Resenha: OneRepublic – Native

Lançamento: 22/03/2013
Gênero: Pop, Pop-Rock
Gravadora: Interscope Records
Vendas: 1.0 milhão (USA)
Produtores: Jeff Bhasker, Benny Blanco, Drew Brown, Emile Haynie, Tyler Sam Johnson, Bren Kutzle, Ryan Tedder, Noel Zancanella, Zdar and Boombass.

Em 2013, seis anos depois de estourar com o hit “Apologize” ao lado de Timbaland, a banda OneRepublic lançou o disco “Native”. Foi o terceiro álbum de estúdio da banda que, atualmente, é formada por Ryan Tedder, Zach Filkins, Drew Brown, Eddie Fisher e Brent Kutzle. Lançado em 22 de março de 2013, o disco vendeu até o momento 1,036,000 cópias nos EUA e rendeu o grande hit “Counting Stars”. A canção, lançada como terceiro single, alcançou a posição número #2 da Billboard Hot 100 e tornou-se sua mais bem sucedida música desde “Apologize”. Até 2013, a banda havia lançado dois álbuns de estúdio (“Dreaming Out Loud” e “Waking Up”) e o líder Ryan Tedder tinha escrito toneladas de canções para outros artistas, incluindo Beyoncé, Adele e Leona Lewis. Desde o início, eles permaneceram fiéis ao seu som, que engloba músicas pop e pop-rock suaves, que falam sobre a beleza da vida e os efeitos sufocantes dos desgostos amorosos. Como um todo, “Native” não é muito diferente dos dois primeiros álbuns da banda, enquanto as letras não são tão pungentes como foram no “Dreaming Out Loud”. O álbum possui notas de esperança e letras instigantes, assim como incorpora um som mais melancólico.

Este álbum está cheio de rádio-hits, graças aos seus diversos ganchos irresistíveis e melodias memoráveis. Ou seja, elementos necessários para manter-se no centro das atenções. Aqui, eles conseguiram fazer reviravoltas únicas no seu som, mas permanecendo-se fiéis ao seu estilo de marca registrada. Ryan Tedder e companhia conseguiram levar seu som para novas alturas com esse álbum. “Native” explora um tom de folk-rock ao lado de um pop tendencioso cheio de ganchos e melodias grudentas. Nada parece forçado aqui, eles apresentaram um som orgânico do qual já esperavámos ouvir de uma banda como o OneRepublic. Sonoramente, o disco é arejado e concentra-se, principalmente, em instrumentos como violoncelo e piano, além de apresentar vocais estratosféricos de Ryan Tedder. “Native” abre fortemente com “Counting Stars”, canção folk que dominou as rádios do mundo todo, por meses, durante 2013 e 2014. Lançada como terceiro single, essa faixa é inebriante, divertida e emocionante, bem como possui uma melodia agradável e um suave tom acústico. Ela pisa em vários território musicais, enquanto entrega letras muito cativantes e rimas que repetem-se por toda sua duração.

O seu fluxo é grande, com pausas dramáticas e transições suaves. “Counting Stars” começa despojada, através de guitarras acústicas, e rapidamente pega uma direção através da adição da bateria e teclado. Liricamente, é sobre iniciar um novo relacionamento intercalado com pensamentos a respeito do futuro que está por vir. “Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono / Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido / Mas amor, tenho, tenho rezado muito / Eu disse: “Chega de ficar contando dólares” / Nós vamos contar estrelas, sim, nós vamos contar estrelas”, Ryan Tedder canta durante o grudento refrão. Seu alcance vocal atinge difíceis notas altas e baixas sem grandes esforços. Seus distintos vocais, realmente ficaram bastante memoráveis aqui. Ele também, definitivamente, solidificou-se como um grande compositor e produtor na atual indústria. O segundo single do álbum, “If I Lose Myself”, tem um som mais suave em comparação com a maioria das músicas do OneRepublic. A falta de um som acústico claro, faz esta canção soar diferente de muitas outras do passado da banda. É uma faixa pop-rock e eletro-rock que, sem dúvida, é uma das melhores de todo o registro.

É uma canção mid-tempo simples, futurista, com uma mesma batida e um cativante riff. O sintetizador eletrônico jogado entre os versos é algo que também chama bastante atenção. Sua composição é baseada, principalmente, por uma tensão sonora e alguns falsetes polvilhados na mistura. E isto é muito bem ancorado pela entrega sincera e honesta de Ryan Tedder. Liricamente, é uma canção de amor com letras maduras o suficiente para destacar-se. O indie-pop “Feel Again”, carro-chefe do álbum, é uma música up-tempo com uma melodia edificante e um gancho cheio de esperança e otimismo. É uma faixa que mostra uma paleta de sons mais ampla e acentua a qualidade das composições da banda. Ela é emocional e contém melodias tão cativantes quanto as de seus maiores sucessos, como “Apologize” e “Good Life”. Com um som suave, handclaps em camadas, vozes sobrepostas, belos falsetes e um bom uso do bumbo, essa música realmente consegue oferecer algo atraente. Graças a sua batida e ritmo cativante, a mesma chegou a ser comparada, por alguns críticos, com “Dog Days Are Over” de Florence + the Machine.

