Resenha: One Direction – Made In the A.M.

Lançamento: 13/11/2015
Gênero: Pop, Pop-Rock
Gravadora: Columbia Records / Syco Music
Produtores: Julian Bunetta, Jesse Shatkin, John Ryan, Afterhrs, Johan Carlsson, Jamie Scott, Liam Payne, Louis Tomlinson.

Após a saída repentina de Zayn Malik do grupo, os garotos do One Direction se prepararam para lançar mais um álbum antes de um possível hiato em 2016. Intitulado “Made in the A.M.”, o disco é, portanto, o primeiro álbum do grupo sem Zayn. O restante dos integrantes, Liam Payne, Harry Styles, Louis Tomlinson e Niall Horan, se reergueram após a turbulenta saída dele e conseguiram lançar um dos álbuns mais fortes do grupo até a presente data. One Direction pode ser considerado o ato mais bem sucedido do The X Factor. Eles terminaram em terceiro lugar na sétima temporada da competição e passaram a lançar um novo álbum a cada ano. E, um possível hiato, não aconteceu antes do lançamento do disco “Made in the A.M.”, quinto álbum de estúdio do grupo. Com este projeto, vemos One Direction finalmente encontrando seu próprio caminho. Uma mudança de estilo gradual, que começou com o “Midnight Memories”, continuou no “FOUR” e foi concretizado com este álbum. Seu pop-chiclete cresceu e tornou-se um pop-rock elegante e amadurecido.

Aqui, eles encarnaram suas influências musicais, como Fleetwood Mac e o rock dos anos 70 e 80, e adicionaram seu próprio pop sintético na mistura. “Made in the A.M.” é forte, confiante, eclético e fala ligeiramente sobre temas como amor, perdas e futuro. O álbum começa fortemente com a celestial “Hey Angel”, uma canção que apresenta uma introdução instrumental de 30 segundos e é, aparentemente, influenciada pelas bandas U2, The Verve e Oasis. Uma faixa nebulosa, envolvente, hipnótica, com uma grande batida e cativantes guitarras. Ela leva o quarteto para novas alturas, graças aos sonhadores “oooooh” jogados na mistura. A sua melodia praticamente transporta o ouvinte de volta para os anos 1990, da melhor maneira possível. Ela imediatamente introduz as influências rock que todo o álbum retrata, enquanto apresenta letras mais maduras do que estamos acostumados a ouvir deles. “Hey Angel” é uma balada pop sentimental, divertida, cativante, diferente e, definitivamente, uma ótima escolha para começar o álbum. “Drag Me Down”, primeiro single do álbum, é uma faixa de pop-rock mid-tempo, que apresenta um som mais maduro e prova que eles estão bem como um quarteto.

É uma música que oscila e entrega um tema antigo para grupos pop: a valorização. Não é uma tema ruim, visto que as letras friamente incentivam e entusiasmam. Ela começa com Harry Styles, que em vez de um riff de guitarra é auxiliado por uma seção de sintetizador e uma linha de baixo. Uma guitarra dedilhada só aparece estrategicamente quando Louis Tomlinson junta-se nos vocais. Em seguida, temos o pré-refrão que, com suas boas harmonias é, sem dúvida, uma das melhores partes da música. Ele é movido por palmas consistentes que impulsionam os vocais de Liam Payne e Niall Horan em direção a um ótimo clímax. O refrão é muito cativante, conforme Harry canta, “Nobody can drag me down”, e Louis entra fortemente com “Nobody, nobody”, juntamente de dedilhados descolados de uma guitarra elétrica. A energia da música é realmente crescente e palpável, quando você menos perceber estará balançando a cabeça e batendo os pés conforme seu ritmo. Basicamente, “Drag Me Down” cantarola junto com o vai e vem da guitarra e o baixo, sendo liricamente e melodicamente bem repetitiva e simples. É uma fórmula que eles usam há um bom tempo e vem dando certo.

É uma música infecciosa, musicalmente simples, com letras fáceis e um refrão explosivo. “Eu tenho um rio na alma e amor, você é um barco”, Harry declara no primeiro verso, enquanto Liam é firme no refrão com as linhas: “Todas essas luzes não podem me cegar / Com seu amor, ninguém me deixa para baixo”. Com relação aos vocais, você percebe que Harry andou tomando as notas altas de Zayn e particularmente excedeu expectativas. Ele realmente mostra sua gama, cantando suavemente tanto as notas mais baixas como as altas, e ainda acrescenta um tom petulante no último refrão. A boa notícia para os fãs do grupo é que o quarteto soube aproveitar a ausência de um membro, reservando momentos para cada um brilhar individualmente. A única desvantagem da música é que tanto o primeiro como o segundo verso contém as mesmas letras. Pelo menos ambos são cantados por diferentes membros, o que dá algum brilho ou distinção. O segundo single, “Perfect”, foi escrita por Harry e Louis ao lado de Julian Bunetta, e oferece algo totalmente moldado ao estilo que o One Direction começou a seguir em seu último álbum.

