Resenha: Nickelback – No Fixed Address

Lançamento: 14/11/2014
Gênero: Rock Alternativo, Pop Rock, Hard Rock
Gravadora: Republic Records
Produtores: Nickelback, Chris Baseford, Brian Howes, Jason “JVP” Van Poederooyen e Gordon “Gordini” Sran.

“No Fixed Address” é o oitavo álbum de estúdio da banda de rock canadense Nickelback, formada por Chad Kroeger, Ryan Peake, Mike Kroeger e Daniel Adair. Foi lançado em 14 de novembro de 2014 pela Republic Records, sendo este o primeiro lançamento da banda por essa gravadora, após deixar a de longa data, Roadrunner Records, em 2013. O disco estreou em #4 na Billboard 200 dos Estados Unidos, vendendo 80 mil cópias e em #2 no Canadá com vendas de, aproximadamente, 20 mil unidades na primeira semana. O lançamento também coincidiu com o aniversário de seis anos de seu sexto álbum de estúdio, o “Dark Horse”. O título do álbum (em português: “Sem Endereço Fixo”) foi inspirado pelo fato de que o álbum foi gravado em muitos lugares diferentes, sendo que eles nunca se estabeleceram em nenhum deles. O vocalista Chad Kroeger também disse que o registro possui algumas canções que são um desvio considerável do estilo musical típico da banda, incluindo uma parceria com o rapper Flo Rida. O Nickelback, formado originalmente em 1995 em Hanna, Alberta, é sem dúvidas um dos grupos canadenses mais bem sucedidos comercialmente, tendo vendido mais de 20 milhões de álbuns segundo a Nielsen Soundscan.

Eles foram classificados pela revista Billboard como o 11º ato mais bem sucedido nos Estados Unidos durante os anos 2000. A Billboard também os classificou como o grupo de rock de maior sucesso da última década, enquanto sua canção “How You Remind Me”, foi listada como o single rock mais vendido no período de 2000 a 2009. A banda alcançou a notoriedade com o lançamento do disco “The State” em 2000 e, em seguida, obtiveram enorme sucesso com o álbum “Silver Side Up” de 2001. Posteriormente, lançaram o seu mais conhecido hit, “How You Remind Me”, que atingiu o #1 lugar nas paradas americanas e canadenses no mesmo ano. Em seguida, o quarto álbum deles, “The Long Road” de 2003, gerou o hit “Someday”, enquanto o disco “All The Right Reasons”, que vendeu 7,8 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, foi responsável pelos singles “Photograph”, “Far Away” e “Rockstar”, que obtiveram enorme sucesso mainstream. Nickelback é aquele tipo de banda que tem muitos fãs, porém, muitos haters também. Eles possuem muitos admiradores nos Estados Unidos, não é à toa o sucesso adquirido na última década, no entanto, lá, muitos odeiam a banda de Chad Kroeger. Por isso muitos se perguntam: Nickelback é a banda mais odiava do mundo? Talvez. Pois são muitos vezes taxados de “brega” e de sem qualidade, mas eu, particularmente, gosto de algumas coisas que eles já lançaram, não vou mentir.

O segredo do sucesso deles é, talvez, porque são mestres da genialidade em ditar fórmulas com grande apelo comercial. O “No Fixed Address” não é um ótimo álbum, porém, possui algumas coisas bacanas. É talvez o seu trabalho mais variado e aventureiro até à data, ao passo que possui muitas vibrações eletrônicas e quase todas as faixas sendo reforçadas por sintetizadores. O registro prova que o Nickelback não está disposto a oferecer algo diferente ou inovador, seria até estranho não esperar algo deles que não seja as habituais baladas de alta energia. Afinal, eles ainda possuem a reputação de oferecer e escrever as mesmas músicas desde que surgiram há 20 anos. Nickelback é definitivamente uma banda que tanto o público como os críticas amam odiar. Mas é até compreensível que as pessoas não gostem, visto que são imensamente famosos por reescrever o mesmo álbum três ou quatro vezes. Logo, o “No Fixed Address” surge com a mesma fórmula já conhecida pelo público. Possui 11 faixas, entre pesadas e suaves, correndo em cerca de 40 minutos e com as três primeiras músicas sendo as melhores.

Nickelback

Neste álbum há poucos solos de guitarra, bem como um teclado aqui outro ali, efeitos vocais e eletrônicos, e instrumentos alterados a partir de seu tom natural para determinada situação. Ás vezes esses efeitos são bem utilizados, mas em sua maioria, são apenas um lembrete do amolecimento do som deles. Bem, o álbum arranca como qualquer outro do Nickelback, à começar por uma barragem de riffs pesados e a voz distorcida de Chad Kroeger na canção “Million Miles an Hour”. Nickelback nunca irá mesmo afastar-se de sua fórmula, talvez por isso que algumas pessoas gostam tanto deles. Essa música possui um ritmo acelerado e alguns ajustes digitais na voz de Kroeger, mas felizmente, seus licks de guitarra são sólidos e transmitem uma energia frenética que realmente funcionou. O primeiro single, “Edge of a Revolution”, é uma música hard rock que mergulha de cabeça em águas políticas, com Kroeger protestando contra a NSA, CIA e Wall Street. A mensagem insurgente é meio banal, embora algumas linhas como, “Same shit / Different day”, sejam ousadas para uma música deles. Felizmente, o seu arranjo, com guitarras eletro-grunge, e a bateria conseguiram ser bem utilizadas aqui.

