Resenha: Nicole Scherzinger – Big Fat Lie

Lançamento: 17/10/2014
Gênero: Pop, R&B, Dancepop
Gravadora: RCA Records
Produtores: The-Dream, Tricky Stewart, Chris O’Ryan, Bart Schoudel e Carlos McKinney.

A cantora Nicole Scherzinger lançou dia 17 de outubro de 2014, pela RCA Records, o “Big Fat Lie”, seu segundo álbum de estúdio solo. Para esse disco ela trabalhou com cinco produtores, entre eles The-Dream e Tricky Stewart, que atuaram como produtores executivos. Nicole Scherzinger é uma das mulheres mais sexy do mundo e conseguiu chegar a fama internacional após participar do grupo feminino Pussycat Dolls. Durante sua estadia como vocalista, Scherzinger gerou controvérsias a respeito da ênfase do seu papel dentro do grupo, que se desfez em 2010. As Pussycat Dolls ganharam muito destaque com o lançamento do álbum de estreia, “PCD” (2005), que gerou grandes hits, como “Don’t Cha”, “Stickwitu” e “Buttons”. O segundo e último disco do grupo foi o “Doll Domination” (2008), que ainda gerou canções de sucesso como “When I Grow Up” e “I Hate This Part”.

Nesse meio tempo, entre o lançamento dos dois álbuns, Nicole Scherzinger tentou lançar o seu primeiro trabalho solo, intitulado “Her Name Is Nicole”, porém, o álbum foi cancelado mesmo com dois singles lançados. Somente em 2011 a cantora teve a oportunidade de lançar um material solo, no caso, o álbum “Killer Love”. O álbum conseguiu um sucesso moderado, especialmente, no Reino Unido onde ela atingiu o #1 lugar com “Don’t Hold Your Breath”. Após participar como mentora da versão britânica e americana do The X-Factor, deixar a Interscope Records no final de 2013 e assinar um contrato milionário com a Sony Music, Nicole Scherzinger lançou em 2014 o seu segundo álbum de estúdio, o “Big Fat Lie”. É realmente um bom registro, mas que, infelizmente, está passando muito despercebido. Nicole Scherzinger parece, definitivamente, não ter sorte em carreira solo. É exclusivamente escrito e produzido por The-Dream e Tricky Stewart, algo que pode ser considerado bom, pois deu um sentimento de coesão que esteve em falta no seu disco de estreia.

Mas por outro lado, também sofreu com a falta de variedade, por causa de apenas os dois terem controlado o processo criativo da produção. O repertório consegue fluir muito bem desde a faixa de abertura até a de encerramento, o que totalizou em 11 no total. Ele está bem recheado com algumas mid-tempos urbanas sedutoras, que acabaram por formar o núcleo do álbum. Foi um movimento muito inteligente de Nicole Scherzinger em levar sua música para uma região da qual dá gosto de apreciar. Ela é uma ótima vocalista, dança bem, tem presença de palco, enfim, é até estranho a mesma ainda não ter catapultado a sua carreira como solista. “Your Love”, lançada como primeiro single, é uma faixa viciante que abre o álbum. A canção apresenta Nicole Scherzinger murmurando algumas palavras em ganchos muito grudentos (“Do-do-do-do”). É uma música que começa com um tom sensual, mas rapidamente muda para um hino alegre de amor conduzido por sintetizadores efervescentes.

Nicole Scherzinger (4)

O resto do álbum segue nessa veia de “Your Love”, apresentando um pop urbano simplista, ao contrário das grandes produções dance de RedOne, que estão presentes no disco “Killer Love”.  A segunda faixa, “Electric Blue”, com o rapper T.I., traz batidas sincopadas e sintetizadores retrô, que juntamente com o seu falsete criaram uma música bastante sexy. Musicalmente, ainda faz uma boa fronteira entre o pop, R&B e o hip-hop, além de fornecer riffs de guitarra funky que lembram o pop dos anos 1980 e 1990. Já “On the Rocks” é uma balada emocional que foi impulsionada por um videoclipe em preto e branco, onde Scherzinger fica em lágrimas por causa de um romance. Na letra ela fala sobre um rompimento amoroso, conseguindo emocionar em alguns versos e metáforas. A percussão é ótima, entretanto, o efeito auto-tune colocado em seu final foi bem desnecessário. Em “Heartbreaker” Scherzinger canta: “I need that heartbreaker / I need something to lose / I need that breath taker / When it’s gone, it leaves a bruise / Break my heart”. A cantora basicamente implora para alguém, da qual tem um forte desejo, que parta seu coração.

