Resenha: OneRepublic – Native

Lançamento: 22/03/2013
Gênero: Pop, Pop-Rock
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Jeff Bhasker, Benny Blanco, Drew Brown, Emile Haynie, Tyler Sam Johnson, Bren Kutzle, Ryan Tedder, Noel Zancanella, Zdar and Boombass.

Em 2013, seis anos depois de estourar com o hit “Apologize” ao lado de Timbaland, a banda OneRepublic lançou o disco “Native”. Foi o terceiro álbum de estúdio da banda que, atualmente, é formada por Ryan Tedder, Zach Filkins, Drew Brown, Eddie Fisher e Brent Kutzle. Lançado em 22 de março de 2013, o disco vendeu até o momento 1 milhão de cópias nos Estados Unidos e rendeu o grande hit “Counting Stars”. A canção, lançada como terceiro single, alcançou a posição número #2 da Billboard Hot 100 e tornou-se sua mais bem sucedida música desde “Apologize”. Até 2013, a banda havia lançado dois álbuns de estúdio, “Dreaming Out Loud” (2007) e “Waking Up” (2009), e o líder Ryan Tedder tinha escrito toneladas de canções para outros artistas, incluindo Beyoncé, Adele e Leona Lewis. Desde o início, eles permaneceram fiéis ao seu som, que engloba músicas pop e pop-rock que falam sobre a beleza da vida e os efeitos sufocantes dos desgostos amorosos. Como um todo, “Native” não é muito diferente dos dois primeiros álbuns da banda, enquanto as letras não são tão pungentes como foram no “Dreaming Out Loud”. O álbum possui notas de esperança e letras instigantes, assim como incorpora um som mais melancólico. Este álbum está cheio de rádio-hits, graças aos seus diversos ganchos irresistíveis e melodias memoráveis.

Aqui, eles conseguiram fazer reviravoltas únicas no seu som, mas permanecendo-se fiéis ao seu estilo de marca registrada. Ryan Tedder e companhia conseguiram levar seu som para novas alturas com esse álbum. “Native” explora um tom de folk-rock ao lado de um pop tendencioso cheio de ganchos e melodias grudentas. Nada parece forçado aqui, eles apresentaram um som orgânico do qual já esperávamos ouvir de uma banda como o OneRepublic. Sonoramente, o disco é arejado e concentra-se, principalmente, em instrumentos como violoncelo e piano, além de apresentar vocais estratosféricos de Ryan Tedder. “Native” abre fortemente com “Counting Stars”, canção folk que dominou as rádios do mundo todo durante 2013 e 2014. Lançada como terceiro single, essa faixa é inebriante, divertida e emocionante, bem como possui uma melodia agradável e um suave tom acústico. Ela pisa em vários território musicais, enquanto entrega letras muito cativantes e rimas que repetem-se por toda parte. O seu fluxo é grande, com pausas dramáticas e transições suaves. “Counting Stars” começa despojada, através de guitarras acústicas, e rapidamente pega uma direção através da adição da bateria e teclado. Liricamente, é sobre iniciar um novo relacionamento intercalado com pensamentos a respeito do futuro que está por vir.

“Ultimamente, tenho tenho perdido o sono / Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido / Mas amor, tenho, tenho rezado muito / Eu disse: “Chega de ficar contando dólares” / Nós vamos contar estrelas, sim, nós vamos contar estrelas”, Ryan Tedder canta durante o refrão. Seu alcance vocal atinge difíceis notas altas e baixas sem grandes esforços. O segundo single do álbum, “If I Lose Myself”, tem um som mais suave em comparação com a maioria das músicas do OneRepublic. A falta de um som acústico claro faz esta canção soar diferente de muitas outras do passado da banda. É uma faixa pop-rock e eletro-rock que, sem dúvida, é uma das melhores de todo o registro. É uma canção mid-tempo simples, futurista, com uma mesma batida e cativante riff. O sintetizador eletrônico jogado entre os versos é algo que também chama bastante atenção. Sua composição é baseada, principalmente, por uma tensão sonora e alguns falsetes polvilhados na mistura. E isto é muito bem ancorado pela entrega sincera e honesta de Ryan Tedder. Liricamente, é uma canção de amor com letras maduras o suficiente para destacar-se. O indie-pop “Feel Again”, carro-chefe do álbum, é uma música up-tempo com uma melodia edificante e um gancho cheio de esperança e otimismo. É uma faixa que mostra uma paleta de sons mais ampla e acentua a qualidade das composições da banda.

