Resenha: Nine Inch Nails – Add Violence (EP)

Lançamento: 19/07/2017
Gênero: Rock Industrial
Gravadora: The Null Corporation
Produtores: Trent Reznor e Atticus Ross.

Lançado digitalmente em 19 de julho de 2017, “Add Violence” é um EP da banda americana Nine Inch Nails. É a segunda parte de uma trilogia proposta após o lançamento de “Not the Actual Events” (2016). Esperamos que quando a trilogia estiver completa, a banda lance um novo álbum de estúdio. Nine Inch Nails agora é uma dupla, composta apenas por Trent Reznor e Atticus Ross. Isto pode parecer apenas um detalhe, mas é algo muito significativo. Mais uma vez, a banda lançou um registro escuro e atraente. Um EP que oferece uma imagem mental de auto-aversão, com ganchos experimentais e toda raiva e confiança de Trent Reznor. Um homem feroz, despretensioso, emocional e, muitas vezes, melancólico. Dito isto, “Add Violence” é um EP muito decente, poderoso, cheio de reflexões e batidas eletrônicas. Tudo começa com a faixa “Less Than”, o primeiro single do registro. Ela começa com uma batida de bateria e um gancho de sintetizador refrescantemente retrô. Essa rápida explosão de sintetizadores acumula-se e agarra o ouvinte quase que instantaneamente. Resumidamente, esta canção vê Reznor e Ross pegando emprestado a nostalgia dos anos 80 e adicionando uma dose de Nine Inch Nails sobre ela.

À medida que o refrão aparece, Reznor marca o seu território e deixa sua fúria no centro do palco. Vá e olhe o que você fez / Venha e sauda o esquecimento / Isso corrigiu o que estava errado com você? / Você está menos do que?”, ele canta. Provavelmente, é um comentário sobre o atual ambiente político norte-americano. Na segunda faixa, “The Lovers”, Trent Reznor sussurra na maior parte do tempo atrás de acordes de piano e percussão constante. É uma canção profundamente sombria e convincente. Liricamente, Reznor quer cair nos braços de uma pessoa da qual ele tem um grande carinho. “The Lovers” é uma faixa mais introvertida do que a anterior, graças ao refrão melancólico, batidas pulsantes e sons de sintetizadores. “This Isn’t the Place”, por sua vez, é uma canção mais frágil, onde Reznor soa à beira das lágrimas ao lado de texturas sonoras em segundo plano. Enquanto isso, “Not Anymore” é uma daquelas faixas de rock construídas subitamente. Ela possui muitas quebras, ruídos esquisitos e um clímax selvagem de marca registrada da banda. A última faixa do EP, “The Background World”, é número épico com mais de 11 minutos de duração. Durante todo esse tempo, Nine Inch Nails divide basicamente a música em duas metades.

A primeira parte é um número mid-tempo, com influências funky, musicalmente e liricamente coesa. Aqui, Reznor canta com dor e uma certa urgência. Mais uma vez, suas letras oferecem profundidade e estimula a imaginação do ouvinte: “O mundo está sangrando / Se dobra em dois / Sempre está sangrando”. “The Background World” serve como um fechamento genuíno das faixas anteriores, com um adorável piano e um baixo de apoio. Da mesma forma que a batida é sólida, os vocais de Reznor estão muito consistentes. O problema aqui é que, obviamente, a música sente-se muito repetitiva. Em torno de 4 minutos ela fica presa num loop que lentamente a autodestrói. A batida repete-se continuamente e começa a desmoronar-se por si só. Lentamente, filtros sonoros aparecem e alguns sons extras são adicionados. Sem dúvida, se fosse uma canção menor teria sido melhor aproveitada. Em última análise, “Add Violence” é um EP decente de Trent Reznor e Atticus Ross. Certamente, ele não oferece uma revolução no universo sonoro da Nine Inch Nails, apesar de Ross ser um membro em tempo integral. Na verdade, todas as faixas presentes no EP não se sentiriam fora do lugar se estivessem presentes em seus últimos álbuns.

Favorite Track: “Less Than”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.