Review: Panic! At the Disco – Death of a Bachelor (2016)

O carisma e a excentricidade do Brendon Urie, combinadas com suas acrobacias vocais são os fatores de destaque. Em suma, “Death of a Bachelor” é um material louvável.

Panic! at the Disco é uma banda de um homem só, pois Brendon Urie é o único membro que restou da formação original. Além dele, Panic! at the Disco é formado apenas por alguns membros de turnê, como Dallon Weekes, Kenneth Harris e Dan Pawlovich. Mesmo depois de tantos contratempos, Urie amadureceu e agora tem total controle da banda. Em 2016, ele não mediu esforços para lançar um disco intitulado “Death of a Bachelor”. Um álbum de rock alternativo bastante criativo que explora elementos de pop, hip-hop e jazz. Todo o disco é uma vitrine para os seus bons vocais e letras peculiares. O álbum foi construído com ajuda de nomes como Rivers Cuomo, Ricky Wilson, Dan Wilson, J.R. Rotem e Jake Sinclair. Em sua instrumentação encontramos a presença de guitarras, baixo, teclados, sintetizadores, bateria e percussão. A banda sempre foi conhecida por mudar de estilo a cada álbum lançado. “Death of a Bachelor”, por exemplo, afasta-se do dance-pop, synth-pop e electropop do “Too Weird to Live, Too Rare to Die!” (2013), a fim de explorar novos territórios como o jazz, e inspirar-se em artistas como Frank Sinatra e o Queen. Precedido pelo lançamento de três singles, “Death of a Bachelor” é organizado, coeso e certamente um excelente complemento para o seu catálogo. A faixa de abertura, “Victorious”, é um power pop intenso, apaixonado e extremamente infeccioso. Uma ode com mensagens subjacentes sobre a falta de capacidade atlética do Brendon Urie. Sua mensagem pode não ser tão evidente na primeira escuta, mas poderá ser notada depois de conferir as letras.

Ela começa com uma grande quantidade de energia e vibração facilmente dançante. As letras conseguem pintar um retrato interessante em cada verso, enquanto o refrão cria uma mistura de multi-camadas que exalam uma energia positiva. O cativante refrão é apresentado com alta dose de entusiasmo: “Esta noite somos vitoriosos / Champanhe derramando sobre nós / Todos os meus amigos são gloriosos / Esta noite somos vitoriosos”. Inicialmente, a música salta rapidamente com alguns toques de new wave que a torna em um verdadeiro destaque. É também um bom aceno para as raízes da própria banda, pois faz uma mistura inteligente de pop barroco e rock alternativo. E mesmo não transbordando com sintetizadores igual o “Too Weird to Live, Too Rare to Die!” (2013), ainda possui elementos modernos e influência eletrônica. Pesadas guitarras e percussões auxiliam na maior parte da produção. Com amostras em seu instrumental de “Rock Lobster” da banda The B-52s, “Don’t Threaten Me with a Good Time” é uma mistura de pop rock com surf rock, synth-pop e hip-hop. É provavelmente a faixa mais divertida do repertório – por conta das letras engraçadas e escandalosas. Aqui, encontramos linhas como: “Quem são estas pessoas? / Eu acabei de acordar só de cueca / Não sobrou bebida nenhuma na prateleira”. Piano, metais, tambores, palmas, solo de guitarra e linhas de baixo trabalham em conjunto a fim de criar uma ode às festas e bebidas alcoólicas. “Champanhe, cocaína e gasolina / E a maioria das coisas que tem a ver”, ele canta. Sua performance vocal em falsete consegue adicionar um drama e ranhura muito apropriada.

