Review: One Direction – Made In the A.M. (2015)

Suas composições mostram crescimento, seus vocais permanecem adoráveis e a equipe de produção continua ocasionalmente de qualidade, mas há algumas músicas insípidas no seu interior.

Após a saída repentina de Zayn Malik, o One Direction se preparou para lançar mais um álbum antes de um possível hiato. O restante dos integrantes se reergueram após a turbulenta saída do Zayn e conseguiram lançar um dos melhores álbuns do grupo. One Direction pode ser considerado o ato mais bem sucedido do X Factor. Eles terminaram em terceiro lugar na sétima temporada da competição e passaram a lançar um novo álbum a cada ano. Com “Made In the A.M.”, o One Direction finalmente encontrou seu próprio caminho. Uma mudança de estilo gradual que começou com “Midnight Memories” (2013), passou pelo “FOUR” (2014) e foi concretizada aqui. Seu pop bubblegum cresceu e tornou-se um pop rock elegante e amadurecido. Eles encarnaram influências do Fleetwood Mac e o rock dos anos 70 e 80, e adicionaram seu próprio pop sintético na mistura. “Made in the A.M.” é confiante, eclético e fala ligeiramente sobre temas como amor, perdas e futuro. O álbum começa com a celestial “Hey Angel”, canção que apresenta uma introdução instrumental de 30 segundos e é aparentemente influenciada pelas bandas U2, The Verve e Oasis. Uma balada sentimental, envolvente e hipnótica com grandes batidas e cativantes guitarras. Sua melodia praticamente transporta o ouvinte de volta para os anos 90. O primeiro single, “Drag Me Down”, é um pop rock que apresenta um som mais maduro e prova que eles estão bem como quarteto. Ela começa com Harry Styles, que em vez de um riff de guitarra é auxiliado por seções de sintetizador e linhas de baixo. Uma guitarra dedilhada só aparece estrategicamente quando há vocais do Louis Tomlinson.

Em seguida, temos o pré-refrão que, com suas boas harmonias, é certamente a melhor parte da música. Ele é movido por palmas consistentes que impulsionam os vocais do Liam Payne e Niall Horan em direção ao clímax. O refrão também é cativante, especialmente quando Styles canta “nobody can drag me down”, e Tomlinson entra fortemente com “nobody, nobody”, juntamente com dedilhados descolados de uma guitarra elétrica. A energia de “Drag Me Down” é realmente crescente e palpável, quando você menos perceber estará balançando a cabeça e batendo os pés conforme seu ritmo. Basicamente, cantarola junto com o vai e vem da guitarra e o baixo, sendo liricamente e melodicamente repetitiva e simplista. Uma fórmula que eles usam há um tempo e vem dando certo. Com relação aos vocais, você percebe que Harry andou tomando as notas altas do Zayn e particularmente excedeu expectativas. Ele realmente mostra sua gama cantando suavemente tanto as notas baixas como as mais altas – acrescentando um tom petulante no último refrão. A boa notícia é que o quarteto soube aproveitar a ausência de um membro, reservando momentos para cada um brilhar individualmente. A única desvantagem é que tanto o primeiro como o segundo verso contém as mesmas letras. Pelo menos são cantados por diferentes membros, o que dá algum brilho ou distinção. O segundo single, “Perfect”, oferece algo totalmente moldado ao estilo do One Direction – canção onde Harry Styles faz a maior parte do trabalho vocal. É liricamente clichê, mas igualmente apaixonada, honesta e emocional.

