Resenha: Nick Jonas – Nick Jonas

Lançamento: 20/11/2014
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Island Records
Produtores: Jason Evigan, Nick Jonas, Sir Nolan e David Massey.

Em 20 de novembro de 2014, Nick Jonas lançou o seu segundo auto-intitulado álbum através da gravadora Island Records. É o primeiro trabalho solo do cantor desde 2004, época em que lançou o disco “Nicholas Jonas”. Também é o primeiro trabalho musical do astro após a separação definitiva dos Jonas Brothers. Esse registro marca uma mudança artística de Nick Jonas, sendo mais voltado para o R&B ao invés do pop rock de sua antiga banda. Após o fim da “The Neon Lights Tour”, turnê da cantora Demi Lovato, Nick, que era diretor musical e criativo da mesma, deu uma entrevista a revista Rolling Stone revelando o seu novo projeto solo. O cantor disse: “Algumas coisas já estão feitas e prontas para serem lançadas (…)”. O álbum, que conta com um total de 11 faixas na versão padrão, traz colaborações com Mike Posner, Angel Haze e a própria Demi Lovato. Sem dúvida esse novo material de Nick Jonas é muito mais maduro e arriscado que seus trabalhos anteriores, sejam solo ou em grupo. Nos Estados Unidos estreou em #6 lugar na Billboard 200, ao vender 37 mil cópias em sua primeira semana.

Atualmente, o disco já ultrapassou a marca de 187 mil cópias comercializadas apenas em territrório norte-americano. Nick Jonas, hoje com 22 anos, começou sua carreira solo em 2004, aos 11 anos, antes de embarcar no grupo Jonas Brothers ao lado de seus irmãos Joe e Kevin. Ele chegou a estrelar a série original do Disney Channel, “Jonas LA”, como Nick Lucas ao lado de seus irmãos. Além de atuar nos filmes “Camp Rock” e “Camp Rock 2: The Final Jam”, também da Disney, em 2008 e 2010, respectivamente, ao lado de Demi Lovato, Joe e Kevin. Em 2010, Nick também chegou a formar a banda Nick Jonas & The Administration e lançar um álbum, intitulado “Who I Am”, que chegou a estrear em #3 na Billboard com cerca de 82 mil cópias vendidas. Porém, a banda não lançou outros trabalhos, visto que era apenas um projeto paralelo de Nick Jonas, enquanto ainda estava no Jonas Brothers. Com esse auto-intitulado disco, Nick provou de vez que pode muito bem se destacar em carreira solo. O álbum reflete a sua maturidade adquirida, bem como mostra um charme, estilo Justin Timberlake, que ele ainda não havia demonstrado.

O seu novo som definitivamente funcionou bem, sua entrega transmite confiança, enquanto ele canta sobre toda a luxúria da vida adulta, da qual foi reprimido há anos. Nicki disse que para esse disco suas maiores inspirações foram Prince e Stevie Wonder, artistas ricos em qualidade, dos quais ele pôde canalizar para fornecer com clareza suas habilidades melódicas. O álbum é por vezes bem old-school, com boas inspirações do pop e R&B dos anos 1990. E embora seu vocal seja um pouco limitado, ele sabe como implementar uma doçura e sedução que mantém as coisas animadas e atraentes. O álbum começa com o forte primeiro single, a música “Chains”, responsável por revelar sua nova imagem artística para o público. É uma canção mid-tempo de R&B, que acumula-se muito bem até entregar um ótimo refrão. Os vocais atraentes e suaves de Jonas são colocados perfeitamente sobre uma batida pesada e minimalista, um presente do produtor Jason Evigan. Sua letra fala sobre ser preso em um romance, com o cantor combinando todos os aspectos de sua habilidade musical para executá-la com versos astutos que grudam na cabeça. Nick declara cantando: “Try to break the chains but the chains only break me”.

