Resenha: Olly Murs – Never Been Better

Lançamento: 21/11/2014
Gênero: Pop
Gravadora: Syco / Epic Records
Produtores: Jason Evigan, Steve Robson, Martin Johnson, Peter Wallevik, Daniel Davidsen, Cutfather, Ryan Tedder, Tom Barnes, Peter Kelleher, Ben Kohn, Steve Mac, Paul Weller, Jamie Scott, Matt Prime e Future Cut.

O cantor inglês Olly Murs chegou à fama depois de terminar como vice-campeão da sexta temporada do X-Factor britânico em 2009. Ele é atualmente contratado da gravadora Syco Music, além da Epic Records no Reino Unido e a Columbia Records nos Estados Unidos. Desde que lançou o seu primeiro single, “Please Don’t Let Me Go” em 2010, e estrear em #1 lugar, Olly Murs vem sempre fazendo um enorme sucesso em terras britânicas. Em 2014, o cantor lançou o seu quarto álbum de estúdio, o “Never Been Better”, que estreou em #1 no Reino Unido com vendas de 92 mil cópias na primeira semana. Murs já acumula um total de quatro canções número #1 e mais de 4 milhões de discos vendidos dentro do Reino Unido, definitivamente, números invejáveis. Até março de 2015, segundo dados da OCC (Official Charts Company), “Never Been Better” já ultrapassou a marca de 886 mil cópias em território britânico. O registro possui um total de 13 faixas, em sua versão padrão, e traz colaborações especiais com o rapper Travie McCoy e a cantora Demi Lovato. Ele é um cara alegre, charmoso, carismático e ainda possui uma voz muito agradável. Não é à toa que faz muito mais sucesso que Joe McElderry, o cara que venceu ele na final do X-Factor em 2009. Olly Murs é um dos “produtos” mais bem sucedidos de Simon Cowell, e continua muito forte desde quando lançou o seu primeiro single há 5 anos. Ele é uma sensação na Inglaterra e seu som jovial vem sempre conseguindo encantar o público. A primeira faixa do álbum é “Did You Miss Me”, uma música up-tempo que fica presa na cabeça facilmente, graças ao seu animado refrão.

É energética e exuberante, ao passo que sua lisa produção é preenchida com dance, soul e pop. Essa mistura peculiar de sintetizadores com bateria eletrônica e uma quota perfeita de sax, fizeram de “Did You Miss Me” uma das melhores faixas do registro. Continuando em um ritmo animado, temos em seguida o primeiro single do disco, “Wrapped Up”, em parceria com Travie McCoy. É igualmente agradável como a primeira faixa e, em certo ponto, bem inspirada pelo último disco de Justin Timberlake. É basicamente um pop com uma fatia extra de funky, que deve ter deixado todos os seus fãs bem satisfeitos. Na terceira faixa temos um momento mid-tempo em “Beautiful to Me”, uma canção profundamente tocante. É infundida pelo pop oitentista e dá chances de Olly Murs demonstrar o seu falsete de uma forma muito envolvente e bonita. Pegando um pouco de velocidade, Murs apresenta logo depois a canção “Up” com Demi Lovato, que inclusive foi o segundo single do álbum. A música fornece algumas mudanças rítmicas, ao acrescentar elementos orientados para o folk. Esse dueto ficou verdadeiramente especial, graças a bela química musical de ambos. “Seasons”, faixa quatro, é totalmente influenciada pelas bandas Maroon 5 e One Republic, ainda mais se considerarmos que foi escrita e produzida por Ryan Tedder. A produção ficou típica e sem surpresas, com uma boa batida, riffs acústicos peculiares e letras positivas sobre apego. Com uma pitada de sax, eventuais batidas durante o seu refrão e conduzida por um piano, temos a balada “Nothing Without You”.

Embora seja bela e bem produzida, não a considero um destaque, visto que é um tipo de canção extremamente comum. Por outro lado, a faixa-título, “Never Been Better”, é um dos pontos altos do repertório. Possui um bom refrão, grandes acordes de piano e um ótimo sax em sua composição. Ainda recebe pontos bônus por suas batidas frenéticas e a letra poderosa sobre ser confiante e nunca parar até que seus objetivos sejam alcançados. Na balada “Hope You Got What You Came For” há uma presença orquestral e um piano, enquanto Olly Murs demonstra estar bastante confortável nos vocais. Entretanto, no geral, essa balada não soa tão emocionante e peca por ser muito previsível. À partir desta música percebemos que o álbum começa a dar uma guinada para uma vibe mais dramática. “Why Do I Love You” ainda consegue retornar à alma pop dançante do começo do registro, sendo musicalmente uma música up-tempo bem sólida que se beneficia por ter um dos melhores refrões. Co-escrita por John Newman, “Stick With Me” não soa, particularmente, como uma faixa típica de Olly Murs e ainda evoca um folk eufórico muito parecido com o de “Wake Me Up” de Avicii. Suas batidas, bem cativantes, os sintetizadores e a guitarra acústica realmente funcionaram em conjunto. Em contrapartida, “Can’t Say No”, marcada principalmente pelo violão e bateria, é talvez a faixa mais esquecível do disco. Em certo pontos, inclusive, achei muito parecida com “Sing” de Ed Sheeran. Enquanto isso, “Tomorrow” é outra balada no piano, com algumas cordas no fundo e liricamente muito pessoal.

É boa e possui algumas melodias muito lindas, no entanto, ainda acho que Olly Murs tem outras baladas melhores. A faixa de encerramento, “Let Me In”, foi produzida e co-escrita por Paul Weller (ex-The Jam e The Style Council), artista britânico de grande reconhecimento da crítica. Aqui, Olly se declara para sua amada: “Let me in and we can fill our lives with magic / Let me in and we could keep with each other warm”. É uma música muito boa, genuína em vários pontos e diferente de qualquer outra coisa no álbum. Funcionou surpreendentemente bem, especialmente por ser simples, sincera, comovente e muito bem construída em torno de uma guitarra acústica. É refrescante vê-lo enfrentar uma trilha tão nua e com todo esse brilho na produção, enfim, uma escolha certeira para encerrar o registro. “Never Been Better” pode não ter nada de inovador, mas funcionou em conjunto, combinando vários gêneros, mesmo não sendo necessariamente eclético, e sendo preenchido por maravilhosas faixas dançantes, lindas baladas e ótimos vocais. Podemos dizer que é um material sólido, mostrando que há um bom nível de talento e personalidade, mesmo que tenha deslizado em certas tendências. Outro ponto positivo é ver que Murs participa da composição de quase todas as faixas, equilibrando o conteúdo com boas vibrações de esperança, amor e paixões, e fazendo o álbum ser bom para diversas situações. O seu charme típico também ajudou nas falhas mais óbvias do “Never Been Better”, que certamente já é outro grande sucesso na carreira do cantor. Ele é um dos artistas britânicos solo mais bem sucedidos nas paradas atualmente e, com o lançamento deste álbum, tudo indica que continuará sendo.

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Favorite Tracks: “Did You Miss Me”, “Wrapped Up (feat. Travie McCoy)”, “Up (feat. Demi Lovato)”, “Never Been Better” e “Let Me In”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.