Resenha: Papa Roach – Crooked Teeth

Lançamento: 19/05/2017
Gênero: Metal Alternativo, Hard Rock, Rock Alternativo, Rap Rock, Nu Metal
Gravadora: Eleven Seven Music
Produtores: RAS e Colin Brittain.

Em 19 de maio de 2017, a banda americana Papa Roach lançou um novo álbum de estúdio, intitulado “Crooked Teeth”. Nesse registro, eles tentaram fazer uma profunda mistura de antigos e novos sons. Grande parte disso, foi devido a produção de RAS e Colin Brittain, que cresceram como fãs do grupo e o incentivou a retornar às suas raízes. Formada há 24 anos na Califórnia, Papa Roach fez a sua estreia em 2000 com o disco “Infest”. Certamente, a maioria dos ouvintes lembram dos seus hits rap-rock, como “Last Resort” e “Scars”, que foram trilha sonora para muitos jovens angustiados daquela época. “Last Resort” fez um considerável sucesso comercial e empurrou o grupo para o mainstream. Os sucessores do “Infest”, “Lovehatetragedy” (2002) e “Getting Away with Murde” (2004), também conseguiram atingir um bom público e foram certificados de ouro e platina nos Estados Unidos, respectivamente. “Crooked Teeth”, por sua vez, é um álbum de metal alternativo, hard-rock e rap-rock muito curto, composto por apenas 10 faixas e pouco mais de meia hora de duração. É um registro que abraça um som melancólico, melódico e bastante alternativo. Geralmente, o público sempre espera que a cada novo disco, as bandas evoluam e progridam. Entretanto, sinto que desta vez, Papa Roach ficou aquém do esperado. Jacoby Shaddix ainda é vocalmente incrível, o tempo foi generoso com ele.

Portanto, em termos vocais, “Crooked Teeth” não deixa a desejar. Porém, quando trata-se de rap, ele não atingiu a sua marca. No geral, o conteúdo lírico de Shaddix também não é surpreendente. Ele lida com temas tradicionais, cansativos e clichês, enquanto soa liricamente estranho. Embora os riffs de guitarra e tambores consigam entusiasmar, a instrumentação de Jerry Horton, Tobin Esperance e Tony Palermo não oferece nada de novo. “Crooked Teeth” começa em alta velocidade com a explosiva “Break the Fall”, uma canção sobre manter a mente forte num mundo que quer te derrubar. Ela apresenta um som espesso, uma trituração crocante no baixo e guitarra, e bateria exuberante. O seu refrão é instantaneamente reconhecível e fácil de digerir. Assim como “Break the Fall”, a faixa-título “Crooked Teeth” indica um retorno ao som nu-metal que impulsionou o sucesso inicial da banda no início dos anos 2000. É uma passeio emocional, maduro e melódico com a mesma atitude de “Last Resort”. “My Medication” é um bom exemplo de como os dois lados da carreira do Papa Roach podem ocupar o mesmo lugar. Nessa faixa, Shaddix alterna, sem grandes esforços, de um lado para o outro entre cantar e rapear. O seu vigoroso estilo vocal faz ele mover-se com facilidade por toda música. “Nós não somos sem nome / Não somos sem rosto / Nós nascemos para a grandeza”, Shaddix canta em “Born for Greatness”.

É uma canção cativante que apresenta a emoção necessária para garantir uma nova repetição. Em seguida, Papa Roach se move para “American Dreams”, onde eles fazem algumas perguntas categóricas: “Você já pensou que a guerra era uma doença?”. Uma direção interessante para a banda e uma canção rock verdadeiramente infecciosa, que aborda alguns temas de grande peso. A adição de Skylar Grey na balada “Periscope” foi uma jogada interessante. Dito isto, sua voz é muito linda e absolutamente pura. Ao emparelhar-se com Shaddix, os vocais de Grey criaram uma mistura muito atraente. Eles conseguiram se complementar muito bem, mesmo com sua abordagem mais suave. As letras são bastante repetitivas, mas não deixa de ser uma música bem sólida. É compreensível o fato de “Help” ter sido a escolhida para primeiro single do disco. Ela nos remete ao passado do Papa Roach, graças aos vocais poderosos e melodia infecciosa. O seu refrão é instantaneamente atraente, da mesma forma que a linha de baixo pulsante, as guitarras acústicas e elétricas, e os lentos apoios instrumentais. Enquanto todos os membros fizeram uma ótima performance, a letra lida com problemas de saúde mental. “Sunrise Trailer Park” vê a banda se juntar com o rapper Machine Gun Kelly, faixa que possui uma maior destreza lírica. MGK não adiciona muita coisa à música, mas um segundo ponto de vista para a narrativa aumenta a eficácia da mesma.

Os acordes iniciais de “Traumatic” pinta uma imagem meio punk, do qual o quarteto já experimentou antes. No entanto, é uma das faixas mais esquecíveis do repertório. A última faixa, “None of the Above”, possui um riff de guitarra abaixo de sua superfície, antes de explodir num tema familiar para Shaddix. “Leve-me para a igreja / Porque eu fui abençoado com uma maldição / Eu cheguei em uma limusine / E eu deixei em um carro fúnebre”, ele canta no refrão. Nessa canção, em especial, a banda afasta-se um pouco de sua zona de conforto. Ela lembra um pouco o Linkin Park em seus versos, e faz uso de vocais computadorizados no refrão. “Crooked Teeth” não é uma coleção musical incrível ou uma grande exibição lírica. A banda optou por aderir à sua fórmula confiável de rap-rock, mesmo que eles não tracem novos caminhos com isso. É um álbum que começa com uma grande dose de energia, mas possui alguns momentos demasiadamente soberbos. Ficou óbvio que Papa Roach não quer afastar-se muito longe de suas linhas de conforto. Eles, aparentemente, preferem ficar no mesmo território apresentado em álbuns anteriores. Tem algumas boas faixas no álbum, mas nenhuma delas são inteiramente bem-sucedidas. Enquanto “Crooked Teeth” não oferece nada de novo ou passeia por novas estradas, ainda consegue fornecer uma ou outra experiência auditiva interessante.

Favorite Tracks: “Crooked Teeth”, “My Medication” e “American Dreams”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.