OneRepublic (2)

“Feel Again” fala sobre olhar para si mesmo e abraçar a vida, bem como transformar uma “alma solitária” em alguém capaz de amar de novo. As letras são um pouco melodramáticas: “O coração ainda bate, mas sem funcionar / É como cem mil vozes que não sabem cantar / Eu tento amar mas não sinto nada / Oh, meu coração está adormecido”, Tedder canta antes de estourar no melódico refrão preenchido com felicidade: “Mas com você / Sinto novamente / E com você / Posso sentir novamente”. “What You Wanted”, quarta faixa, é toda sobre um intenso amor, do tipo louco que faria você desistir de tudo apenas para ter determinada pessoa ao seu lado. Há um grande nível de intensidade e melancolia traficando orgulhosamente entre seus versos. Isso é visto em linhas como: “Eu mataria por você, é sério” e “Vou colocar o seu veneno em minhas veias / Eles dizem que o melhor amor é insano”. Musicalmente falando, é uma organizada canção onde a voz de Ryan Tedder é muito bem executada. A combinação de guitarra elétrica, que soa como um violoncelo, com a percussão tribal, é agradável. Entretanto, para ser honesto, é uma música um pouco sonolenta em outros aspectos.

“I Lived”, sexto single do álbum, começa com notas estáticas e repetitivas de uma afiada guitarra acústica. Em seguida, a voz de Tedder aparece sob algumas graves batidas de tambor. O seu acúmulo é lento, porém, natural na definição do seu tom. É uma música diversificada e com uma grande energia durante o refrão, algo que a mantém muito estimulante. O significado por trás de sua letra é muito bonito e inspirador. A mensagem é sobre viver a vida ao máximo e experimentar tudo que o mundo tem a oferecer. Para dar chances ao amor e não ter arrependimentos. O refrão diz tudo: “Eu, eu, eu / Eu fiz tudo / Eu aproveitei cada segundo que este mundo podia dar / Eu vi tantos lugares, as coisas que eu fiz / Sim, com todos os ossos quebrados / Eu juro que vivi”. Ryan Tedder admitiu que a música foi escrita para seu filho, o que a torna ainda mais significativa. “Light It Up”, sexta faixa, é muito diferente de qualquer outra coisa encontrada no álbum. Ela é pesada na guitarra e bateria, possui um baixo de espessura e tem um pouco mais de funky do que se poderia esperar. Há vibrações rock dos anos 1970 ecoando por aqui, assim como mais de uma impressão de rock & roll em seus riffs de guitarra distorcida.

A voz de Tedder possui alterações e, no geral, a música é mais agressiva que o normal para a banda. Em nenhum momento ela chega em algum clímax, mas, consegue oferecer uma mudança de ritmo fundamental para o registro. Eu, particularmente, a achei estranha e com pouca substância. Mas, por outro lado, foi bom ouvir a banda tentando algo de diferente. Com uma abordagem completamente oposta da faixa anterior, “Can’t Stop” surge através de elementos sintéticos, handclaps e poderosas batidas. Essa combinação fornece um ambiente de arrefecimento, enquanto são adicionados efeitos aos vocais em falsete e um toque emocional. Ela começa com um saldo instigante de teclado, bateria e um tom de distorção. A voz de Tedder aparece e combina perfeitamente com o som rígido dos tambores. Instrumentalmente, é uma música muito simples, mas a voz de Tedder e as letras puxam suas emoções. OneRepublic sempre escreveu letras emocionais e, às vezes, até deprimentes. Nem todo mundo se conecta a eles, mas, para aqueles que fazem isso, se agradarão com facilidade de “Can’t Stop”.

A letra é sobre a falta de um relacionamento que terminou: “Eu não quero viver sem você / E colocar a vida para outro dia / Mas eu não posso parar, pensando sobre, pensando mais sobre nós”. O refrão é repetitivo e os versos são curtos, isso acaba mantendo as coisas sólidas. Os vocais são aventureiros em termos de alcance e acabam fornecendo uma individualidade bacana. A oitava faixa, apropriadamente denominada “Au Revoir”, é uma balada que faz uso várias cordas e uma banda instrumental tranquila ao fundo. Ao invés de riffs de guitarra ou contundentes tambores, aqui a banda optou por trabalhar com uma bela peça de piano em camada, alguns violinos e violoncelo. Como resultado, é uma música mais suave, honesta e com um ambiente mais triste. Em certos momentos, o piano nos remete a “Apologize”, entretanto, “Au Revoir” é mais pesada se colocada em comparação com tal. Uma mudança notável nesta canção é que Tedder saiu das notas mais altas para apresentar alguns tons graves e mais escuros. As letras são abstratas e parecem ser palavras de um homem que está à procura de respostas. Embora não seja uma das mais interessantes do registro, é uma música que pode colocar o ouvinte em profunda reflexão.