Embora seja uma canção bem sedutora e com vocais irresistivelmente apaixonados, “Heartbreaker” não me despertou tanto atenção, principalmente por causa de sua entrega estática e o fraco refrão. “God of War”, por sua vez, possui um grande conceito, mas simplesmente não transforma-se em uma igualmente grande canção. É uma balada que demora muito para decolar, que só acontece quando Nicole canta: “Tears of joy, I’m so glad you’re gone”. O seu instrumental é bom, por outro lado, os vocais ficaram abaixo do esperado e só começam a ficar mais interessantes na ponte e refrão final, quando a emoção em sua voz é intensificada. A faixa seis, “Girl With a Diamond Heart”, é uma canção mid-tempo que tem um som irritante e muito incoerente no fundo. Sua produção ficou muito amadora, além de ser monótona e preguiçosa.

Nicole Scherzinger

Não tem realmente nada de memorável e apenas o refrão ainda consegue entreter, graças aos vários “La, la, la, la, la”. Em “Just a Girl” temos incorporação de dubstep e lembra algumas músicas da Rihanna, por causa de sua proposta R&B. Logo no seu início temos vocais masculinos, entretanto, nenhum artista foi creditado, o que causou um pouco de confusão. Nicole Scherzinger só toma partido nos vocais após 1:30 mas, no geral, a canção com sua estrutura e letras estranhas não consegue surpreender. “First Time” é uma canção que fala sobre sexo (“Come make me feel, feel something real / I want to feel like a girl for the very first time”) e soa um pouco datada, podendo ter sido incluída facilmente em seu álbum arquivado (“Her Name Is Nicole”), mas consegue ser atraente por conta da incursão do hip-hop e estilos urbanos. Dada a capacidade vocal de Scherzinger, a música poderia ter sido mais forte, mas isso é compensado pela confiança e sensualidade atingida.

A nona faixa, “Bang”, é simples, mas consegue se jogar em um som R&B que lembra muito a sonoridade da Ciara. O ritmo, os vocais e a letra, conseguiram fornecer uma sintonia sexy e lenta que terminou por ser adorável. A faixa-título, “Big Fat Lie”, pode não ser uma canção de extrema qualidade, mas eu vou confessar que viciei nela e acabei curtindo bastante. Essa é mais pessoal e detalha com sarcasmo a vida intrigante de uma celebridade (“I’m never alone / I’m so famous / (…) Just know I’m living a big fat lie / Lie, lie, lie, lie”). Liricamente, não é grande coisa, mas por outro lado, foi muito bem produzida. Suas batidas, que percorrem toda a música, são hipnotizantes e os seus vocais conseguem transmitir uma introspecção confessional. É um tipo de música que eu imagino facilmente sendo cantada por Cheryl Cole, porém, com um ritmo mais rápido.

O disco encerra com uma grande balada, “Run”, que Nicole chegou a lançar como primeiro single em território americano. É uma canção impressionantemente bonita, com uma grande entrega emocional, uma produção enxuta e excelente vocal. É a música mais deprimente do registro, sendo acompanhada por um suave piano e violino. Por fim,  o”Big Fat Lie” é um álbum decente, que pecou apenas pela falta de ganchos e refrões pegajosos, para que realmente ela conseguisse destaque no mainstream. É um material de mudança, que transmite um ar mais maduro e fornece uma vitrine dos seus talentos como vocalista. Na primeira audição você, provavelmente, não irá se sentir tão atraído por ele, mas com um tempo consegue crescer em você. “Big Fat Lie” possui suas falhas, mas Nicole Scherzinger é  muito talentosa e por vezes subestimada, portanto, dê uma chance para esse mais novo trabalho dela.

64

Favorite Tracks: “Your Love”, “Electric Blue (feat. T.I.)”, “On the Rocks”, “Big Fat Lie” e “Run”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.