Resenha: Panic! At the Disco – Death of a Bachelor

Lançamento: 15/01/2016
Gênero: Rock, Pop, Hip-Hop
Gravadora: Fueled by Ramen
Produtores: Jake Sinclair e J.R. Rotem.

Panic! At the Disco é uma banda de um homem só, pois Brendon Urie é o único membro que restou da formação original. Hoje, além dele, Panic! At the Disco é formado apenas por alguns membros de turnê, como Dallon Weekes, Kenneth Harris e Dan Pawlovich. Mesmo depois de tantos contratempos, Urie amadureceu e agora tem total controle da banda. Em 2016, ele não mediu esforços para lançar um ótimo disco intitulado “Death of a Bachelor”. Um álbum de rock bastante criativo, que explora elementos de pop, hip-hop e jazz. É um material aparentemente seguro, cheio de energia e com boas vibrações do início ao fim. Todo o disco é uma vitrine para os bons vocais e peculiares letras do vocalista Brendon Urie. O registro acabou por se tornar o primeiro álbum do Panic! At the Disco a alcançar a primeira posição dos mais vendidos nos Estados Unidos. “Death of a Bachelor” estreou em #1 em sua semana de lançamento, ao vender mais de 190 mil cópias em território norte-americano. O álbum foi construído com ajuda de nomes como Rivers Cuomo (vocalista do Weezer), Ricky Wilson, Dan Wilson, J.R. Rotem e Jake Sinclair.

Em sua instrumentação encontramos a presença de guitarras, baixo, teclados, sintetizadores, bateria e uma variada percussão. A banda sempre foi conhecida por mudar de estilo a cada álbum lançado. “Death of a Bachelor”, por exemplo, afasta-se do dance-pop/synthpop/eletropop do álbum anterior, a fim de explorar novos territórios musicais, como o jazz, e inspirar-se em artistas como Frank Sinatra e a banda Queen. Precedido pelo lançamento de três singles, o quinto álbum de estúdio do Panic! At the Disco é organizado, coeso, agridoce e, sem dúvida, um excelente complemento para o catálogo da banda. A faixa de abertura é “Victorious”, uma canção intensa, apaixonada e extremamente infecciosa. É uma ode com uma mensagem subjacente sobre a falta de capacidade atlética do vocalista Brendon Urie. Essa mensagem pode não ser evidente logo na primeira escuta, mas pode ser notada depois de uma olhada nas letras. A música começa com uma grande quantidade de energia e uma vibração facilmente dançante. As letras conseguem pintar um retrato interessante em cada verso, enquanto o refrão cria uma mistura de multi-camadas que exalam uma energia positiva.

O seu cativante refrão é apresentado com uma alta dose de entusiasmo: “Esta noite somos vitoriosos / Champanhe derramando sobre nós / Todos os meus amigos são gloriosos / Esta noite somos vitoriosos”. Logo de início, a música salta rapidamente com alguns toques de new-wave que a tornam em um verdadeiro destaque. É também um bom aceno para as raízes da própria banda, pois oferece um pop barroco em uma mistura inteligente com rock alternativo. E, mesmo não transbordando com sintetizadores igual várias faixas do disco “Too Weird to Live, Too Rare to Die!”, ainda possui muito toques modernos e alguns elementos eletrônicos. Pesadas guitarras e uma percussão ainda auxiliam na produção geral da música. “Oh, temos que ligar o botão da loucura / Viver como celebridades decadentes / Soltar fogos de artifício como se fosse quatro de julho / Até nos sentirmos bem”, Urie canta em um gancho perfeito para as festas de fim de semana. Com uma amostra em seu instrumental da faixa “Rock Lobster” da banda The B-52s, “Don’t Threaten Me with a Good Time” é uma canção que mistura o pop com hip-hop, surf-rock e synthpop.

É, provavelmente, a faixa mais divertida do álbum, por conta das letras engraçadas e escandalosas. Aqui, encontramos versos como: “Quem são estas pessoas? / Eu acabei de acordar só de cueca / Não sobrou bebida nenhuma na prateleira”. Piano, metais, tambores, palmas, solo de guitarra e um baixo contundente trabalham em conjunto a fim de criar uma verdadeira ode às festas e bebidas alcoólicas. “Champanhe, cocaína e gasolina / E a maioria das coisas que tem a ver”, Urie canta em outro gancho. A sua performance vocal em falsete consegue adicionar um drama e ranhura muito boa para a música. O primeiro single, “Hallelujah”, é uma profunda canção, onde a voz de Brendon Urie é o destaque absoluto. Aqui, ele mergulha em melismas e mostra toda a sua gama vocal. Liricamente, ele oferece letras potentes, de forma clara e sentimental, que agem como uma mini-confissão de seus últimos atos errados (“Minha vida começou no dia em que fui pego / Debaixo de lençóis com amantes de segunda mão / Oh, preso em coisas muito imaturas / Em um estado de emergência / Quem eu estava tentando ser?).

