Resenha: Nickelback – Feed the Machine

Lançamento: 16/06/2017
Gênero: Hard Rock
Gravadora: BMG Rights Management
Produtores: Nickelback e Chris Baseford.

Lançado em 16 de junho de 2017, “Feed the Machine” é o nono álbum de estúdio da banda canadense Nickelback. A título de curiosidade, esse é o seu primeiro lançamento pela gravadora BMG Rights Management. Nickelback é uma banda que muitos amam odiar. É considerada, nos olhos de muitas pessoas, a pior banda do mundo, mesmo sendo uma das mais bem-sucedidas dos anos 2000. As nostálgicas “How You Remind Me” e “Rockstar” tornaram-se singles de grande sucesso e dominaram os charts na década passada. Atualmente formado pelo vocalista Chad Kroeger, o baterista Daniel Adair, o baixista Mike Kroeger e o guitarrista Ryan Peake, o grupo possui diversas canções hard-rock mundialmente conhecidas. Mas o que o Nickelback tem feitos nos últimos anos? Certamente, eles fizeram o mesmo som comercial que venderam no início da carreira. Um som desgastado e extremamente previsível. Claro que as afirmações de que Nickelback é a “pior banda do mundo” são muito exageradas.

Na verdade, é apenas um grupo de hard-rock inofensivo e previsível. O seu som é realmente repetitivo, visto que eles sempre produzem um mesmo esqueleto para cada álbum lançado, com apenas alguns detalhes adicionais. E, mesmo quando a banda decide saltar um pouco para fora de sua zona de conforto, os resultados continuam sendo genéricos. Óbvio que ninguém escuta um disco do Nickelback esperando poesia de alto nível, afinal a banda sempre foi rotulada como clichê e demasiadamente radio-friendly. Em seus últimos discos o grupo até moveu-se para um território mais pesado, uma transição que começou com “Dark Horse” (2008) e está sendo concluída com “Feed the Machine”. Mas, o que é mais surpreendente é que, apesar de percorrer um estilo mais rígido e pesado, “Feed the Machine” ainda mantém-se acessível e básico. O melhor momento da banda no álbum é quando ela afasta-se do seu protótipo enlatado e abraça suas raízes metaleiras.

Essa abordagem heavy-metal e metal-alternativo é colocada ao lado de um aceno progressivo, em faixas como “Feed the Machine” e “The Betrayal (Act III)”. Entretanto, duas ou três boas faixas não são suficientes para salvar um registro com baladas superficiais como “After the Rain” e “Silent Majority”. Os péssimos efeitos vocais em “After Rain” abafam totalmente os riffs decentes e o solo bem feito da mesma, e servem como um lembrete do quanto Nickelback pode ser terrível. É uma canção completamente desprovida de qualidade. “The Betrayal (Act III)”, por outro lado, que aparece misteriosamente antes de “The Betrayal (Act I)”, fornece um som rock muito mais interessante. Nessa faixa, eles provam que podem compor riffs inteligentes e pesados quando querem. A faixa-título, “Feed the Machine”, por sua vez, também oferece um som mais sólido e consistente. Uma canção de metal-alternativo que, de certa forma, mostra que a banda amadureceu liricamente.

Suas letras possuem uma natureza assombrosa que, misturada com os sons poderosos do baixo, guitarra e bateria, produz uma audição expressiva e impactante. Embora a ponte instrumental contenha uma ruptura, a música rapidamente se torna dominada por riffs intensos e potentes. Na maioria das vezes, Nickelback deixa os riffs e batidas pesados ​​de lado e recorrem a um som que as pessoas estão acostumadas a ouvir. “Home” e “Every Time We’re Together” são dois bons exemplos disso. “Every Time We’re Together” ostenta alguns pontos fortes, usufruindo de melodias cativantes e uma batida particularmente sólida. O problema é que a falta de grandes vocais e um forte conteúdo lírico a impede de ser um destaque. “Must Be Nice” também apela para o heavy-metal e é outra faixa dramaticamente intensa. Os violentos strums de guitarra e os vocais expressam a raiva de Chad Kroeger. No entanto, não é uma faixa que consegue tecer o seu caminho de forma totalmente eficaz.

Enquanto o ritmo acelerado pode atrair os fãs, há sons desconexos por toda parte. O segundo single, “Song on Fire”, pode ser considerado um sopro de ar fresco e uma pausa bem-vinda depois do peso das faixas de abertura. Uma balada mid-tempo de rock que abre com licks polidos de guitarra e uma leve batida de apoio. Ela constrói sua força ao longo dos versos, antes do refrão entrar e causar uma erupção. Sua letra possui um senso de desespero e lado emocional, estranhamente apaziguado pelos vocais de Kroeger. “Song on Fire” é um número tradicional do Nickelback, pois é uma balada pungente e radio-friendly. Entretanto, não deixa de ser uma faixa sem inspiração e essencialmente uma cópia dos seus maiores sucessos do passado. Escrito por Chad Kroeger, a faixa contém letras como: “As primeiras palavras que saem / E eu posso ver essa música sobre você / Eu não posso acreditar que eu posso respirar sem você / Mas tudo que eu preciso fazer é continuar”.

Por causa de linhas como essa, muitos especularam que “Song on Fire” foi escrita para a sua ex-esposa, a cantora Avril Lavigne. Dificilmente alguma faixa desse álbum vai atingir o mesmo nível de sucesso de faixas como “How You Remind Me”, “Someday”, “Photograph”, “Far Away” ou “Rockstar”. Chad Kroeger e Ryan Peake realizaram alguns solos interessantes ao longo do repertório. No entanto, as guitarras não salvam um disco que, nas outras seções, não traz nada de diferente do que o Nickelback fez ao longo da última década. Todos deveriam ouvir “Feed the Machine” sem preconceitos, mas não dá para se enganar: Nickelback continua sendo o mesmo Nickelback. Eles só conseguem se desviar um pouco do habitual quando, ironicamente, deixam de ser eles mesmos. Infelizmente, “Feed the Machine” é outro álbum incrivelmente esquecível. Dado as habilidades limitadas da banda em termos de modulação artística, “Feed the Machine” é tão fraco quanto qualquer outro álbum de sua discografia.

Favorite Tracks: “Feed the Machine”, “Song on Fire” e “The Betrayal (Act III)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.