Review: Paloma Faith – The Architect

Lançamento: 17/11/2017
Gênero: Pop, Soul, R&B
Gravadora: RCA Records / Epic Records
Produtores: Paloma Faith, Jesse Shatkin, Starsmith, TMS, Klas Åhlund, Eg White, James Reynolds, Sam Klempner, Jonathan Green, Ghostwriter, Samuel Dixon, Emre Ramazanoglu, Arnþór Birgisson, Jamie Hartman, Knox Brown, Thomas Brenneck e Homer Steinweiss.

Embora tenha se mantido ocupada nos últimos anos, sendo jurada no The Voice e tendo um filho, o novo álbum de Paloma Faith não soa tão diferente dos três primeiros. “The Architect”, o seu primeiro disco desde 2014, é uma bela progressão em termos de som, mas ainda apresenta-lhe como uma diva de pop e soul moderno com algumas influências de disco. O fato de suas músicas serem principalmente pop, torna mais difícil de encontrar um significado profundo nas letras. No entanto, os vocais de Faith conseguem transmitir muito sentimentos e emoções quando ouvimos. A britânica descreveu “The Architect” como uma “observação sociopolítica”, algo parecido com o “pop proposital” do “Witness” (2017) de Katy Perry. Dito isto, “The Architect” é um ótimo álbum, mesmo que não possua qualquer base temática coesa. A primeira faixa, “Evolution”, é uma peça falada com Samuel L. Jackson encorajando-nos a “dizer algo, fazer alguma coisa e, acima de tudo, saber que podemos mudar as coisas”.

Esta introdução nos leva diretamente para a faixa-título, “The Architect”, um poderoso número de R&B supostamente sobre a violência doméstica. O primeiro single, “Crybaby”, é uma canção de soul, funk e disco inspirada na década de 90, onde Faith encoraja os homens a falarem sobre suas emoções. “Um homem de verdade demonstra seus sentimentos / Lágrimas podem estar curando / E eu posso ser sua salvadora hoje à noite / Então, vá em frente e chore amor, chore amor / Apenas chore”, ela canta no refrão. De certa forma, “Crybaby” critica a forma como a sociedade lida com as emoções masculinas. Neste álbum, Faith juntou-se a outros artistas, incluindo John Legend na balada “I’ll Be Gentle”. Uma canção soulful com vocais emotivos de ambas partes, onde eles harmonizam-se nota por nota sobre uma química admirável. Daqui pra frente, o resto do álbum varia entre um pop puro e algumas misturas fascinantes de diferentes gêneros.

“Kings and Queens”, por exemplo, é uma faixa de destaque com ritmo e bateria agitada que adéqua-se perfeitamente aos vocais de Paloma Faith. Ela soa muito melhor em faixas desse tipo do que quando está cantando em tons mais baixos. A dramática nona faixa, chamada “Warrior”, foi escrita por Sia Furler e fala sobre a crise dos refugiados. Sua temática é enorme e as seções mais profundas estão ligeiramente além da zona de conforto de Faith. Suas maiores tendências disco aparecem em excesso durante “Til I’m Done”, canção esta que parece nos levar diretamente para os anos 70. A música pop domina grande parte do registro, mas em outros momentos diferentes abordagens aparecem, como na encantadora “Lost and Lonely”. A cantora coloca o foco nas suas raízes e traz à tona sua imagem artística inicial. Enquanto “WW3” possui uma produção um pouco irritante, a última parte do álbum é preenchida por músicas relacionadas a lutas pessoais.

“Tonight’s Not the Only Night” fala sobre expectativa e ansiedade, “My Body” aborda a positividade do corpo e “Price of Fame” critica a desumanização da fama. “Love Me as I Am”, por sua vez, é uma balada que mostra mais de sua profundidade vocal. Apoiada por um alegre piano, Paloma Faith permite que sua voz transmita as emoções necessárias. “Eu quero você para me amar / Ooh Ooh me ame como eu sou”, ela canta a fim de encorajar os ouvintes a não se desculparem por quem são. Geralmente, Paloma Faith sempre consegue entregar um álbum pop sólido. Ela tentou inocentemente incorporar suas crenças políticas nas composições. Liricamente, os resultados foram satisfatórios e permitiram que o ouvinte conecte-se até certo ponto. Resumidamente, “The Architect” possui bangers pop em abundância, juntamente com algumas mensagens sociais. Entretanto, a maior estrela do show ainda continua sendo a gama vocal de Paloma Faith. Em suma, mesmo que possua falhas ocasionais, é um registro cativante, agradável, ambicioso e um retorno muito bem-vindo.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.