Ela é emocional e contém melodias tão cativantes quanto as de seus maiores sucessos, como “Apologize” e “Good Life”. Com um som suave, handclaps em camadas, vozes sobrepostas, belos falsetes e uso do bumbo, essa música realmente consegue oferecer algo atraente. Graças a sua batida e ritmo cativante, a mesma chegou a ser comparada, por alguns críticos, com “Dog Days Are Over” de Florence + the Machine. “Feel Again” fala sobre olhar para si mesmo e abraçar a vida, bem como transformar uma “alma solitária” em alguém capaz de amar de novo. As letras são um pouco melodramáticas: “O coração ainda bate, mas sem funcionar / É como cem mil vozes que não sabem cantar / Eu tento amar mas não sinto nada / Oh, meu coração está adormecido”, Tedder canta antes de estourar no melódico refrão preenchido com felicidade: “Mas com você / Sinto novamente / E com você / Posso sentir novamente”. A quarta faixa, “What You Wanted”, é sobre um intenso amor do qual você faria de tudo para ter determinada pessoa ao seu lado. Há um grande nível de intensidade e melancolia traficando orgulhosamente entre seus versos. Isso é visto em linhas como: “Eu mataria por você, é sério” e “Vou colocar o seu veneno em minhas veias / Eles dizem que o melhor amor é insano”. Musicalmente falando, é uma organizada canção onde a voz de Ryan Tedder é muito bem apresentada.

A combinação de guitarra elétrica, que soa como um violoncelo, com a percussão tribal, é muito agradável. Entretanto, para ser honesto, é uma música um pouco sonolenta em outros aspectos. “I Lived”, o sexto single do álbum, começa com notas estáticas e repetitivas de uma afiada guitarra acústica. Em seguida, a voz de Tedder aparece sob algumas graves batidas de tambor. O seu acúmulo é lento, porém, natural na definição do seu tom. É uma música diversificada e com uma grande energia durante o refrão, algo que a mantém muito estimulante. O significado por trás de sua letra é muito bonito e inspirador. A mensagem é sobre viver a vida ao máximo e experimentar tudo que o mundo tem a oferecer. Para dar chances ao amor e não ter arrependimentos. O refrão diz tudo: “Eu, eu, eu / Eu fiz tudo / Eu aproveitei cada segundo que este mundo podia dar / Eu vi tantos lugares, as coisas que eu fiz / Sim, com todos os ossos quebrados / Eu juro que vivi”. Ryan Tedder admitiu que a música foi escrita para o seu filho, o que a torna ainda mais significativa. “Light It Up” é muito diferente de qualquer outra coisa encontrada no álbum. Ela é pesada na guitarra e bateria, possui um baixo de espessura e tem um pouco mais de funk do que se poderia esperar.

Há vibrações rock dos anos 70 ecoando por aqui, assim como mais de uma impressão de rock & roll em seus riffs distorcidos de guitarra. A voz de Tedder possui alterações e, no geral, a música é mais agressiva que o normal para a banda. Em nenhum momento ela chega em algum clímax, mas consegue oferecer uma mudança de ritmo fundamental para o registro. Eu, particularmente, a achei estranha e com pouca substância. Mas, por outro lado, foi bom ouvir a banda tentando algo de diferente. Com uma abordagem completamente oposta da faixa anterior, “Can’t Stop” surge através de elementos sintéticos, handclaps e poderosas batidas. Essa combinação fornece um ambiente de arrefecimento, enquanto são adicionados efeitos aos vocais em falsete. Ela começa com um saldo instigante de teclado, bateria e um tom de distorção. A voz de Tedder aparece e combina perfeitamente com o som rígido dos tambores. Instrumentalmente, é uma música muito simples, mas a voz de Tedder e as letras puxam suas emoções. OneRepublic sempre escreveu letras emocionais e, às vezes, até deprimentes. Nem todo mundo se conecta a eles, mas, para aqueles que fazem isso, se agradarão com facilidade de “Can’t Stop”. A letra é sobre a falta de um relacionamento que terminou: “Eu não quero viver sem você / E colocar a vida para outro dia / Mas eu não posso parar, pensando sobre, pensando mais sobre nós”.