Curiosamente, Tomlinson abre a canção, algo que muitas vezes não acontece em uma música do One Direction. As letras ajudam a criar um personagem insolente, na mesma medida que atraem atenção por ser baseada no romance entre Harry Styles e Taylor Swift. Algo notado por conta de frases que acenam claramente para letras retiradas de “Style”. “E se está procurando por alguém / Sobre quem você vai escrever suas canções de término / Amor, eu sou perfeito”, ele canta. Essa parte parece ser claramente direcionada para Taylor Swift, muito conhecida por escrever canções sobre seus relacionamentos com outras celebridades. De qualquer maneira, os membros não confirmaram e também não negaram se a letra trata-se do relacionamento entre eles. Musicalmente, “Perfect” começa possui toques oitentistas compactados ao lado de sintetizadores e atraentes guitarras. É uma música energética com uma mistura interessante de ritmo e melodia. “Infinity”, por sua vez, é a primeira balada do álbum e define um ritmo mais gelado para o repertório. Ela possui tons semelhantes ao de “Where Do Broken Hearts Go”, bem como parece uma reminiscência de alguma música do Coldplay. Há um leque bastante amplo de estilos sobre este álbum, e “Infinity” é um bom exemplo disso. Ela é construída como uma balada pop com apoio de sintetizadores, harmonizações vocais e rupturas em seu instrumental. É uma música edificante e sincera que reflete sobre as dificuldades amorosas do quarteto. “Quantas noites leva para contar as estrelas? / Esse é o tempo que levaria para consertar meu coração”, eles cantam no refrão.

A batida soa como um piscar de olhos e acrescenta um pouco mais de profundidade às letras. Os vocais são nítidos e belos, assim como o refrão é otimista e elegante. Estranhamente, “Infinity” não apresenta uma ponte, em vez disso, opta agradavelmente por uma explosão de sintetizadores e quebra instrumental. Em “End of the Day”, o grupo traz de volta o som folk rock que eles experimentaram nos álbuns anteriores. Esta canção compartilha uma poderosa mensagem de amar alguém não importando o quê. Uma história sentimental que detalha uma proposta amorosa e o desenvolvimento de um novo amor. “Se há algo que eu aprendi a partir de um milhão de erros / Você é a única que eu quero no final do dia”, eles cantam no refrão. As transições entre os versos e o refrão são excelentes – ela vai rapidamente de uma melodia suave para um som mais rígido e ousado. Ela destaca-se graças a produção borbulhante durante os versos e a abordagem mais orgânica do refrão. É extremamente otimista, doce e ainda possui uma pitada de indie rock na mistura. As palmas de fundo, o ritmo mais rápido, o piano, a percussão e a guitarra, colocada perto do final, também são eficazes. A balada de piano “If I Could Fly” apresenta um lado mais vulnerável do One Direction. Um música simplista totalmente guiada pelo piano que posteriormente adiciona violinos e permite que as letras se destaquem. É bastante romântica, emocional e expressa liricamente a dor das relações amorosas. Co-escrita por Styles, é possivelmente a música mais sincera do álbum. “Se eu pudesse voar, eu estaria vindo direto para casa por você / Eu acho que eu poderia desistir de tudo, é só me pedir”, ele canta no verso de abertura.

Vocalmente, Styles e Tomlinson são os integrantes que mais se destacam. É bom ouvir uma canção que se concentra nos vocais – tudo é muito lindo e emocional, desde as letras até as harmonias. Em seguida, há uma sensação melancólica que paira sobre “Long Way Down”. Um número folk pop que lida com as consequências de um relacionamento fracassado. Não é um destaque, mas é uma balada comovente e relaxante. Payne e Tomlinson possuem créditos na composição e mostram sua capacidade de escrita. A força de “Long Way Down” realmente está nas letras: “Nós criamos um fogo, ele se tornou cinzas / Nós cruzamos o oceano e afogamos nas ondas / Construímos uma catedral, mas nós nunca rezamos”. Enquanto os versos são guiados pelo contundente tambor e riffs de guitarra acústica, o refrão é um momento verdadeiramente eficaz e sombrio. Rapidamente, você já fica surpreso com a estranha introdução de “Never Enough”. Uma inusitada combinação de doo-wop, rock, sons eletrônicos e elementos tropicais. É intrigante, selvagem e leva algum tempo para você começar a gostar. Co-escrita por Horan, ela não deixa de ser divertida e dançante, mas carece de profundidade lírica. Ela apresenta guitarra, baixo, tambor, trombeta e uma mistura ousada de grunhidos, rugidos, agudos e notas altas. Os ruídos ao fundo não soariam fora do lugar se estivessem na trilha sonora de “O Rei Leão”. “Olivia” é uma canção encantadora influenciada pelos Beatles – possui uma vibe inspirada nos anos 60, diferentes instrumentos e produção mais dinâmica. Ela possui um ritmo acelerado, riffs adequados, instrumentos de cordas e vocais mais profundos.

