Resenha: Nicki Minaj – The Pinkprint

Lançamento: 15/12/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Young Money / Cash Money / Republic Records
Produtores: Allen Ritter, Alex da Kid, Arch Tha Boss, Boi-1da, Breyan Isaac, Cardo, Chinza//Fly, Cirkut, Da Internz, Detail, DJ Camper, Dr. Luke, Hit-Boy, Jacob Kasher, JMIKE, Johnny Juliano, Kane Beatz, Mike Will Made-It, Nineteen85, Parker Ighile, Polow da Don, Pop Wansel, Rob Holladay, RockCity, Sak Pase, Steven Mostyn, TODAY, Vinylz, will.i.am, Yung Berg, Yung Exclusive e Zaytoven.

A cantora e rapper Nicki Minaj lançou em dezembro de 2014 o seu terceiro álbum de estúdio: “The Pinkprint”. Nesse novo trabalho, Minaj resolveu afastar-se dos elementos pop e dance do seu segundo álbum de estúdio, “Pink Friday: Roman Reloaded”, a fim de fazer um disco totalmente influenciado por suas origens tradicionais do hip hop. Para alcançar tal desejo, ela trabalhou com diversos produtores, entre eles, Alex da Kid, Boi-1da, Detail, Hit-Boy, Mike Will Made-It, Polow da Don e will.i.am. É o seu álbum mais forte até o momento, com uma sonoridade realmente mais próxima de suas raízes musicais e com um melhor equilíbrio entre os diferentes tipos de músicas. O disco foi precedido pelo lançamento de quatro singles oficiais: “Pills N Potins”, “Anaconda”, “Only” e “Bed of Lies”. “Anaconda” foi um hit, principalmente nos Estados Unidos, onde atingiu a segunda posição na parada da Billboard Hot 100.

Dessa maneira, tornou-se sua canção mais bem sucedida no Hot 100, até à presente data. “Anaconda” obteve uma grande repercussão, em especial, por seu videoclipe que quebrou recordes de visualizações no seu primeiro dia. O vídeo é muito insinuante sexualmente e, para a felicidade do público, dá bastante destaque para a enorme bunda de Nicki Minaj. O álbum ainda conta com participações de Ariana Grande, Beyoncé, Lil’ Wayne, Drake, Chris Brown, Jeremih, Meek Mill e Skylar Grey. A faixa de abertura é “All Things Go”, uma canção bem introspectiva produzida por Boi-1da. É muito afiada emocionalmente e uma grande indicadora de sua maturidade recém-descoberta. Ela fala sobre preocupações reais, um tipo de música confessional que há tempos ela não fazia. “I Lied” é muito radio-friendly e mostrou um grande crescimento de Nicki Minaj como vocalista.

Uma canção R&B legítima, melodramática, que fala sobre arrependimentos e conta com a produção de Mike Will Made-It. Entre loops de guitarras sombrias e abafadas, Nicki Minaj brilha em “The Crying Game” ao lado da cantora e compositora Jessie Ware. Além de ter um lindo refrão cantado por Ware, que complementa a vulnerabilidade da música, pode ser considerada uma das melhores faixas do registro. “Get On Your Knees”, com Ariana Grade, é produção de Dr. Luke e Cirkut, e, como a maioria das músicas produzidas por ambos, essa também tem um grande potencial para ser hit. A ponte cantada por Ariana Grande é extremamente viciante e memorável, o ápice da música. Katy Perry colaborou em sua composição e, inclusive, houve rumores da parceria na música ser com ela, em vez de Ariana Grande. Liricamente, é uma canção em que as duas dominam sexualmente seus parceiros, usando o seu poder feminino para fazer eles implorarem por elas.

Nicki Minaj

“Feeling Myself”, em colaboração com Beyoncé, foi uma combinação perfeita entre a produção de Hit-Boy e duas poderosas mulheres. Parece até ser uma continuação do remix de “Flawless”, canção presente no último álbum de Beyoncé. “I am a rap legend, go ask the kings of rap”, Nicki Minaj cospe em um dos seus versos, algo inevitavelmente de destaque aqui. “Only” possui versos sexistas em sintonia com colaborações de peso: Lil’ Wayne, Drake e Chris Brown. “Yo, I never fucked Wayne, I never fucked Drake”, esse é o primeiro verso de Minaj na música. Ela transmite uma sensação de confiança e orgulho de sua própria potência sexual. As rimas de Drake e Lil’ Wayne ficaram explosivas, enquanto Chris Brown conseguiu dar conta de um refrão cativante. É um canção demasiadamente longa e não é o número mais forte entre esses três artistas, mas, a personalidade distintas deles conseguiu deixar a música atraente. “Want Some More” é divertida e possui algumas rimas em alta velocidade por parte de Minaj, mas nada de espetacular.