OneRepublic

“Burning Bridges”, por sua vez, é uma faixa eufórica sobre como é bom apaixonar-se e ser incendiado pelo amor. “Você e eu fomos feitos um para o outro / Não há nenhuma dúvida disso / Não há nenhuma forma de esconder esse tipo de coisa”, Ryan Tedder canta inicialmente. Mais tarde, ele canta no mágico refrão: “Quero que você tome uma decisão irrevogável / Eu disse, quero que você tome uma decisão irrevogável / Me deixa em chamas / Você me deixa, me deixa em chamas”. Apesar de conter uma produção um pouco genérica, não dá para negar que esta canção é uma das mais cativantes do “Native”. Seu ritmo, falsetes e melodia são extremamente agradáveis, enquanto as emocionais letras a resumem completamente. Musicalmente, ela segue o som geral do álbum, ao continuar a exploração de sons eletrônicos e tambores tribais. O sintetizador em camadas também dá uma ótima sensação ao fresco ambiente da música. Também lançada como single, “Something I Need” foi produzida exclusivamente por Ryan Tedder e Benny Blanco. Uma música pop com fortes influências gospel, que apresenta uma mensagem simples, porém, significativa.

Apesar da letra clichê, sobre um amor incondicional, é uma faixa bastante divertida e catchy. “Você tem algo que preciso / Neste mundo cheio de gente, existe uma me matando / E se nós morremos apenas uma vez / Eu quero morrer com você”, canta Tedde apoiado por um alegre coro. O jovial e espiritoso refrão é bem fácil de cantar junto, enquanto o coro é absolutamente infeccioso, visto que tem vocais de todos da banda e um forte apoio musical. Em seguida, através de uma introdução suave, surge a elegante e interessante “Preacher”. Essa é uma balada suave, doce e uma das poucas que não falam sobre amor aqui. Os violoncelos e as notas mais graves retornam, enquanto os tambores tribais não aparecem. Além disso, temos uma mistura de cordas sintetizadas, um piano e uma lenta batida fazendo o serviço. Liricamente, a canção é sobre a fé de Tedder, cantor que nunca negou sua identidade Cristã. Obviamente, a música possui fortes influências gospel e uma harmonia vocal que lhe dá uma sensação espiritual maravilhosa. “Preacher” é, basicamente, uma história sobre o caminho que Tedder precisou traçar para descobrir o que ele realmente acreditava.

Fala sobre crescer com seu avô, que era um pregador, e é uma verdadeira obra de reflexão. Aparentemente, o avô de Tedder desempenhou um papel importante na luta do seu sonho de se tornar músico. “Quando eu era criança, meu avô era um pregador / Ele falava sobre Deus, sim ele era algo como um professor”, onde quer que o avô de Ryan Tedder esteja, ele deve estar muito orgulhoso. Esta canção se concentra nas letras, mas o refrão também é memorável, nostálgico e, de quebra, oferece uma bela melodia. “Don’t Look Down”, última faixa, não acrescenta muito coisa ao álbum, mas, é arejada e faz uma combinação de sons elétricos com órgãos para tentar produzir uma peça atraente. Também é composta de harmonias de um coral e uma batida eletrônica que desintegra-se pouco a pouco. Possui apenas 1:39 de duração e, por isso, parece ser apenas uma faixa de enchimento, na melhor das hipóteses. Quase não possui canto ou letras, consequentemente, acaba servindo apenas como um esforço experimental para o disco.

No geral, “Native” apresentou, na época, algo muito fresco, inspirador e atraente para uma banda como o OneRepublic. Ele não oferece nada de artisticamente novo ou inovador, mas não deixa de ser um álbum bastante cativante. Os tambores crescentes, a combinção de instrumentos e as letras com certa carga de profundidade ocorrem canção após canção por aqui. Desde a gloriosa “Counting Stars” até a atmosfera delicada de “Preacher”, OneRepublic elaborou um trabalho sólido e coeso. Quando “Native” quer fazer você se sentir bem, ele surge com músicas contagiosas e edificantes. Da mesma forma, ele também pode te deixar emocionalmente frágil, com a melancolia que escorre, sem interromper o fluxo, de algumas faixas. Muitos críticos costumam salientar que como escritor Ryan Tedder é um pouco banal, pois escreve músicas para outros artistas que acabam soando muito semelhantes. No entanto, ele e sua banda definitivamente provaram que possuem algo a oferecer com este álbum. Porque, sem dúvida, uma das maiores forças de Tedder é exatamente as suas composições e, felizmente, essa também é a maior força do “Native”.

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São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.