Resenha: One Direction – FOUR

Lançamento: 17/11/2014
Gênero: Pop
Gravadora: Columbia Records / Syco Music
Produtores: Julian Bunetta, Pär Westerlund, John Ryan, Teddy Geiger, Steve Robson, Matt Rad, Jamie Scott, Ian Franzino e Afterhrs.

Quem não conhece a One Direction? Sem dúvidas, a boyband de maior sucesso da atualidade, formada pelo irlandês Niall Horan e os britânicos Liam Payne, Harry Styles e Louis Tomlison. Zayn Malik, que participou dos quatro primeiros discos, deixou o grupo em março deste ano. Como o título sugere, o “Four” é o quarto álbum deles (em 4 anos), lançado dia 17 de novembro de 2014 através da Columbia e Syco Music. O One Direction surgiu em 2010 após ficarem em terceiro lugar na sétima temporada do The X-Factor britânico. Assinaram com a Syco, gravadora de Simon Cowell, e lançaram até então quatro álbuns de estúdio. Após o lançamento do “Four”, o grupo tornou-se a primeira banda na história a ter os seus quatro primeiros álbuns no topo dos Estados Unidos. Não apenas esse, mas o One Direction já possui outros diversos recordes, mesmo possuindo pouco tempo de carreira. Em 2014, a Forbes os classificou como a segunda celebridade mais rica, com menos de 30 anos, com cerca de US$ 75 milhões.

Entre os diversos prêmios já conquistados pelo grupo, temos 4 American Music Awards, 5 BRIT Awards, 5 Billboard Music Awards, 11 MTV Europe Music Awards, 4 MTV Video Music Awards e 19 Teen Choice Awards. Eles são gigantes no quesito sucesso comercial, tanto que podemos até compará-los com outras boybands de sucesso como ‘N Sync, Backstreet Boys e New Kids on the Black. Em sua semana de lançamento o “Four” estreou em #1 em dezoito países, no Reino Unido, por exemplo, vendeu 142 mil cópias, enquanto nos Estados Unidos atingiram o topo da Billboard 200, com vendas de 387 mil cópias. Segundo dados da Nielsen Soundscan, o álbum já vendeu um total de 945 mil cópias em território norte-americano atá abril desse ano. O “Four”, apesar do título clichê, é um álbum pop e pop/rock que consegue soar relativamente orgânico e com referências a grandes bandas como Journey e Fleetwood Mac. Pode não ter quebrado paradigmas na música pop, mas esse registro é tão bem produzido quanto os best-sellers anteriores do grupo.

Para esse álbum, eles trabalharam principalmente com a equipe de produção do “Midnight Memories” e entregaram um material muito inspirado pela década de 1980. Felizmente, eles ainda continuam resistindo à tendências EDM genéricas em favor de um pop com grandes coros. Liricamente, eles mantém a mesma postura, cantando sobre temas como a beleza feminina, paixões de longa data, experiências, diversões, etc. Entre os membros, Tomlison e Payne são os que possui mais créditos nas composições das 12 faixas. Inclusive, foram os dois que escreveram “Steal My Girl” (com ajuda de 4 outros compositores), primeiro single e faixa de abertura do “Four”. Ela começa com uma introdução no piano antes de trazer batidas e sintetizadores bem viciantes. Desde o início, a música indica uma nova direção da banda, com uma estrutura de acordes inspirados pela banda Journey. “Everybody wanna steal my girl / Everybody wanna take her heart away”, eles cantam no refrão inevitavelmente cativante, que ainda possui uns “Na-Na-Na” chicletes.

One Direction (3)

A elaboradamente orquestrada “Ready to Run”, é outra boa música que aparece logo em seguida. Sua introdução com guitarra acústica, inclusive, soa muito semelhante a de “Wake Me Up” de Avicii. A terceira faixa, “Where Do Broken Hearts Go” mantém o bom ritmo, fornecendo cintilantes guitarras, bons teclados e batidas sem pressa. Parece que foi feita no meio da década de 1980, os garotos conseguiram trazer de volta essa era de ouro da música popular para essa canção. Niall Horan destaca-se aqui, pois seus vocais foram essenciais para deixá-la com uma boa solidez. “18” foi co-escrita por Ed Sheera, sendo uma tentativa do 1D envelhecer em uma grandeza romântica (“I have loved you since we were 18 / Long before we both thought the same thing”). É uma boa e divertida balada, com uma guitarra acústica tingida de folk e uma tonalidade bonita. “Girl Almighty”, quarta faixa, é bem explosiva e tem uma produção densa com camadas de sintetizadores, guitarras acústicas, palmas e harmonias vocais muito inspiradas em Fleetwood Mac. “Fool’s Gold”, por sua vez, é uma linda e sincera canção pop e folk, com licks de guitarra acústica que ajudaram a manter o charme alegre do grupo. Niall novamente chama atenção por oferecer um doce falsete nessa faixa.

“Night Changes”, lançada como segundo single, é outro destaque, embora seja cômico saber que foi necessário 10 pessoas para compô-la. Possui harmonias brilhantes e um refrão relaxante que fala sobre a preocupação com o envelhecimento (We’re only getting older, baby / And I’ve been thinking about it lately / Does it ever drive you crazy? / Just how fast the night changes”). Enquanto isso, o punk “No Control” é, sem dúvida, um dos pontos altos do álbum. É impulsionada por riffs, sintetizadores e um coro altíssimo que dificilmente você vai resistir. Novamente se inspirando em Fleetwood Mac, o grupo apresenta a faixa “Fireproof”, que exala uma sensação de leveza muito agradável. Essa é uma das canções que mais me agradaram, um soft-rock melancólico com boas melodias e boa demonstração de crescimento musical. A décima faixa é “Spaces”, uma balada rock que destaca-se por ser, liricamente, uma das músicas mais maduras do grupo. “Who’s gonna be the first to say goodbye?”, eles refletem. Musicalmente, me lembrou em muitos pontos as produções de Ryan Tedder, do OneRepublic, no entanto, foi produzida por Julian Bunetta, Afterhrs e John Ryan.

Com letras co-escrita por Harry Styles, “Stockholm Syndrome” é uma otimista oferta synth-pop com um riff nervoso permeando por toda sua execução. Sua letra define uma história sobre ser tomado como refém por uma garota (“Baby I’ll never leave if you keep holding me this way”). “Clouds”, última faixa, fornece riffs de guitarra mais incríveis que qualquer outra música deles. Os versos de abertura também elevam o nível da música, pois são bem exuberantes e cheios de energia. O seu arranjo é muito bom, na qualidade que os vocais em camadas e as notas altas de Zayn a completam. “Four” soa muito convincente, sendo composto, obviamente, de grandes refrões, bons instrumentais e ganchos viciantes. Liricamente, podemos dividir suas músicas em dois campos românticos: declaração e desejo. Percebe-se uma confiança a mais aqui, visto que os membros são creditados como compositores na maioria das faixas. O “Four” é mais um divertido álbum de grande sucesso na carreira do One Direction e, com certeza, vai render milhões para eles durante a sua tour. A fã base deles é uma das maiores do momento, com a última turnê, a título de informação, trazendo uma receita bruta de quase 300 milhões de dólares para o grupo.

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Favorite Tracks: “Steal My Girl”, “Ready to Run”, “Night Changes”, “No Control” e “Fireproof”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.