Resenha: Paloma Faith – A Perfect Contradiction

Lançamento: 10/03/2014
Gênero: Pop, Soul, Jazz
Gravadora: Sony Music
Produtores: Eric Appapoulay, Chris Braide, AC Burrell, G’harah Degeddingseze, Mr Hudson, Stuart Matthewman, Kieron Mcintosh, Dace Okumu, Plan B, Steve Robson, Raphael Saadiq, Taura Stinson, Kyle Townsend, Dylan Wiggins e Pharrell Williams.

Paloma Faith é uma cantora inglesa de pop vintage, que ao lado de Duffy e Adele, surgiu no cenário britânico logo depois do sucesso de Amy Winehouse. “A Perfect Contradiction” é o seu terceiro álbum de estúdio, lançado pela Sony Music em 10 de março de 2014. Musicalmente, é um álbum pop com elementos de jazz, soul, R&B e disco music. Até o momento, já gerou três singles (“Can’t Rely on You”, “Only Love Can Hurt Like This” e “Trouble with My Baby”) e estreou em #2 na parada de álbuns do Reino Unido. Até agosto de 2014, vendeu aproximadamente 342 mil cópias e já conseguiu certificado de platina. Paloma Faith está conseguindo ter um grande crescimento musical desde que lançou o seu primeiro álbum em 2009, o problema é que sempre houve outros artistas fazendo a mesma coisa que ela, porém, com melhores resultados. O “A Perfect Contradiction” não é o material mais original da britânica, mas com certeza é o mais animado.

Ela encanta com seu entusiasmo e capacidade vocal desenfreada, que combinados com produções de músicos como Pharrell Williams e Saadiq, nos entregou um material muito adoçado e o seu mais otimista até o momento. “Can’t Rely on You”, produzida pelo onipresente Pharrell Williams, abre muito bem o registro. É uma canção soul/funky, muito parecida com as produções de Pharrell e, igualmente as mesmas, é super pegajosa. A segunda faixa, “Mouth to Mouth”, é produção de Raphael Saadiq e um bom exemplo da influência de disco music presente no álbum. Uma excelente música e uma das mais animadas do álbum. É um número baseado na repetição e feito realmente para dançar, inclusive, lembra até Donna Summer. “Take Me” foi co-escrita por John Legend e funde o soul com as peculiaridades de Paloma Faith. Uma música eufórica, porém, com uma execução um pouco mecânica e maçante.

Faith segue o repertório com sua teatralidade, cantando de forma angelical e incrivelmente robusta. E graças a isso, ela nos presenteou com a perfeita “Only Love Can Hurt Like This”, uma encantadora balada que ao ouvir nos faz viajar pelos anos 1970. Foi co-escrita com a lenda Diane Warren e é a primeira balada mid-tempo do álbum, onde ela mostra vocais em uma atmosfera quase cinematográfica. “Other Woman”, produção de Plan B, é outra ótima faixa. Uma canção com praticamente todos elementos de uma boa música pop. A sua produção favoreceu muito o poderoso vocal de Faith, que conseguiu criar um refrão contagiante. Comparações com Amy Winehouse são inevitáveis em “Taste My Own Tears”, uma canção repleta de saxofone e muito interessante de se ouvir. “Trouble with My Baby”, por sua vez, é o tipo de canção que exige um vocal grandioso e a cantora consegue superar este desafio com facilidade.

Paloma Faith

Ela colocou toda sua personalidade e incrível voz em uma canção retrô carregada de trompetes e saxofones. Em seguida, ela se apresenta, mais uma vez, em um sentido teatral na faixa “The Bigger You Love (The Harder You Fall)”, um cover de The Sisters Love, grupo americano de R&B da década de 1970. Resultado? Uma espetacular balada, fiel à versão original e pronta para brilhar. “Impossible Heart” é outro exemplo da influência disco presente no álbum, com uma sonoridade empolgante e resultados impressionantes. Paloma Faith deixou quase para o final a canção mais depressiva do álbum: “Love Only Leaves You Lonely”. Mas, para finalizar, a cantora optou pelos vocais suaves e envolventes de “It’s the Not Knowing”. A musicalidade e a grande voz de Paloma Faith é evidente, ela pode muito bem se tornar uma grande estrela pop.

O seu terceiro álbum de estúdio é uma produção lisa, caracterizada por diversos compositores de grande nome na indústria, desde Pharrell Williams até Raphael Saadiq. Faith é uma cantora que possui um grande entusiasmo e uma capacidade vocal incrível, algo que foi fundamental para fazer esse álbum brilhar. Aqui, ela foi fortemente em eras passadas, como nos anos sessenta e setenta, acenando diretamente para a disco music. Liricamente, possui muitos clichês, o que faz soar muito familiar nesse ponto. E para uma artista que sempre se orgulhou em destacar-se, tanto musicalmente quanto visualmente, ela afastou-se um pouco da sua individualidade quando lançou o primeiro single “Can’t Rely on You”, uma canção com bastante apelo comercial. As primeira metade do álbum, com exceção de “Only Love Can Hurt Like This”, inclusive, soa um pouco genérico. Mas, mesmo com essas evidentes falhas, “A Perfect Contradiction” ainda é um registro muito sólido.

Ela surpreendeu ao manter sua personalidade na maioria das canções, embora tenha misturado tantos ritmos e usado diversas influências musicais. Não há nada aqui que não tenha sido feito antes, porém, notamos claramente, que Paloma Faith sente-se extremamente à vontade cantando esse tipo de som. Nenhum faixa está no álbum com o objetivo de enchimento, pois nenhuma delas consegue ser desagradável. Cada música é acessível, mantendo-se fiéis a cada peculiaridade da cantora, algo admirável. As canções de amor realmente tem uma contradição perfeita, assim como sugere o título do álbum, girando em torno de um amante sem nome. Foi uma surpresa agradável esse novo trabalho de Paloma Faith, ela caminha para ser uma das artistas mais intrigantes e versáteis do momento. A sua grande musicalidade é clara, ela é uma artista de muito potencial e, desde que surgiu na indústria, vem se superando cada vez mais.

75

Favorite Tracks: “Mouth to Mouth”, “Only Love Can Hurt Like This”, “Other Woman”, “The Bigger You Love (The Harder You Fall)” e “Impossible Heart”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.