O primeiro single, “Hallelujah”, é um número profundo onde sua voz é o destaque absoluto – Urie mergulha em melismas e mostra toda a sua gama vocal. Liricamente, ele oferece letras potentes, de forma clara e sentimental, que agem como uma mini-confissão de seus últimos atos errados: “Minha vida começou no dia em que fui pego / Debaixo de lençóis com amantes de segunda mão / Preso em coisas muito imaturas / Em um estado de emergência / Quem eu estava tentando ser?. Ele também faz um apelo aos ouvintes para aprenderem com seu mau comportamento e aceitarem seus erros como pecadores. Mesmo você não sendo religioso, não há como negar que é uma mensagem poderosa. Porque não é uma música amarga, em vez disso parece celebrar o renascimento. E o refrão é realmente animado e um atributo completamente edificante. A produção de “Hallelujah”, que fornece uma sonoridade alternativa e pop rock, corresponde à força da entrega vocal do Brendon Urie. Temos guitarras e batidas de tambores, e embora a estrutura seja simples, é ele que faz a maior parte do trabalho pesado em termos de melodia. Ela começa com uma certa quantidade de ruídos que se acumula e posteriormente é impulsionada pelo refrão. Há traços de músicas mais antigas da banda misturando-se com as emoções levemente polvilhadas de “Hallelujah”. O tema também torna-se um tanto quanto pessoal para Brendon Urie – que foi criado em um lar Cristão. “Emperor’s New Clothes”, por sua vez, é um dance-rock que fala sobre a conquista pelo poder e a aceitação da escuridão dentro de si.

Uma canção sonoramente obscura com vocais surpreendentes, onde ele continua se superando como compositor. Como o título sugere, “Emperor’s New Clothes” marca um desvio no seu estilo de trabalho. O Panic! at the Disco é conhecido pela experimentação e aqui não foi diferente. Urie incluiu uma extensa e complexa instrumentação que marca a presença de teclados e instrumentos de sopro. Além disso, a música faz uso de efeitos sintetizados sem soar artificial. A banda já foi constantemente elogiada por suas letras cuidadosamente escritas. Dessa vez, o foco está na justiça, vitória e poder. Inicialmente, “Emperor’s New Clothes” começa com um coral característico sob efeitos fascinantes e igualmente maníacos. Apesar do comportamento escuro, a atmosfera é alegre e envolvente. Uma rápida batida de tambor, que persiste ao fundo, alimenta a música e mantém as coisas extremamente vigorosas. Posteriormente, tudo explode em uma instrumentação variada durante o refrão. “Estou pegando minha coroa de volta / Estou completamente vestido e nu”, Urie canta. A atitude desequilibrada de sua entrega lírica é deliciosamente agradável, enquanto os componentes eletrônicos são extremamente restauradores. As coisas continuam rápidas e intensas até que ele apresenta uma estrofe mais excêntrica. Mais tarde, explode de volta através de uma infinidade de instrumentais e harmonizações de alta-frequência. Um cântico refrigerado assume a ponte, antes de gritar soberbamente e finalizar com o eletrizante refrão. Os vocais de fundo merecem uma menção honrosa, pois também chamam atenção. O coro ao fundo dá à música uma sensação assustadora e instigante.

Emperor’s New Clothes” possui uma composição peculiar que permanece empolgante e fiel ao estilo idiossincrático da banda. Canalizando uma suposta influência em Frank Sinatra, Panic! at the Disco apresenta a faixa-título. Com vocais mais limpos e notas altas, Brendon Urie impressiona mais uma vez. É uma música pop sensual e cintilante de inspiração jazz, R&B, soul, eletrônica, synth-pop e trap com conteúdo lírico melancólico em sua superfície. Brendon Urie se despede da vida de solteiro de forma bastante dramática. “Sozinho em uma mesa para dois, só quero ser servido”, ele canta. Musicalmente, é uma das melhores canções do álbum. Faz uso de piano, baixo e sintetizadores, enquanto parece uma esquete de alguma música da década de 50. “A morte de um solteiro / Parece que encaixa tão bem com o felizes para sempre”, ele canta aparentemente em homenagem à sua esposa. “Crazy=Genius” também pisa fortemente no território jazz, ao passo que faz referências aos membros da banda Beach Boys: “Ela disse que você é como Mike Love / Mas você quer ser Brian Wilson”. Brendon Urie declara que sua loucura lhe trouxe o status de gênio. “Se louco é igual a gênio / Então eu sou a porra de um incendiário”, ele canta no refrão. Sua melodia combina o jazz com elementos modernos de forma divertida e dançante. Sua produção também se sobressai, visto que possui trompas, linhas de guitarra, tambores e outros instrumentos de cordas – sua instrumentação e os “hey, ay, ay! / hey, ay, ay!” são realmente delirantes. “LA Devotee”, a faixa mais memorável do repertório, é um power pop otimista e extremamente pegajoso.