Os vocais são aventureiros em termos de alcance e acabam fornecendo uma individualidade bacana. A oitava faixa, apropriadamente denominada “Au Revoir”, é uma balada que faz uso de várias cordas e instrumental tranquilo ao fundo. Ao invés de riffs de guitarra ou contundentes tambores, aqui a banda optou por trabalhar com uma bela peça de piano em camada, alguns violinos e violoncelo. Como resultado, é uma música mais suave, honesta e com um ambiente mais triste. Em certos momentos, o piano nos remete a “Apologize”, entretanto, “Au Revoir” é mais pesada se colocada em comparação com tal. Uma mudança notável nesta canção é que Tedder saiu das notas mais altas para apresentar alguns tons graves e mais escuros. As letras são abstratas e parecem ser palavras de um homem que está à procura de respostas. Embora não seja uma das mais interessantes do registro, é uma música que pode colocar o ouvinte em profunda reflexão. “Burning Bridges”, por sua vez, é uma faixa eufórica sobre como é bom apaixonar-se e ser incendiado pelo amor. “Você e eu fomos feitos um para o outro / Não há nenhuma dúvida disso / Não há nenhuma forma de esconder esse tipo de coisa”, Ryan Tedder canta inicialmente.

Mais tarde, ele canta no mágico refrão: “Quero que você tome uma decisão irrevogável / Eu disse, quero que você tome uma decisão irrevogável / Me deixa em chamas / Você me deixa, me deixa em chamas”Apesar de conter uma produção um pouco genérica, não dá para negar que esta canção é uma das mais cativantes do “Native”. Seu ritmo, falsetes e melodia são extremamente agradáveis, enquanto as emocionais letras a resumem completamente. Musicalmente, ela segue o som geral do álbum, ao continuar a exploração de sons eletrônicos e tambores tribais. O sintetizador em camadas também dá uma ótima sensação ao fresco ambiente da música. Também lançada como single, “Something I Need” foi produzida exclusivamente por Ryan Tedder e Benny Blanco. Uma música pop com fortes influências gospel, que apresenta uma mensagem simples, porém, significativa. Apesar da letra clichê, sobre um amor incondicional, é uma faixa bastante divertida e catchy. “Você tem algo que preciso / Neste mundo cheio de gente, existe uma me matando / E se nós morremos apenas uma vez / Eu quero morrer com você”, canta Tedder apoiado por um alegre coro. Em seguida, através de uma introdução suave, surge a elegante e interessante “Preacher”. Essa é uma balada suave, doce e uma das poucas que não falam sobre amor.

Os violoncelos e as notas mais graves retornam, enquanto os tambores tribais não aparecem. Além disso, temos uma mistura de cordas sintetizadas, um piano e uma lenta batida fazendo o serviço. Liricamente, a canção é sobre a fé de Tedder, cantor que nunca negou sua identidade Cristã. Obviamente, a música possui fortes influências gospel e uma harmonia vocal que lhe dá uma sensação espiritual maravilhosa. “Preacher” é, basicamente, uma história sobre o caminho que Tedder precisou traçar para descobrir o que ele realmente acreditava. Fala sobre crescer com seu avô, que era um pregador, e é uma verdadeira obra de reflexão. Aparentemente, o avô de Tedder desempenhou um papel importante na luta do seu sonho de se tornar músico. “Quando eu era criança, meu avô era um pregador / Ele falava sobre Deus, sim ele era algo como um professor”, onde quer que o avô de Ryan Tedder esteja, ele deve estar muito orgulhoso. Esta canção se concentra nas letras, mas o refrão também é memorável, nostálgico e, de quebra, oferece uma bela melodia. A última faixa, “Don’t Look Down”, não acrescenta muito coisa ao álbum, mas é arejada e faz uma combinação de sons elétricos com órgãos. Também é composta de harmonias de um coral e uma batida eletrônica que desintegra-se pouco a pouco.

Possui pouco mais de 1 minuto de duração e, por isso, parece ser apenas uma faixa de enchimento, na melhor das hipóteses. Quase não possui canto ou letras, consequentemente, acaba servindo apenas como um esforço experimental. No geral, “Native” apresentou, na época, algo muito fresco, inspirador e atraente para uma banda como o OneRepublic. Ele não oferece nada de artisticamente inovador, mas não deixa de ser um álbum bastante cativante. Os tambores crescentes, a combinação de instrumentos e letras com certa carga de profundidade aparecem faixa após faixa. Desde a gloriosa “Counting Stars” até a atmosfera delicada de “Preacher”, OneRepublic elaborou um trabalho sólido e coeso. Quando “Native” quer fazer você se sentir bem, ele surge com músicas contagiosas e edificantes. Da mesma forma, ele também pode te deixar emocionalmente frágil com a melancolia que surge em algumas faixas. Muitos críticos costumam salientar que como escritor Ryan Tedder é um pouco banal, pois escreve músicas para outros artistas que acabam soando muito semelhantes. No entanto, ele e sua banda provaram que possuem algo a oferecer com este álbum. Porque uma das maiores forças de Tedder é exatamente as suas composições, consequentemente, essa também é a maior força do “Native”.

Favorite Tracks: “Counting Stars”, “If I Lose Myself” e “Feel Again”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.