Panic! At the Disco

Brendon também faz um apelo a seus ouvintes para aprenderem com seu mau comportamento e aceitarem seus erros como pecadores (“Todos vocês pecadores, levantem-se / Cantem aleluia”). Mesmo você não sendo religioso, não há como negar que é uma mensagem poderosa. Porque não é uma faixa amarga, em vez disso, ela parece celebrar o renascimento. E o refrão é realmente muito animado e um atributo edificante da canção. A produção de “Hallelujah”, que fornece uma sonoridade alternativa e pop rock, corresponde à força da entrega vocal de Brendon. Temos guitarras e boas batidas de tambores, embora o seu arranjo poderia ter tido algo a mais. A natureza simples da canção não é algo ruim, mas é o cantor que faz a maior parte do trabalho pesado em termos de melodia. Ela começa com uma quantidade de ruídos, que facilmente acumulam um ritmo e, depois, é impulsionada pelo refrão. Há alguns traços de canções antigas da banda misturando-se com as emoções levemente polvilhadas de “Hallelujah”. O tema da canção também torna-se um tanto quanto pessoal para Brendon Urie, que foi criado em um lar Cristão.

É algo meio soulful, enquanto poderoso e viciante. A quarta faixa, “Emperor’s New Clothes”, por sua vez, fala sobre a conquista pelo poder. A canção é sonoramente obscura e muito cativante, enquanto Urie entrega vocais surpreendentes e mostra sua ode à busca por poder e aceitação da escuridão dentro de si. Ele continua a evoluir a cada novo álbum lançado e está superando-se como compositor. Como o título pode sugerir, “Emperor’s New Clothes” marca um desvio no estilo de trabalho anterior da banda. Eles sempre foram marcados pela experimentação de vários gêneros e, aqui, não foi diferente ao fundirem o seu já conhecido som com o hip-hop. Brendon Urie e companhia incluíram uma extensa e complexa instrumentação em “Emperor’s New Clothes”, que marca a presença de teclados e instrumentos de sopro centrais. Além disso, a canção ainda faz uso de efeitos sintetizados sem soar artificial. O grupo já foi constantemente elogiado por suas letras cuidadosamente escritas e bem rimadas. E esta faixa não é uma exceção, pois o seu foco nos temas de justiça, vitória e poder, são gratificantes.

Inicialmente, “Emperor’s New Clothes” começa com um cativante coral característico que estimula uma mistura de efeitos musicais fascinantes e maníacos. Apesar do seu comportamento escuro, a atmosfera da canção é alegre e envolvente. Uma rápida batida de tambor, que persiste ao fundo, alimenta a música e mantém as coisas extremamente vigorosas. Posteriormente, tudo explode em uma instrumentação variada durante o cativante refrão. “Estou pegando minha coroa de volta / Estou completamente vestido e nu / Eu vejo o que é meu e pego / (Quem acha guarda, quem perde chora) / Oh sim”, ele canta aqui. A atitude desequilibrada da entrega lírica é deliciosamente agradável, enquanto os componentes eletrônicos são extremamente restauradores. As coisas continuam rápidas e intensas até que vai para uma estrofe mais excêntrica. Mais tarde, explode de volta através de uma infinidade de elementos instrumentais e harmonização de alta-frequência. Um cântico refrigerado assume a ponte, antes de Urie gritar de forma soberba e imponente, e finalizar com o eletrizante refrão.

Os vocais de fundo merecem uma menção honrosa, pois também chamam bastante atenção. Algo tão bom que chega a ser um verdadeiro deleite. Esse coro ao fundo dá à música uma sensação assustadora e instigante. “Emperor’s New Clothes” é uma composição peculiar muito bem executada, que permanece empolgante e fiel ao estilo idiossincrático que fez a banda tornar-se única. Canalizando uma suposta influência em Frank Sinatra, Panic! At the Disco apresenta a faixa-título “Death of a Bachelor”. Com vocais limpos e atingindo notas altas, Brendon Urie impressiona mais uma vez. Essa é uma música pop, de inspiração jazz, que ainda faz uma incrível mistura com elementos R&B e soul. É uma canção sensual, cintilante e suave, com um conteúdo lírico muito melancólico em sua superfície. Aqui, Brendon Urie se despede da vida de solteiro de uma forma bastante dramática. “Sozinho em uma mesa para dois, só quero ser servido”, ele canta. Musicalmente, é uma das melhores canções do álbum. Faz uso de piano, baixo e leves sintetizadores, enquanto parece uma esquete de alguma música da década de 1950.