É uma canção pop-rock up-tempo, onde Harry Styles faz a maior parte do trabalho vocal. Uma faixa liricamente clichê, porém, igualmente apaixonada, honesta e emocional. Ao todo, é um número muito agradável que apresenta uma instrumentação muito bem executada. Curiosamente, Louis abre a canção, algo que muitas vezes não se ouve em uma música do One Direction. Enquanto a faixa pode não ter cativantes momentos, como os fornecidos por “Drag Me Down”, ela compartilha um som muito mais maduro do que seus singles anteriores. A letra ajuda a criar um personagem insolente, na mesma medida que atraiu atenção por parecer ser baseada no romance entre Harry Styles e Taylor Swift. Isto foi percebido rapidamente por conta de frases que acenam claramente para algumas letras retiradas da canção “Style” de Swift. “Se você está procurando alguém / Para escrever canções sobre o fim de seus namoros / Querida, sou perfeito / Querida, somos perfeitos”, Harry canta em um dos versos. Essa parte, em especial, parece ser claramente uma indireta para a cantora, afinal, Taylor Swift é muito conhecida por escrever canções sobre seus relacionamentos com outras celebridades.

One Direction

De qualquer maneira, os membros do grupo não confirmaram e também não negaram se a letra trata-se do relacionamento entre Harry e Taylor. Musicalmente, “Perfect” começa com um mix de sons ressonantes, com fortes efeitos eletrônicos polvilhados através de um ótimo fluxo. Ela possui toques oitentistas, algo já permeado nos álbuns “Midnight Memories” e “FOUR”, compactados ao lado de sintetizadores e atraentes guitarras. É uma música energética e bonita, com uma mistura interessante de ritmo e melodia que consegue deixar o ouvinte relaxado. “Infinity”, por sua vez, é a primeira balada do álbum e define um tom mais frio para o restante do repertório. Ela possui um tom muito semelhante ao da faixa “Where Do Broken Hearts Go” do disco anterior, bem como parece uma reminiscência de alguma música do Coldplay. Há um leque bastante amplo de estilos musicais sobre este registro, e “Infinity” é um bom exemplo disso. Ela é construída como uma balada pop, com apoio de sintetizadores, harmonizações vocais e rupturas em seu instrumental.

É uma música edificante, cativante e sincera que apresenta boas letras. Ela capta muitas emoções que refletem sobre dificuldades amorosas que os rapazes enfrentam. “Quantas noites levam para contar as estrelas? / É o tempo que demorará para consertar o meu coração”, eles cantam no refrão. A batida soa como um piscar de olhos, algo que acrescenta um pouco mais de profundidade à letra. Os vocais são nítidos e belos, assim como o refrão é bem otimista e elegante. Estranhamente, “Infinity” não apresenta uma ponte, em vez disso, agradavelmente, opta por uma boa explosão de sintetizadores e uma quebra instrumental. Em “End of the Day” o grupo traz de volta o som folk-rock que eles experimentaram nos álbuns anteriores. Esta canção compartilha uma poderosa mensagem de amar alguém não importando o quê. É, liricamente, uma história sentimental que detalha uma nova proposta amorosa e o desenvolvimento de um novo amor. “Se há algo que eu aprendi / Depois de um milhão de erros / Você é a única que eu quero no final do dia”, eles cantam no ótimo refrão.

“End of the Day” abre com Harry Styles cantando um dos melhores versos da música: “Eu disse a ela que eu a amava / Só não tenho certeza se ela ouviu / Estava ventando bastante no telhado / E ela não disse uma palavra / A festa acabou lá em baixo / Não tinha mais nada a fazer / Só eu, ela e a lua“. As transições entre os versos e o refrão são excelentes. Ela vai, rapidamente, de uma melodia suave para um som mais rígido e ousado. A faixa destaca-se graças a produção borbulhante durante os versos e a abordagem mais orgânica do refrão. É extremamente otimista, doce, grudenta e ainda possui uma pitada de indie-rock jogado na mistura. As palmas ao fundo, o ritmo rápido, o piano, a percussão e a guitarra, colocada perto do final, também são muito eficazes. O refrão tem uma sensação alegre, bem como a melodia e letras ficam com facilidade na cabeça. Depois de alguns números up-tempo, finalmente o grupo oferece uma tradicional balada de piano. Chamada “If I Could Fly”, esta canção apresenta um lado mais vulnerável do quarteto do One Direction.

