Resenha: Paul Simon – Stranger to Stranger

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Indie Rock
Gravadora: Concord Records
Produtores: Paul Simon e Roy Halee.

Paul Simon é um nome altamente reverenciado na música, por causa de todas as suas contribuições e longevidade. Sua fama começou após o sucesso comercial do duo Simon & Garfunkel, formado em 1964 com o parceiro Art Garfunkel. Simon escreveu quase todas as canções da dupla, incluindo os hits “The Sound of Silence”, “Mrs. Robinson” e “Bridge Over Troubled Water”. A dupla se separou em 1970, no auge de sua popularidade, conforme Simon trilhou em carreira solo gravando três aclamados álbuns durante os próximos cinco anos. Simon ganhou 12 Grammys em sua carreira, incluindo um Lifetime Achievement Award. “Stranger to Stranger” é o seu décimo terceiro álbum de estúdio solo, produzido por ele ao lado de Roy Halee. Simon o escreveu ao longo de um vasto período, fazendo uso de instrumentos sob medida. Três das canções do disco são colaborações com o artista eletrônico Clap! Clap!.

Simon começou a decolar em sua carreira usando expressões musicais bem variadas. A cada álbum sua criatividade e exploração de novos ritmos, batidas e harmonias, aumentava. Ele passou a usar sons tribais africanos e misturar instrumentos comuns, incorporando novas e diferentes misturas. Estes sons entrelaçados, tanto familiares como incomuns, chamou atenção de muitos ouvintes e críticos. Com este novo álbum, Paul Simon prova que ainda está no seu melhor, e tem sido assim há mais de 30 anos. Ele conseguiu transformar seu som clássico em algo fresco e novo. “Stranger to Stranger” é um registro maravilhoso, com mensagens relevantes de um músico incrivelmente talentoso. É surpreendente saber que mesmo aos 74 anos de idade, Simon ainda está disposto a tentar coisas novas para desafiar a si mesmo. O resultado é mais um álbum pessoal, incomum e brilhante, cheio de sons e experimentos inesperados.

Paul Simon

Aqui, não há uma única nota fora do lugar, tudo foi cuidadosamente trabalhado para destacar o melhor de cada canção. “A vida é uma loteria, muitas pessoas perdem”, ele canta em “The Werewolf”. Desiguldade é um tema abordado por todo o álbum. É uma canção tingida de doo-wop, que faz uma avaliação sombria da vida moderna. É profundamente enraizada no ritmo, com batidas fornecidas pelo músico italiano Clap! Clap!. Instrumentos de metais levam a canção em direção ao fim, enquanto um órgão assustador faz jus ao título. “Wristband” é o momento mais liricamente direto do registro. É uma mini narrativa sobre Simon entrar em contato com um segurança, a fim de ganhar um ingresso para o seu próprio show. É uma canção divertida, com um ritmo hiperativo, um contrabaixo proeminente, excelente percussão, metais e nítidos vocais. Enquanto essas duas primeiras faixas são exuberantes, as próximas são um pouco mais contidas.

O primeiro de dois números instrumentais é intitulado “The Clock”, uma canção que começa com um tique-taque solitário de um relógio. Mais tarde, ela apresenta uma guitarra semelhante a um sinal sonoro. Em seguida, temos “Street Angel”, um tributo às pessoas que estão mentalmente fragmentadas com as normas da sociedade. Batidas pesadas, mais uma vez fornecidas por Clap! Clap!, estão interligadas a um loop vocal incoerente. Harmonias de fundo e uma melodia incrivelmente infecciosa compõem a música, enquanto ele canta: “Meu coração está com os anjos de rua / Em seus caminhos de volta para casa”. A faixa-título, “Stranger to Stranger”, é um adorável número jazz, que caracteriza um espírito flamenco em sua base rítmica. Simon oferece uma melodia lenta, com um fundo coberto por guitarras e firmes tambores.

Mantendo o álbum excepcionalmente intrigante, “In a Parade” apresenta tambores pesados, címbalos, peças de metais e dançantes batidas. Ritmos africanos levam a canção de volta para o som reverenciado em “Graceland” e “The Rhythm of the Saints”. É uma peça centralizado no ritmo, em meio a verdadeira atmosfera de carnaval e salsa. De forma mais calma, em seguida, somos introduzidos à faixa “Proof of Love”. Um hino acústico misturado com uma percussão e natureza relaxante. É uma tomada para algo mais espiritual, inspirada por sua experiência com um curador. “Eu troco as minhas lágrimas / Para pedir ao Senhor / Para a prova de amor”, ele canta de forma tocante. Uma maravilhosa guitarra é entrelaçada junto com a batida em algumas seções, à medida que a bela melodia e as harmonias levam a música para a sua conclusão. “In the Garden of Edie”, a segunda faixa instrumental, é uma ode à sua esposa, definida por uma harmônica guitarra acústica.

Paul Simon

De volta ao rock and roll, Simon nos apresenta a interessante “The Riverbank”. Aqui, apenas a poderosa guitarra, cordas adicionais e uma constante batida auxiliam Paul Simon. Ele tece palavras, quase individuais, em conjunto com o seu próprio ritmo. Durante “Cool Papa Bell”, uma das canções mais enigmáticas e rítmicas, Simon faz referências a um jogador de beisebol. A linha de guitarra situa-se no centro das atenções e percorre um som que lembra o disco “Graceland”. A balada de encerramento, “Insomniac’s Lullaby”, soa um pouco fora do lugar no álbum, mas foi uma tomada de risco necessária. Inicialmente, ela começa com sons de sirene bem distantes, mas, em seguida, é dominada por uma poderosa guitarra acústica. Ela ressoa como uma verdadeira canção de ninar para adultos, porém, com um tom mais sinistro. “Oh Senhor, não me mantenha acordado a noite toda / Lado a lado com a lua / Sozinho na cama”, ele canta tristemente.

“Stranger to Stranger” é um trabalho bem reflexivo e com uma tomada pontiaguda. Ele tem uma tonalidade escura, brilhante e igualmente alegre. As montagens de sons que Paul Simon construiu aqui, desde os instrumentos de sopro até as cordas tradicionais e percussões, se misturam de forma aventureira e emocionante. Simon canta com uma alegria desenfreada e as músicas brilham com a graça de sua sagacidade. É um dos seus registros mais fortes e não é apenas um excelente álbum, é um dos melhores de sua carreira. Sempre experimentando e inovando, Simon carrega o disco com uma mistura de talento lírico e uma maravilhosa instrumentação. Todas as canções juntam-se para formar o seu melhor álbum, desde o “The Rhythm of the Saints” de 1990. “Stranger to Stranger” sente-se mais fresco e relevante que qualquer outra coisa de seus contemporâneos dos anos 1960. Tudo somado, é outra verdadeira obra-prima em seu catálogo. E isso não é surpreendente, tratando-se de um dos melhores compositores da história.

80

Favorite Tracks: “The Werewolf”, “Wristband”, “Street Angel”, “Stranger to Stranger” e “Proof of Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.