A terceira faixa, “What Are You Waiting For?”, é bastante pop, cavalgando sobre ondas de sintetizadores arejados, sons processados e uma guitarra. É de longe a faixa mais próxima do som tradicional do Nickelback feito para as rádios, sendo lançada como segundo single do disco em setembro de 2014. Apesar de ser uma canção com melodias genéricas e a mesmice estrutura de outras músicas, “What Are You Waiting For?” conseguiu me cativar. Em seguida, temos a faixa “She Keeps Me Up”, que traz uma guitarra funky e um ritmo inesperadamente dance-rock. Também apresenta alguns vocais femininos e um solo de guitarra, sendo outro exemplo de algo que a banda tentou fazer de diferente. Sua estrutura é o tipo de canção que esperaríamos de bandas como Maroon 5, ao passo que sua letra é provavelmente a pior do disco, falando sobre um assunto comum das músicas do Nickelback: sexo. “Make Me Believe Again”, por sua vez, é outra faixa genérica com um ritmo mid-tempo. Não é a melhor faixa do registro, porém, também não é a pior, afinal, seu refrão consegue ser agradável. Quando começamos a chegar na metade do repertório, percebemos que os poucos sinais de criatividade começam a se esgotar.

Nickelback

“Satellite”, por exemplo, é mais uma música clichê sobre dançar e pertencer a outra pessoa. Kroeger faz grandes declarações aqui, mas meio sem sentido: “Let’s dance around this bedroom / Like tonight’s our only night”. Seu único ponto positivo é a sensação de nostalgia que ela transmite, emitida através de sua instrumentação. “Get ‘Em Up”, sétima faixa, ainda consegue fornecer uma modificação atraente para o registro, com sua guitarra e a simples batida dando uma borda profunda e diferente. Tudo somado ao seu som elétrico, que incita você a balançar a cabeça, resultou em uma peça atraente. Já “The Hammer’s Coming Down” fornece dois solos de guitarra e surge com uma vibração diferente, um pouco mais temperamental e escura. Essa faixa mantém a bateria em expansão e as guitarras pesadas já conhecidas deles, juntamente com as letras não muito terríveis dessa vez. “Miss You” foi feita claramente para os seus fãs mais velhos, pois traz toda a essência do Nickelback que surgiu há quase duas décadas. Nada mais e nada menos que uma balada sobre sentir falta de alguém, com Chad Kroeger mostrando várias maneiras de dizer a mesma coisa.

“Got Me Runnin’ Round”, que tem a participação do rapper Flo Rida, é outra pista onde a banda tentou fazer algo diferente. Só o fato de ter a presença de Flo Rida como um artista de destaque, já mostra um indício de que eles estão oferecendo algo novo. O problema é que quando o Nickelback tenta algo de diferente, eles mostram sua limitações, afinal, nem tudo que é diferente é necessariamente bom. Com uma vibe meio Santana, “Got Me Runnin’ Round” é mais rica em instrumentação, com uma percussão elegante, trompete e backing vocals meio bregas. A interação com o rap de Flo Rida ficou muito mal integrada, com letras patenteadas rapidamente e uma mudança de ritmo pouco interessante. “Sister Sin” termina o álbum da forma mais maciça possível, pois é uma canção influenciado pelo country e muito repetitiva. Ela até possui seus bons momentos, como as mudanças tonais e o riff de guitarra hipnótico, entretanto, como um todo, é muito sem graça e esquecível.

“No Fixed Address” sente-se um pouco apressado e indiferente e, pelo jeito, dificilmente o Nickelback irá conquistar a multidão de hard rock e os críticos de música. Eles produzem canções populares que são, por vezes, divertidas e não há nada de errado com isso. No geral, este álbum é uma melhoria se comparado com seu antecessor, o “Here and Now” de 2011. No entanto, não é melhor que a maioria de seus outros trabalhos e o principal problema é que possui pouquíssimas canções memoráveis e, mesmo assim, não tão memoráveis como seus maiores hits. Considerando, claro, que geralmente os discos do Nickelback são uma coleção de singles. Durante anos, as pessoas têm vindo a falar que eles nunca fazem nada de novo e, embora nesse álbum o grupo tenha feito algumas coisas diferentes, infelizmente não funcionou como o planejado. Nickelback é alvo de muitas piadas e Chad Kroeger tem uma das vozes roucas mais irritantes do rock, mas no final do dia, eles sempre conseguem obter muitos royalties e admiração de seus fãs mais árduos.

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Favorite Tracks: “Million Miles An Hour”, “Edge of a Revolution”, “What Are You Waiting For?” e “Get ‘Em Up”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.