É uma balada simplista totalmente guiada pelo piano que, posteriormente, conforme progride, adiciona violinos e permite que a letra e melodia destaquem-se. É bastante romântica, emocional e expressa liricamente a dor sobre relações amorosas. Co-escrita por Styles, é, possivelmente, a música mais sincera do registro. Basicamente, é sobre a falta de alguém que não está por perto. “Se eu pudesse voar / Eu voltaria para casa pra te encontrar / Eu acho que seria capaz de desistir de tudo / Se você me pedir”, Harry canta no verso de abertura. Vocalmente, ele e Louis Tomlinson são os integrantes que mais se destacam aqui. É bom ver uma canção que concentra-se bastante nos vocais, um som incomum para eles. Aqui, tudo é muito bonito, simples e emocional, desde as letras até as harmonias. Em seguida, há uma sensação de melancolia que paira sobre a faixa “Long Way Down”. Um número folk e pop que mostra o grupo lindando com as consequências de um relacionamento fracassado. Não é um dos destaques do álbum, mas é uma balada comovente, agradável e relaxante.

Liam e Louis possuem créditos na composição e mostram sua capacidade de escrita. E realmente a força de “Long Way Down” está em sua letra, algo percebido em linhas como: “Construímos uma Igreja / Mas nunca rezamos” e “Tínhamos uma montanha / Mas nós guardamos-a por garantia / Tínhamos uma nave espacial / Mas nós não sabíamos como aterrá-la”. Enquanto os versos são guiados pelo contundente tambor e os belos riffs de guitarra acústica, o refrão é uma peça verdadeiramente eficaz e sombria. A melodia, por sua vez, é bem calmante e bonita, sendo através dela que o quarteto consegue transmitir as emoções necessárias. Depois de duas canções mais lentas, os rapazes pegam um ritmo mais rápido para apresentar a faixa “Never Enough”. Logo de início, você já fica surpreso com a estranha introdução desta música. É uma inusitada combinação de doo-wop, rock, sons eletrônicos e inspirações tropicais. É diferente, intrigante, selvagem e leva algum tempo para o ouvinte realmente começar a gostar. Co-escrita por Niall Horan, a faixa não deixa de ser divertida e dançante, mas carece de uma profundidade lírica.

One Direction

Ela apresenta guitarra, baixo, tambores, trombetas, uma mistura ousada de grunhidos, rugidos, agudos e algumas notas altas de Liam Payne. “Never Enough” é uma canção diferente para o grupo, mas acabou trazendo um lado divertido para o álbum. Os ruídos ao fundo, inclusive, não soariam fora do lugar se estivessem na trilha sonora do filme do Rei Leão. “Olivia”, nona faixa, é uma canção encantadora que possui algumas influências dos Beatles na composição geral. Possui uma vibe inspirada nos anos 1960, com diferentes instrumentos e uma produção mais dinâmica. Seu ritmo é acelerado, possui riffs bem adequados, instrumentos de cordas e vocais graves e profundos. É uma canção divertida, otimista, nostálgica e teatral, que funcionou muito bem. Há muita coisa nela que podemos apreciar, como a progressão mais rápida, a sensação old-school e, principalmente, a orquestração geral reminiscente dos Beatles. A próxima faixa, “What a Feeling”, é praticamente uma homenagem do One Direction para a banda Fleetwood Mac. Eles misturaram uma típica sonoridade dos anos 70 e 80, a fim de entregar uma das melhores músicas do álbum.

A faixa explora um território artístico diferente para o grupo, mas com eles se saíndo muito bem. “What a Feeling” vai te deixar feliz e fazer você querer dançar onde quer que esteja. Este som old-school é relaxante, nostálgico e ainda possui performances vocais suaves e confiantes. Os versos seduzem com facilidade e o refrão faz você viajar 30 anos no passado. Suas vibrações, nuances e harmonias são incríveis e a música, no geral, mostra com precisão o desenvolvimento e versatilidade artística do One Direction. As letras sonhadoras detalham a devoção do grupo com uma certa pessoa. “Qual a sensação de estar bem aqui ao seu lado agora / Segurando você em meus braços / Quando o ar acabou, nós dois começamos a correr loucamente / O céu caiu / Mas você tem estrelas, elas estão em seus olhos (…)”, eles cantam lindamente no refrão. Embora algumas de suas linhas lembrem “Apologize” do OneRepublic, “Love You Goodbye” é, inegavelmente, outra agradável, polida e elegante canção. É uma balada pós-separação muito pegajosa, que conta com uma melodia delirante e vocais ainda melhores.