Panic! At the Disco

“A morte de um solteiro / Oh oh oh, parece que encaixa tão bem com o “felizes para sempre” / Como poderia pedir por mais? / Uma vida toda de risadas / Às custas da morte de um solteiro”, Urie canta, aparentemente em homenagem à sua esposa. “Crazy=Genius”, sexta faixa, também pisa no território jazz, enquanto faz referências aos membros da banda Beach Boys (“Ela disse que você é como Mike Love / Mas você quer ser Brian Wilson, Brian Wilson”). Aqui, Brendon Urie declara que sua loucura lhe trouxe o status de gênio. “Se louco é igual a gênio / Então eu sou a porra de um incendiário / Eu sou um cientista foguete”, ele canta no viciante refrão. Sua melodia combina o jazz com elementos modernos de uma forma muito divertida e dançante. Sua produção instrumental também se sobressai, visto que possui trompas, uma boa linha de guitarra, agitados tambores, entre outros instrumentos de cordas. Sua instrumentação, o ritmo rápido e os “Hey, ay, ay! / Hey, ay, ay!” soam delirantes aos ouvidos. Uma das mais memoráveis canções de todo o álbum é a sétima faixa “LA Devotee”. Essa é a música mais pop encontrada no disco, um banger doce, otimista e extremamente pegajoso.

Baseada em um romance que Urie teve com uma garota da Califórnia, essa canção pode ser considerada uma verdadeira homenagem à cidade de Los Angeles. “A magia negra da Mulholand Drive / Piscinas sob os céus do deserto / Bebendo vinho branco na luz enrubescedora / Só mais um devoto de Los Angeles / Pôr do sol no olho malvado / Invisíveis ao santuário de Hollywood / Sempre na caçada por um pouco mais de tempo / Só mais um devoto de Los Angeles”, ele canta com entusiasmo. É uma música incrivelmente cativante, que faz uso de uma percussão excepcional. Em “Golden Days” temos uma letra repleta de nostalgia, onde Urie canta sobre o passado e relembra os bons momentos que ficaram para trás. O cantor também aproveita para mostrar-se confiante com relação ao futuro: “O tempo nunca pode quebrar seu coração / Mas ele vai tirar a dor / Neste momento nosso futuro é certo / Eu não vou deixar isso desaparecer”. A música tem um significado bem vulnerável e amplo, e mostra o quanto Urie progrediu como letrista. É um rock alternativo sólido, com uma dose certa de teatralidade e uma boa quantidade de trompete e riffs de guitarra. Em seguida, a faixa “The Good, the Bad and the Dirty” traz de volta a sonoridade predominante no álbum “Too Weird to Live, Too Rare to Die!”.

Nessa mid-tempo Brendon reflete, através de um tom sarcástico, sobre um relacionamento que tornou-se insuportável. “Se você quer começar uma briga / É melhor dar o primeiro soco / Faça dele bom”, ele canta no refrão. Essa canção é uma das mais cativantes, principalmente por causa da boa melodia e forte refrão. Possui toques eletrônicos, uma batida reminiscente de “Miss Jackson” e alguns instrumentos de metais. Em um primeiro momento, a sombria “House of Memories” soa muito parecida com a faixa anterior, mas, posteriormente, essa sensação desaparece. É um eletrorock que mostra Urie implorando para uma possível ex-namorada não esquecer-se dele (“Lembre-se de mim da mesma forma / Como eu lembro de você”). Durante o refrão ele enfatiza o desejo de manter as boas lembranças de um relacionamento na memória: “E quando suas fantasias / Tornarem-se seu legado / Me prometa um lugar / Em sua casa de memórias”. Sonoramente, “House of Memories” é um verdadeiro destaque, desde a sua envolvente introdução até a repentina mudança de tom durante a ponte. A trombeta, o baixo e o piano, bem como o coro ao fundo, são elementos fundamentais da música.

Mais uma vez canalizando um estilo vocal reminiscente de Frank Sinatra, Brendon Urie apresenta a faixa “Impossible Year”. É um número lento, suave, agridoce, melancólico e bastante confessional. É uma balada adequada o suficiente para encerrar o repertório do álbum. Sua letra é sombria e exala uma grande tristeza em sua borda: “Não há luz do sol / Não há você e eu / Não ha bons tempos / Este ano impossível”. O piano é um instrumento de destaque, juntamente com as trompas e o trompete. A orquestra também fornece um suporte bastante interessante para os vocais de Brendon. Sua melodia é simplista e a composição geral é bem direta. Panic! At the Disco continua a se aventurar por uma criatividade e ousadia que muitas outras bandas possuem receio. Brendon Urie e companhia evoluíram consideravelmente ao longo dos últimos anos. Mesmo que a banda tenha passado por grandes mudanças em seu line-up, ela continua a manter o ouvinte interessado em seu som. “Death of a Bachelor” é um álbum de qualidade, coeso e sem qualquer enchimento no decorrer de onze faixas. Pode não ser um projeto completamente inovador, mas consegue mostrar com propriedade todo o talento do vocalista Brendon Urie. Ele se destaca pela autenticidade, boas habilidades líricas e incríveis performances vocais.

72

Favorite Tracks: “Victorious”, “Hallelujah”, “Emperor’s New Clothes”, “Death of a Bachelor” e “LA Devotee”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Gabriel Costa

    Só uma correção: o Ricky Wilson que participa da letra de uma música não é o vocalista do Kaiser Chiefs, e sim um cantor americano.

    • Leo

      Corrigido. Obrigado Gabriel!