“Four Door Aventador”, por sua vez, também está no mesmo nível da anterior. Ela começa com efeitos que imitam motores de carros, possui uma boa batida e um fluxo que lembra as mixtapes de Nicki Minaj. Enquanto isso, Jeremih consegue dar um toque hábil e bons ganchos na faixa “Favorite”. Mas, apesar de ser uma boa faixa, não chega a estar entre as melhores do álbum. “Buy a Heart”, décima faixa, é uma colaboração equilibrada entre Nicki Minaj e Mike Mill. O rapper acrescenta um valor notório à música, pois consegue oferecer confiança para construir uma boa canção de amor. “Trini Dem Girls” é uma mudança muito bem-vinda, aqui Nicki Minaj ostenta suas habilidades dancehall e apresenta o talvez promissor LunchMoney Lewis. Destaque para os versos melódicos de Nicki Minaj que ficaram hipnotizantes. “Anaconda” aparece na posição doze da tracklist, a música mais popular e cativante do álbum. Sua letra é um tanto quanto explícita e suja, mas é, definitivamente, uma faixa impetuosamente brilhante.

Nicki Minaj

O seu vídeo viral foi realmente de arregalar os olhos e o refrão, “My anaconda don’t / My anaconda don’t want none / Unless you got bunz, hun”, fica na cabeça por semanas. Sua batida é outro ponto forte, totalmente viciante, um sample da canção “Baby Got Back” de Sir Mix-a-Lot. Em “The Night Is Still Young” Minaj embala com versos sobre aproveitar e apreciar a noite. Essa faixa é a coisa mais próxima do som despreocupado do seu último álbum. Uma canção eletropop previsível, porém, cativante. “Pills N Potions” é a balada que foi lançada como primeiro single do álbum em maio de 2014. É um número meio sonolento para ser lançado como carro-chefe, no entanto, sua letra é boa e o refrão possui um ritmo crescente muito bacana. “Bed of Lies” é produção de Alex da Kid e conta com participação de Skylar Grey. Apesar de utilizar uma fórmula bem datada, a música é apaixonante, assim como os vocais de Skylar Grey estão lindos no refrão.

Aqui, Minaj fala mais de relacionamentos dramáticos e acrescenta capítulos para as letras das primeiras faixas: “I told Baby hit you, I said this nigga buggin’ / ‘Cause I was doing it for us, I told ‘em fuck the public”. A única produção de will.i.am no álbum foi “Grand Piano”. Uma balada bonita e sincera que segue em linha reta, inteiramente cantada com apoio de um lindo piano. Nicki Minaj é uma das melhores rappers da atualidade, ela é tão boa que às vezes consegue superar até os seus companheiros masculinos. Lembram do verso dela em “Monster” (faixa do disco “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” de Kanye West)? O fluxo dela nessa canção superou o próprio Kanye West e outros que também estavam presentes, como por exemplo, Jay-Z. E este novo álbum dela é super válido e muito forte, o “The Pinkprint” conseguiu transmitir uma progressão em sua carreira e um crescimento musical.

É um álbum que valeu a pena em muitos aspectos, principalmente por ser um material mais pessoal, atemporal e mais ligado a ela própria. Possui algumas falhas básicas, como o conceito e a inclusão de faixas superestimadas. No entanto, ela fez algo desafiador e ofereceu uma nova abordagem para o seu terceiro álbum de estúdio. Ela consegue ser uma artista consistente e envolver-se por completa em seu trabalho. Seu estilo e essência estão presentes em todas as faixas do disco, um material verdadeiramente pessoal. Também é um empreendimento ambicioso, onde a própria o colocou como “Um Blueprint para rappers femininas que estão por vir”. Referindo-se ao sexto álbum de estúdio de Jay-Z, que tornou-se um influente trabalho para outros rappers. Embora seja muito cedo para dizer se o “The Pinkprint” é um clássico, é seguro dizer que é o seu melhor trabalho até o momento.

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Favorite Tracks: “Get On Your Knees (feat. Ariana Grande)”, “Feeling Myself (feat. Beyoncé)”, “Only (feat. Drake, Lil’ Wayne & Chris Brown)”, “Anaconda” e “Bed of Lies (feat. Skylar Grey)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.