Graças ao ótimo conjunto vocal do quarteto, eles conseguiram criar grandes harmonias para a música. Uma genuína emoção também está presente aqui, assim como Louis Tomlinson se destaca por atingir notas bem altas durante a ponte. Instrumentalmente, o grupo é apoiado por guitarras e teclas de piano, que ajudaram a dar uma maior ênfase nas letras e vocais. “I Want to Write You a Song” é outra balada de inspiração folk, mas, dessa vez, completamente acústica e apoiada apenas pela guitarra. Liricamente, é uma música doce, suave e romântica, porém, um pouco brega. Aqui, o objetivo do grupo é expressar o seu amor através da escrita de uma canção. “Eu quero escrever uma música para você / Uma que faça você se lembrar de mim / Então, quando eu estiver fora / Você poderá escutar minha voz e cantar junto”, eles cantam. Apesar do som acústico e das harmonias vocais de “I Want to Write You a Song” serem agradáveis, no geral, a música é muito monótoma e entediante. A edição padrão do registro fecha com “History”, uma ode à evolução artística do grupo e uma singela homenagem aos seus fãs.

É uma música pop-rock perfeita para aquilo que se propõe. Um encerramento adequado tanto para o final do álbum como também para o fim de um era. Apesar dos últimos contratempos do grupo, que inclui a saída de Zayn Malik da banda, eles ainda parecem estar bastante unidos. “Todos os rumores, todas as brigas / Mas nós sempre encontramos um jeito de sair delas vivos / Pensei que estávamos indo bem / Pensei que estávamos aguentando firme / Não estamos?”, eles se perguntam. Consequentemente, “History” serve como uma promessa para os fãs e para si mesmos, de que grandes coisas ainda irão acontecer no futuro. “Você e eu temos muita história / Nós poderíamos ser o melhor time que o mundo já viu / Você e eu temos muita história / Não deixe isso acabar, podemos fazer um pouco mais / Nós podemos viver para sempre”, o grupo canta ao relembrar de tudo que passaram durante os últimos cinco anos. A produção de inspiração folk é simples, agridoce, apoiada por fortes palmas e uma guitarra acústica. Seu saldo geral é bastante positivo, visto que é uma grande música que consegue ser cativante e emotiva ao mesmo tempo. O refrão é certamente a parte mais atraente e, com certeza, vai fazer você balançar a cabeça junto com o ritmo.

One Direction tem sido uma força motriz na indústria da música desde que surgiram. O grupo tem sido capaz de superar quaisquer obstáculos colocados no seu caminho. Seu quinto álbum de estúdio, “Made in the A.M.”, mostra uma clara melhora e boa versatilidade deles como grupo. É um álbum muito agradável, bem executado, diverso e de, certa forma, coeso. A saída de Zayn Malik pode ter criado uma mudança interna, mas o quarteto restante soube canalizar suas influências rock de décadas passadas, a fim de buscar uma sonoridade ainda melhor. O álbum é interessante e completamente influenciado pela música que eles amam. Consequentemente, é um disco que mostra uma abordagem mais madura do pop-bubblegum dos seus primeiros álbuns. É nítido que sua música, letras e vocais evoluíram. Os quatros membros co-escreveram a maioria das faixas do repertório, enquanto tornaram-se mais criativos como letristas. Eles ainda estão escrevendo músicas sobre o amor e amizade, mas perderam um pouco da essência adolescente. Independente do seu hiato, o grande apelo deste álbum provou que eles são capazes de fazer um bom álbum pop.

66

Favorite Tracks: “Drag Me Down”, “Perfect”, “Infinity”, “What a Feeling” e “History”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Sorry Not Sorry!!!!

    Que resenha mara!! Amo seu site e vc escreve muito bem.
    P.s: Vc tem previsão que quando irae fazer as resenhas do álbuns Tug of War, Curiosity EP e Kiss da Carly Rae Jepsen?

    • Leo

      Muito obrigado! 😀
      Esse último mês foi muito corrido para mim, mas acredito que até o próximo final de semana eu consigo postar.