Resenha: Passenger – Whispers

Lançamento: 06/06/2014
Gênero: Indie Pop, Folk
Gravadora: Nettwerk / Black Crow Records
Produtores: Michael David Rosenberg.

Michael David Rosenberg, mais conhecido por seu nome artístico Passenger, é um cantor inglês de folk-rock. Rosenberg optou por manter o nome de sua antiga banda em seu trabalho solo. Até o momento, o seu single mais bem sucedido é “Let Her Go”, que chegou a liderar as paradas musicais de vários países. “Whispers” é o seu quinto álbum de estúdio e inclui os singles “Scare Away the Dark” e “Heart’s on Fire”. “Este é facilmente o álbum mais up que eu já fiz, é muito cinematográfico. Há muitas grandes histórias e grandes ideias”, disse Rosenberg a respeito do mais novo trabalho. Passenger ainda é relativamente desconhecido, mas ele tem como força contar histórias, logo este novo material está cheio de contos marcantes. Ele ainda continua explorando o mesmo folk acústico e indie-pop desenvolvido em seu álbum “All the Little Lights” de 2012, bem como o seu principal instrumento ainda é o violão.

Eu diria, para quem não conhece o som do Passenger, que ele é uma mistura de Mumford & Sons com Ed Sheeran. Ele possui um vocal delicado e arranhado, mas no álbum ele também apresenta sons mais energéticos como na faixa “27”. Essa canção mostra um lado mais atrevido, pois conta histórias da sua vida e experiências no mundo da música. Passenger consegue ilustrar sua frustração por não encontrar o sucesso para a maioria de sua carreira musical. Uma faixa up-tempo bem agitada, com cada verso sendo cantado quase sem pausas para respirar (“I don’t know where I’m running but I know how to run / ‘Cause running’s the thing I’ve always done”). Em outras ocasiões, os seus vocais podem ser até um pouco desconcertantes, especialmente na faixa de abertura: “Coins In a Fountain”. Uma canção de amor, com cativantes ritmos percussivos em uma combinação única de violinos, xilofone e bongô.

“Heart’s On Fire”, segundo single, nos mostra um pouco do seu dom para músicas melancólicas. Essa é uma das minhas faixas favoritas do álbum, especialmente, por conta do seu estado de espírito magistralmente delicado. “Bullets” é uma canção poética e carregada de imagens, que aborda o sentimentalismo de bens materiais. Gaitas e vocais de apoio fazem o acompanhamento musical e mantêm uma ótima conexão com a letra. “Golden Leaves” é extremamente comovente, porque fala sobre o amor de um casal de idosos que perdeu a esperança. Rosenberg questiona: “Do you remember how this started out? / So full of hope, but now we’re filled with doubt / I can’t live with you, but I’d die without”. As melodias orquestrais e o violino deslocando-se contra a guitarra acústica, aumentam conforme o cursor da música. O arranjo despojado mistura melodias menores e maiores e faz a canção ficar ainda mais espetacular.

Passenger

“Thunder” consegue aliviar de forma cômica o tom emocional da faixa anterior. Uma canção pop cativante, que possui uma percussão bem repetitiva e dinâmica. Em “Rolling Stone” Rosenberg encanta por conta da sua voz suave durante todos os versos. Uma beleza de música folk que fala sobre deixar tudo e todos para trás, quando estamos perseguindo um sonho tão fervorosamente. “Start a Fire”, por sua vez, possui uma boa sensação country e batidas abafadas, mas é uma canção ligeiramente esquecível. A faixa-título, “Whispers”, está entre os destaques do álbum e, possivelmente, é o som mais emotivo. Possui um início bem lento, mas vai acelerando à medida que a música progride. Aqui, Rosenberg novamente parece estar insatisfeito: “I wait in line so I can wait some more / Til’ I can’t remember what I came here for”.

“Riding to New York” é um conto comovente sobre um homem que morre ao andar de bicicleta para Nova Iorque, para ver a sua família uma última vez. Enquanto Passenger canta uma batida suave ecoa atrás de um acompanhamento de guitarra profundamente meditativa. A faixa de encerramento, “Scare Away the Dark”, é definitivamente outra música de grande destaque. É uma canção up-tempo melódica sobre a tecnologia moderna que governa nossas vidas sociais, um comentário expressado de forma nervosa e sincera. Na maioria das vezes, suas letras parecem com poemas rabiscados de um adolescente, mas, o álbum como um todo, é doce e contém canções melosas e com uma sensibilidade sublime. É impressionante como ele consegue transmitir sentimentos para os seus ouvintes através das melodias e acordes do seu violão.

Cada uma das 11 faixas do “Whispers” é agradável, portanto, merece destaque e atenção individual. Rosenberg é um músico que merece respeito, um artista merecedor da fama que têm recebido ao longo do último ano. Essa fama, provavelmente, vai aumentar com o “Whispers”, pois é muito bem escrito e reforçado por um verdadeiro e grande apoio: a variedade de cordas que flutuam ao longo de sua duração. É um material que vale a pena ouvir, pois é quase um calmante e, por vezes, repleto de honestidade e desejo de viver. Quinto álbum de Passenger e o quarto após a sua dissolução, mostra um Rosenberg melhor e com uma coleção de canções especiais. Agora, ele toca para um público maior e não será difícil fazer esse público adorar o “Whispers”.

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Favorite Tracks: “Heart’s On Fire”, “Bullets”, “Golden Leaves”, “Whispers” e “Scare Away the Dark”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.