Resenha: Otto – Ottomatopeia

Lançamento: 28/07/2017
Gênero: Rock, MPB, Manguebeat
Gravadora: Deck Disc
Produtor: Pupilo.

Em 28 de julho de 2017, Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira, ou simplesmente Otto, lançou um novo disco solo. Intitulado “Ottomatopeia”, este é o sexto álbum de estúdio do cantor pernambucano (o primeiro em cinco anos). Ex-percussionista da primeira formação da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, Otto iniciou sua carreira solo com o LP “Samba Pra Burro” (1998). Sem dúvida, o romantismo, melancolia e a sensibilidade são coisas que sempre fizeram parte do seu repertório. Portanto, todos esses sentimentos são envolvidos com um som nostálgico no seu novo disco. Em busca de novos ares e com ajuda de Pupilo, membro da Nação Zumbi, Otto resolveu fazer uma fusão de rock, brega e manguebeat. Inesperadamente, ele distanciou-se um pouco da atmosfera experimental e conceitual do seu último álbum, “The Moon 1111” (2012). Aprofundando-se em referências do cancioneiro popular, especialmente o brega pernambucano (como já mencionado), Otto nos apresentou um som mais intimista, amargo e consistente. Liricamente, o cantor explora especialmente as desilusões amorosas que suportou.

“Ottomatopeia” também possui a presença de outros artistas, incluindo Andreas Kisser, Céu, Roberta Miranda e Zé Renato. Certamente, é um disco mais maduro e conciso que seus antecessores, principalmente pelo romantismo estritamente direto. A estética brega do álbum mostra o cantor retornando às suas raízes, uma vez que a mistura de ritmos regionais com rock é uma de suas principais marcas. Aqui, Otto usou muitas guitarras, sintetizadores, baixo, percussões e letras dolorosas num repertório formado por onze faixas. O maravilhoso primeiro single, “Bala”, é provavelmente a faixa mais pop do álbum, conduzida principalmente pelo refrão pegajoso e boa percussão. O baixo, bateria e a crocante guitarra pairam em faixas poderosas como “Atrás de Você” e “Dúvida”,  enquanto a balada “Carinhosa”, construída em cima de solenes cordas e instrumentos de metais, é resultado da parceria com Zé Renato. Por fim, o disco termina de forma pesada em meio a riffs robustos na faixa “Orumilá”, com participação de Andreas Kisser. Mesmo não superando o incrível “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” (2009), “Ottomatopeia” é um álbum muito sólido, interessante e coeso.

Favorite Tracks: “Bala”, “Atrás de Você” e “Caminho do Sol”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.