Resenha: OneRepublic – Oh My My

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Pop Rock, Eletropop, New Wave
Gravadora: Mosley Music Group / Interscope Records
Produtores: Benny Blanco, Cassius, Brandon Collins, Katalyst Brent Kutzle, Steve Wilmot, MojaveGhst, Zach Skelton, Ryan Tedder e Noel Zancanella.

Já faz quase 10 anos que o OneRepublic apareceu na indústria musical. A banda surgiu em 2007 com o álbum “Dreaming Out Loud”, liderado pelo smash-hit “Apologize”, remixado por Timbaland. Desde então, a banda formada por Ryan Tedder, Zach Filkins, Drew Brown, Eddie Fisher e Brent Kutzle, já lançou quatro álbuns completos. O último deles, intitulado “Oh My My”, foi lançado em 07 de outubro de 2016. “Oh My My” não é um disco ruim, mas diferente de uma forma que gera certas dúvidas ao ouvinte. Com mais de 1 hora de duração e um total de 16 faixas, é um registro longo demais para o mercado pop. No geral, o seu som é mais recente e modernizado do que seu trabalho anterior. Infundido pela música eletrônica, pop e rock, o disco faz várias misturas de som e narrativa. É um álbum bem aventureiro, mas quando os destaques desaparecem, o ouvinte começa a ficar exausto pela quantidade de faixas. Com isto em mente, “Oh My My” parece tentar soar diferente, embora explore um conteúdo repetitivo. O álbum tem seus destaques, mas o fato de recorrer a instrumentos digitalizados não esconde a simplicidade e escrita preguiçosa de algumas canções. As duas primeiras faixas liberadas antes do álbum foram “Wherever I Go” e “Kids”. A primeira delas serviu como um aperitivo para o disco, mesmo que não represente o som coletivo do mesmo.

É uma canção diferente com uma vibração pop, otimista e dançante. É uma música funk-rock e synthpop, com aspectos de new wave e uma melodia bem sólida. “Kids” é uma das minhas favoritas do repertório, pois possui uma vibração muito positiva e despreocupada. Contém um ritmo pop descontraído e um refrão muito pegajoso. É uma música pop-rock e eletropop que consegue mostrar alguma progressão no uso de instrumentação e novas batidas. Segundo Ryan Tedder, “Kids foi inspirada pelo sintetizador arrebatador, de estilo dos anos 80, de bandas como M83”. “Oh My My” começa com “Let’s Hurt Tonight”, uma música que mistura o folk e rock. Inicialmente, é um pouco lenta e apresenta uma guitarra acústica. Ela segue com essa ascensão acústica, enquanto mantém sombrios momentos em cima de coros vocais. “Future Looks Good” destaca-se pelas teclas de piano otimista, bateria, guitarra acústica e percussão adicional. Além da ponte cativante, a sua natureza esperançosa é contagiante. A faixa-título, “Oh My My”, apresenta o duo francês Cassius e traz mais de um som para a mistura. Começando com um violoncelo e uma bateria cativante, a música fornece algo bem sintético no refrão. O som pop, funk e eletrônico é gerado pela combinação dos vocais de Ryan Tedder e a presença de Cassius.

“Dream”, por sua vez, surpreende pela linha de baixo funk, handclaps e som vintage. O mistério na voz de Tedder é tecida por uma guitarra elétrica que não ouvimos com frequência nos trabalhos da banda. O seu único ponto negativo é a interrupção desnecessária causada por uma guitarra acústica. “Choke” é uma das canções mais surpreendentes por conta das harmonias vocais e poderosos coros. Outra colaboração eletrônica o álbum acontece em “A.I.” com Peter Gabriel. Essa canção utiliza uma verdadeira textura dos anos 80, um som predominantemente eletrônico e uma bateria constante. Liricamente, não é uma música interessante, mas a batida é algo que realmente a impulsiona. “Better” possui uma letra melhor e vibração synthpop, enquanto “Born”, apesar do envolvente refrão, cai em um território bem genérico. As faixas seguintes, infelizmente, começam a derrubar o ritmo do álbum. “Fingertips” é uma balada cansativa e sem graça, enquanto “Human” cativa apenas pela batida intrigante do refrão. “Lift Me Up” traz de volta um pouco do típico som do OneRepublic, apesar de não ser algo tão refrescante nessa altura do repertório. “NbHD”, em colaboração com Santigold, é, provavelmente, uma das faixas mais fortes do álbum. Uma canção poderosa e vibrante com licks de guitarra e ótimos tambores.

Ao contrário da maioria das outras faixas, “NbHD” tem uma sensação mais instrumental e menos eletrônica. A contribuição de Santigold, apesar de ser curta, é delicada, suave e necessária. A balada “All These Things”, por outro lado, não contém nada de mais, apenas ótimos falsetes de Ryan Tedder e uma boa batida. A última faixa do álbum, “Heaven”, é bem adequada e eufórica. Com sua batida pegajosa e vibração cativante, consegue deixar uma boa impressão para o ouvinte. Para apreciar a maioria das faixas do “Oh My My” é necessário ouvir as músicas algumas repetidas vezes. A grande maioria do repertório é alimentado por um som pop e eletrônico saturado, portanto, você não encontrará algum senso de criatividade ou inocação musical por aqui. É um disco que soa como uma coleção de músicas que Ryan Tedder escreveria para outros artistas. Uma das principais falhas do registro, além da longa duração, é a falta de identidade. A intenção de experimentar coisas novas e expandir certos horizontes pode parecer admirável, entretanto, no geral não foi algo bem sucedido. É um álbum bom, mas sem grandes surpresas. Temos algumas faixas realmente agradáveis, mas nada fenomenal. Nada por aqui é suficiente para nos agradar grandiosamente como “Apologize” a quase uma década atrás.

Favorite Tracks: “Kids”, “Choke” e “NbHD (feat. Santigold)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.