Uma canção nostálgica e teatral que funcionou perfeitamente. Há muita coisa que podemos apreciar, como a progressão mais rápida, sensação old-school e principalmente a orquestração reminiscente dos Beatles. “What a Feeling” é praticamente uma homenagem para a banda Fleetwood Mac – uma adorável mistura dos anos 70 e 80. Seu som é old-school, relaxante e incrivelmente nostálgico. Os versos seduzem com facilidade e o refrão faz você viajar 30 anos no passado. Suas vibrações e harmonias são incríveis e mostram com precisão o desenvolvimento e a versatilidade do One Direction. As letras sonhadoras detalham a devoção do grupo por uma certa pessoa. “Que sensação de estar bem aqui ao seu lado agora / Segurando você em meus braços”, eles cantam no belo refrão. Embora algumas linhas lembrem “Apologize” do OneRepublic, “Love You Goodbye” é inegavelmente outra peça agradável e elegante. Uma balada pós-separação que conta com melodias delirantes e vocais apaziguadores. Graças ao conjunto vocal, eles conseguiram criar grandes harmonias- uma genuína emoção também marca presença quando Louis Tomlinson atinge notas altas na ponte. Instrumentalmente, o grupo é apoiado por guitarras e teclas de piano, que ajudam a dar maior ênfase para as letras e vocais. “I Want to Write You a Song” é outra balada de inspiração folk, mas completamente acústica e apoiada apenas pela guitarra. É liricamente doce e romântica, mas inevitavelmente um pouco brega. Dessa vez, o objetivo é expressar o seu amor através da escrita: “Eu quero escrever uma canção para você / Uma para fazer seu coração se lembrar de mim”.

Apesar do som acústico e das harmonias vocais serem agradáveis, é uma música monótoma e entediante. “History” é uma ode à evolução artística do One Direction e uma singela homenagem aos fãs. Uma música pop rock perfeita para aquilo que se propõe. Um encerramento adequado para o álbum e para o fim de um era. Apesar dos últimos contratempos que inclui a saída do Zayn, eles ainda parecem bastante unidos. “Todos os rumores, todas as lutas / Mas nós sempre encontramos uma maneira de manter isso vivo”, eles se perguntam. Consequentemente, “History” serve como uma promessa para os fãs e para si mesmos, de que grandes coisas acontecerão no futuro. “Você e eu temos muita história / Nós poderíamos ser o melhor time que o mundo já viu, eles cantam relembrando de tudo que passaram nos últimos cinco anos. A produção de inspiração folk é agridoce e apoiada por fortes palmas e guitarras acústicas. One Direction tem sido uma força motriz desde que surgiu. O grupo tem sido capaz de superar quaisquer obstáculos colocados no seu caminho. Seu quinto álbum de estúdio mostra uma clara melhora e versatilidade como equipe. É um álbum agradável, bem executado e de certa forma coeso. A saída do Zayn pode ter criado uma mudança interna, mas o quarteto soube canalizar perfeitamente suas influências de décadas passadas. É um álbum cativante e completamente influenciado pela música que eles amam. Consequentemente, mostra uma abordagem mais madura se comparado com seus primeiros discos. Eles ainda escrevem sobre amor e amizade, mas perderam um pouco da essência adolescente. Independente do seu hiato, “Made In the A.M.” provou que eles são capazes de fazer um pop consistente.

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    SCORE - 65%
65%

Favorite Tracks:

“Drag Me Down” / “Infinity” / “What a Feeling”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.