Baseada em um romance que Brendon Urie teve com uma garota da Califórnia, ela pode ser considerada uma verdadeira homenagem à cidade de Los Angeles. “A magia negra do filme Cidade dos Sonhos / Piscinas sob céus desérticos / Tomando vinho branco sob luz avermelhada / Apenas outro devoto a Los Angeles”, ele canta com entusiasmo. É uma música incrivelmente cativante que faz uso de uma percussão excepcional, além de conter elementos de rock alternativo e ska. Em “Golden Days”, temos letras repletas de nostalgia sobre os bons momentos que ficaram para trás. Urie aproveita para mostrar-se confiante com relação ao futuro: “O tempo nunca pode quebrar seu coração / Mas ele vai tirar a dor / Neste momento nosso futuro é certo”. As letras possuem um significado vulnerável e amplo, e mostra o quanto ele progrediu como letrista. Um rock alternativo sólido com boa dose de teatralidade e quantidade certa de trompete e riffs de guitarra. Em seguida, “The Good, the Bad and the Dirty” traz de volta a sonoridade predominante do “Too Weird to Live, Too Rare to Die!” (2013). Nessa mid-tempo, ele reflete através de um tom sarcástico sobre um relacionamento que tornou-se insuportável. “Se você quer começar uma briga / É melhor dar o primeiro soco”, ele canta no refrão. Essa canção é uma das mais cativantes, principalmente por causa da melodia e do forte refrão. Possui toques eletrônicos, uma batida reminiscente de “Miss Jackson” e alguns instrumentos de metais. Em um primeiro momento, a sombria “House of Memories” soa parecida com a faixa anterior, mas, posteriormente, essa sensação desaparece.

É um rock eletrônico que o encontra implorando para uma possível ex-namorada não esquecer dele: “Lembre-se de mim da mesma forma / Como eu lembro de você”. Durante o refrão, Urie enfatiza o desejo de manter as boas lembranças de um relacionamento na memória: “E quando suas fantasias / Tornarem-se seu legado / Me prometa um lugar / Em sua casa de memórias”. Sonoramente, “House of Memories” é um verdadeiro destaque, desde a envolvente introdução até a repentina mudança de tom durante a ponte. A trombeta, o baixo e o piano, bem como o coro ao fundo, são elementos fundamentais. Mais uma vez canalizando um estilo vocal reminiscente do Frank Sinatra, ele apresenta “Impossible Year”. Um número agridoce, melancólico e bastante confessional. É uma balada adequada o suficiente para encerrar o álbum. Sua letra é sombria e possui uma tristeza em sua borda: “Não há luz do sol / Não há você e eu / Não ha bons tempos / Este ano impossível”. O piano é um instrumento de destaque, juntamente com as trompas e o trompete. A orquestra também fornece um suporte interessante para os vocais. Panic! at the Disco continua se aventurando por estradas desconhecidas que muitas bandas têm medo. Brendon Urie e companhia evoluíram consideravelmente ao longo dos últimos anos. Mesmo que a banda tenha passado por grandes mudanças em seu line-up, ela continua mantendo o ouvinte interessado. “Death of a Bachelor” é um álbum coeso e sem qualquer enchimento – pode não ser inovador, mas consegue mostrar com propriedade todo o talento do Brendon Urie. Ele se destaca pela autenticidade, habilidades líricas e incríveis performances vocais.

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Favorite Tracks:

“Victorious” / “Hallelujah” / “Emperor’s New Clothes”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.