Resenha: Norah Jones – Day Breaks

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Jazz, Pop Rock
Gravadora: Blue Note Records
Produtores: Norah Jones, Sarah Oda e Eli Wolf.

“Day Breaks”, o mais novo álbum de Norah Jones, representa um verdadeiro retorno às suas raízes. É um disco semelhante, em muitos aspectos, ao seu LP de estreia. Ambos possuem covers padrões de jazz juntamente com canções originais co-escritas por Jones. “Come Away with Me” (2002), o álbum vencedor do Grammy, foi um disco com arranjos centrados em torno de sua voz, piano, suporte minimalista de guitarra, baixo e bateria. Esses mesmo sons estão novamente proeminentes ao longo do disco “Day Breaks”. Nesse novo registro, Norah Jones inspira-se nos seus discos anteriores, sem parecer um esforço autoconsciente de tentar recriá-los de alguma forma. Aqui, há também arranjos mais expansivos, além de típicas seções de instrumentos de metais. “Day Breaks” também conta com a presença de fortes nomes do jazz, como o saxofonista Wayne Shorter e o tecladista Lonnie Smith.

Por ser uma artista bem estabelecida, Jones tem trabalhado com muitos músicos talentosos ao longo dos anos. Entretanto, por mais que seja considerada uma artista de jazz, ele também é conhecida por incorporar vários estilos em sua música, variando do blues ao country. Seu último álbum, “Little Broken Hearts” (2012), foi o primeiro a quebrar o seu molde pré-estabelecido de jazz, pop, blues, country e folk, ao apresentar batidas mais pesadas, sons mais escuros e influência eletrônica. Felizmente, sua voz aveludada e macia sempre deslizou com facilidade por qualquer gênero que já experimentou. Como mencionado, após lançar o álbum “Little Broken Hearts” e o colaborativo “Foreverly”, com Billie Joe Armstrong do Green Day, Norah Jones encontra-se explorando suas raízes.

O álbum é realmente reminiscente do “Come Away with Me”, uma vez que escava de volta naquelas rotas de jazz e possui complexas e maravilhosas melodias. Entre nove músicas originais e três covers, “Day Breaks” é um álbum de jazz que apresenta arranjos mínimos, um ar sofisticado e elementos de pop, rock e folk. A faixa de abertura, “Burn”, com seu baixo ereto, piano e humor sensual, e o cover de Neil Young, “Don’t Be Denied”, dão arrepios. O instrumental de “Burn” é extremamente cru, enquanto os vocais de Jones soam esfumaçados. O cover de Neil Young, por sua vez, oferece uma audaciosa e bela instrumentação. Em ambas canções há um belo equilíbrio entre os solos dos instrumentos que complementam os vocais de Norah Jones. A segunda faixa, “Tragedy”, é introduzida por um piano pontiagudo e uma linha de bateria.

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Além disso, um órgão ainda injeta uma vibração melancólica à música. Liricamente, é uma canção que fala sobre as consequências da bebida na vida de um homem. Há algumas canções que oferecem um contraste sobre as outras faixas do álbum, como por exemplo “Flipside”, “Day Breaks” e “It’s a Wonderful Time for Love”. “Flipside” oferece um ritmo mais rápido, batidas incrivelmente polidas, vocais agressivos e letras que adicionam uma sensação old-school. A faixa-título abre com um violão pensativo, juntamente com um frágil piano e batida de tambor. No geral, possui uma leve combinação de instrumentos, entretanto, o seu humor é mais escuro do que parece. Em “And Then There Was You”, por outro lado, temos um balanço delicado e letras que refletem sobre o amor.

“Peace”, cover de Horace Silver, retorna à sensação jazz, com um saxofone surgindo por toda parte. É outro cover onde Norah Jones consegue impor seu próprio toque pessoal. “Once I Had a Laugh” constrói suas emoções ao longo do caminho, enquanto Jones desliza seus vocais suavemente. Já “Carry On” traz de volta alguns órgãos ao lado de piano e bateria, ao mesmo tempo que suaves vocais ilustram o espírito das letras. A sedutora e percussiva “Sleeping Wild” encontra Norah Jones através de um canto hipnotizante. Sem dúvida, é um número destacado pelos vocais mais profundos. “Está ficando tarde / Estarei à caminho / Parece que você não tem mais nada a dizer / Mas agora que você teve algumas / Palavras que foram perdidas encontraram o seu caminho / Eu amo, te adoro”, ela canta aqui.

Em seguida, o disco termina com uma nota séria de Duke Ellington, intitulada “Fleurette Africaine (African Flower)”. É uma canção encharcada de puro jazz, que destaca as maiores habilidade de Norah Jones. Como um todo, “Day Breaks” é suave, escuro e requintado, algo tradicional e já estabelecido por Norah Jones. Ela continua a trabalhar cuidadosamente em cada canção e permanece fiel ao seu estilo e som. Esse registro marca um retorno às suas raízes jazz e mostra o quanto ela cresceu como artista e pessoa. Esse crescimento reflete nas letras e som deste álbum. A única possível falha do “Day Breaks” é a falta de uma canção clássica ou memorável. Não é um erro fatal, porque enquanto não possui nenhum grande destaque, é um disco seguro e com poucos erros. Em suma, é um álbum consistente e agradável de ouvir do início ao fim.

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Favorite Tracks: “Tragedy”, “Flipside” e “Don’t Be Denied”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.