Resenha: Paramore – After Laughter

Lançamento: 12/05/2017
Gênero: New Wave, Pop Rock, Synthpop, Power Pop
Gravadora: Fueled by Ramen
Produtores: Justin Meldal-Johnsen e Taylor York.

Depois de um hiato de quatro anos, a banda Paramore retornou à ativa com “After Laughter”, o seu quinto álbum de estúdio. Com mais uma mudança de formação, Paramore mostra que não tem medo de explorar novos territórios sonoros. Formada em Nashville, Tennessee em 2004, o álbum de estréia da banda foi lançado em 2005. Dois anos depois, eles conseguiram uma maior sucesso comercial com “Riot!”, que viu a banda ser nomeada na categoria “Best New Artist” no Grammy de 2008. Após as mudanças de line-up, Paramore lançou o seu quarto álbum auto-intitulado e levou para casa o primeiro Grammy Award com “Ain’t It Fun”. Após a saída de Jeremy Davis, Hayley Williams e Taylor York juntaram-se novamente com Zac Farro. Ele era um dos membros fundadores que havia deixado a banda ao lado do irmão Josh Farro em 2010. Com esta nova formação veio um novo estilo e som, apresentado inicialmente no lead-single “Hard Times”. Graças a esse novo line-up, o som da banda mudou naturalmente e tornou-se mais alegre do que nunca. O new-wave e uma forte influência dos anos 80, permeia por todo o álbum, mais notavelmente nos singles “Hard Times” e “Told You So”. Isso não só demonstra a versatilidade do Paramore, mas também lhe deu uma nova roupagem sonora. Uma abordagem mais calma foi adotada, algo já espelhado pelo título do álbum. A banda está mais honesta, emotiva e vulnerável em contraste com a angústia de seus trabalhos anteriores.

Na superfície, “After Laughter” possui um brilho intenso, é exuberante e muito flutuante, graças aos órgãos, cordas de guitarras, tambores e poderosos vocais da líder Hayley Williams. Sua voz parece mais texturizada e relaxada do que em qualquer outro registro anterior. Sonicamente otimista e com várias influências que se aproximam do synthpop, ska e new-wave oitentista, o álbum soa incrivelmente maduro e interessante. A faixa de abertura é o single “Hard Times”, que inicialmente começa com sons de bongôs antes de entrar com os tambores e guitarras. É uma canção que funciona como o primeiro vislumbre do novo material do Paramore. Uma música divertida que lança o álbum diretamente para a década de 80, de uma forma surpreendentemente alegre. Sua produção tropical, com riffs cativantes e um som new-wave/synthpop, é jogada sobre letras muito efetivas. O dance-pop “Rose-Colored Boy”, com sua instrumentação igualmente agradável, é outra faixa emocionalmente carregada e encantadora. O segundo single, “Told You So”, também é uma pista sedutora, particularmente graças à sua produção eletropop e oitentista. O trabalho no baixo é fabuloso, da mesma forma que sua suave influência ska. É uma música suave, com melodias vibrantes, letras minimalistas e um som de marimba no refrão. Mesmo com apenas três faixas, o álbum já se sente extremamente coeso. A quarta faixa, “Forgiveness”, é uma suave balada pop-rock muito bem escrita.

Ela possui uma melodia descontraída com um ritmo no baixo e crescentes acordes de sintetizadores. Em seguida, “Fake Happy” começa lentamente com uma guitarra acústica parecendo uma canção de ninar. Mas logo na sequência, teclas de piano começam a tocar e ditar o seu ritmo. O piano liga a lenta introdução ao primeiro verso, enquanto os tambores e riffs de guitarra aparecem no refrão. Assim como “Fake Happy”, “26” é uma faixa emocionalmente carregada que não se encaixa na perspectiva otimista que o Paramore está tentando passar. É uma balada introspectiva e acústica, carregada pelo violão e cordas de violinos ao fundo. Retornando ao ritmo inicial, “Pool” é uma canção de amor com metáforas sombrias, apesar da leveza dos instrumentos. Ela possui ritmos paralelos e mais batidas de tambores new-wave. É uma linda e infecciosa canção, com uma sutil guitarra elétrica e um belo trabalho vocal de Hayley Williams. As influências do new-wave oitentista cria uma festa perfeita na oitava faixa, intitulada “Grudges”. Segundo Taylor York, eles escutaram Tame Impala durante o processo de criação do “After Laughter”, talvez por isso “Grudges” possui uma melodia meio psicodélica. “Caught In the Middle”, por sua vez, é uma faixa funk que leva o álbum para temas cheio de dúvidas. Alguns críticos compararam essa canção com a banda Blondie, uma influência notável e perceptível nos rápidos riffs de guitarra.

No ótimo dance-pop “Idle Worship”, Williams diz que as celebridades não são dignas de adoração. Cheia de maturidade e honestidade, a mensagem dessa música é bastante intensa e afiada. Sonoramente, é uma canção deliciosamente divertida que nos lembra da força dos vocais de Williams. Em contrapartida, “No Friend” apresenta vocais quase inaudíveis e escrita adicional de Aaron Weiss. É uma faixa que não se enquadra na narrativa do registro, e acrescenta uma vibração experimental. Já pode ser considerada uma das canções mais estranhas do catálogo da banda. Além das guitarras mais altas do que as letras, ela também soa repetitiva demais. Paramore fecha o álbum com uma balada de ritmo lento, chamada “Tell Me How”. Uma canção no piano verdadeiramente agridoce e emocional. Enquanto o piano domina a canção, a guitarra e bateria aparecem em segundo plano. Sonoramente, “After Laughter” exala um contraste nítido em comparação com seus discos anteriores. Mas é um passo inteligente e na direção certa. Paramore continua silenciando aqueles que duvidam do seu talento, a cada nova direção artística tomada. É um álbum muito bem produzido e introspectivamente escrito, que lança a banda num novo capítulo de sua carreira. Depois de quatro anos, Paramore conseguiu retornar com um álbum muito mais maduro, e acabou se distanciando ainda mais dos seus dias de “Misery Business”.

Favorite Tracks: “Hard Times”, “Rose-Colored Boy” e “Pool”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.