável. Em seu conteúdo lírico, o duo volta a explorar temas como egoísmo e celebridades. Com uma batida ligeiramente mais pesada, “The Dictator Decides” aparece logo em seguida. Uma matriz de camadas eletrônicas dão à música uma sensação dramática, antes das letras aparecerem por volta de 1 minuto e meio. É uma música com um grande trabalho de produção, visto que possui uma ótima linha de baixo, batidas contundentes e vocais melancólicos. A quinta faixa, “Pazzo!”, é uma canção quase instrumental com um título em italiano.

É uma música eletrônica mais modernizada que as demais e com poucas palavras polvilhadas na mistura. Como mencionado, é praticamente uma faixa instrumental, exceto por alguns suaves murmúrios e falas aleatórias. Apesar da pequena participação, é bom ouvir Lowe auxiliando Tennant nos vocais. A faixa que mais lembra o álbum anterior é a moderna “Inner Sanctum”, canção que revisita o trance típico dos anos 2000. Ela apresenta uma bateria frenética, baixo, teclado e sintetizadores, enquanto passa a atingir uma euforia sedutora. Sua batida é repetitiva e exala uma textura obscura como pano de fundo. Através de vocais confessionais, Tennant canta: “No santuário interno / Você é uma estrela / As meninas, os rapazes / Todos eles sabem quem você é”. O estilo clássico do Pet Shop Boys chega em sua melhor forma durante a canção “Undertow”. É uma canção memoravelmente cativante, que mostra com propriedade os traços que sempre destacou as produções do duo.

Pet Shop Boys

Ela fui de forma magistral em linha reta, conforme uma melodia sonhadora aparece ao lado de sons hipnóticos. Atado à melodia eletrônica, o vocal de Tennant está em sua forma mais suave e sedosa. Após uma variedade de batidas dançantes e otimistas, temos um ritmo mais lento e sombrio na faixa “Sad Robot World“. Dessa vez, Tennant e Lowe optam por algo decididamente mais emocional. Suas metáforas e letras melancólicas conseguem colocar o ouvinte para pensar. Enquanto Tennant não é tecnicamente um excelente cantor, ele tem um talento especial para a suavidade e dramatização. Ele consegue surpreender vocalmente e não deixa qualquer lacuna. Logo depois, “Say It to Me” leva as coisas de volta para a agitação, conforme acelera o ritmo e traz fortes batidas eletrônicas. É uma canção sólida, ligeiramente hipnótica e em linha reta. Um dance-pop leve em sua natureza, porém, com um acentuado teclado, feito especialmente para as pistas de dança.

“Burn”, penúltima faixa, é energética, oferece um som gigante e uma rápida batida. Ela possui um apelo parecido com alguns dos seus melhores trabalhos na década de 1980. Em êxtase puro, os seus sintetizadores, teclas pulsantes e tambores prosperam em um som muito dançante e convincente. Tennant canta corajosamente em seu registro mais superior, afirmando: “Nós vamos queimar esse disco / Antes que a manhã venha”. Depois de uma peça tão dançante, para finalizar o álbum, eles não poderiam optar por algo tão diferente. Consequentemente, “Into Thin Air” apresenta, além de bons arranjos orquestrais, amostras eletrônicas semelhantes à Burn. É uma música intrigante, um pouco sinistra e com letras provocantes. Sem dúvida, foi uma ótima maneira para terminar um álbum synthpop. Em uma época onde a maioria dos hits produzidos por DJs possuem letras vazias e melodias como breve formalidade, Pet Shop Boys continua mantendo-se fiel ao som que produziu nas últimas décadas.

A primeira metade do “Super” é eufórica e realmente faz jus ao título. A segunda metade também possui alguns peças fundamentais, entretanto, perde ligeiramente a sua força. Esse disco pode não ser uma inovação para a dupla, entretanto, ninguém pode acusá-los de jogar pelo lado seguro. Estimulados pelas produções de Stuart Price, “Super” concentra-se em canções cativantes e singulares. Tanto Price, quanto Tennant e Lowe, nos ofereceram uma beleza intocada e muitas batidas peculiarmente dançantes. O álbum é um testemunho da energia e ambição do Pet Shop Boys, mesmo depois de tantos anos de carreira. Embora não seja inovador, é um registro que os empurra para além do seu território, enquanto ainda explora às suas raízes. “Super” não vai ser considerado um clássico álbum do Pet Shop Boys por qualquer meio. Mas, na pior das hipóteses, ele mostra um duo aparentemente à vontade e confortável com a sua música.

70

Favorite Tracks: “The Pop Kids”, “Twenty-Something”, “Groovy”, “Untertow” e “Burn”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.