Nick Jonas

A segunda música do disco e também segundo single, é “Jealous”, que assim como a faixa anterior, mantém o mesmo ritmo durante quase toda sua execução. Porém, esta cresce em direção a uma vibe dos anos 1970, algo que a tornou cativante o suficiente para figurar no Top 10 da Billboard Hot 100. É uma das canções pop mais radio-friendly de 2014, com ótimas melodias e uma produção incrível. Seu vocal cru soa muito bem no sincero e insolente refrão: “It’s not your fault that they hover, I mean no disrespect / It’s my right to be hellish, I still get jealous / ’Cause you’re too sexy, beautiful / And everybody wants a taste”. A terceira faixa, a up-tempo “Teacher”, é uma das mais viciantes do álbum. Um pop e funky oitentista, aparentemente muito influenciado pelo Prince, com uma vibe retrô extremamente divertida. Sua letra é otimista e sensual, enquanto a produção, como um todo, ficou especialmente interessante. O falsete de Nick ainda soa muito perfeito quando ele canta: “Why you do me wrong, why you do me wrong”.

A balada “Warning”, por sua vez, atrasa um poucos as coisas com sua letra mais profunda. Aqui, Nick descreve estar preso em sua própria cabeça: “I keep trying to escape / From this cage that I live in / This prison in my head”. O refrão otimista é tão cativante quanto o das primeiras faixas, funcionando bem com sua batida mid-tempo, embora eu ache que teria ficado até melhor em um ritmo moderado. A faixa seguinte, “Wilderness”, destaca-se por seu piano melódico e vocais de fundo, caracterizando-se em outra canção insanamente grudenta. Enquanto, em sua letra Nick não fica com vergonha de admitir que gosta de sexo: “Naked as the day we were born / Did you know it could feel like this? / I’ll take your body back, take it back, take it back to the wilderness”. Outra música irresistível é “Numb”, com a rapper e cantora Angel Haze, que segue o mesmo modelo trap-pop de “Dark Horse” de Katy Perry e Juicy J. Na música encontramos Nick Jonas entrando em um pop mais obscuro e sensual, que inclui elementos de hip-hop e um sintetizador viciante.

Nick Jonas

Co-escrita por Mike Posner, a pista lida com a dor de cabeça que geralmente vem após um término de namoro desagradável: “Smile on my face / To cover the hurt / Spent so much time / But what was that worth?”, pergunta Nick. Em seguida, Jonas volta para o pop na faixa “Take Over”, uma música tão pop que ainda contém os famosos “Na Na Na Na”. É a canção mais curta do disco e, provavelmente, a mais sexual, com letras como: “Let your naughty talk and dirty thoughts for me / Take over, take over, take over”. Os vocais suaves de Nick, assim como seu falsete, estão ótimos o que cooperou na entrega de outra faixa muito cativante. “Push”, oitava faixa, é outra música incrível, pois Nicki Jonas flexiona suas habilidades em falsete notavelmente aqui. Uma balada exuberante, onde ele consegue alcançar perfeitamente as notas altas e revelar sua persona vulnerável através da profundidade da letra (“Hold me tight enough to kill me / Bite my tongue so I can’t speak / Clip my wings so I can’t fly / Bury me deep but I won’t die”).

“I Want You” possui uma pegada rock, porém, com vocais e conteúdo lírico bem comerciais. Essa explora mais o lado ciumento e possessivo de Nick, com ele declarando: “I want you for myself / I want you and nothing else girl / No one acting confused / I’ve got nothing to lose / I want you and I can’t have you / Then no one wil”. Em “Avalanche”, o cantor mantém uma bonita química com a cantora Demi Lovato. É uma balada bastante segura, graças às suas crescentes harmonias e vocais. Pode não ser uma música muito emocionante, mas fez o requisito com suas metáforas terrivelmente simples. A última canção é a lenta e madura “Nothing Would Be Better”, onde Nick Jonas fornece vocais melódicos e letras sinceras. Pode até parecer outra balada pós-separação, mas o cantor compartilhou que trata-se na verdade de “uma música pessoal sobre sua família”.

No geral, o mais recente álbum de Nick Jonas é o que definitivamente melhor descreve o seu atual momento. Ele saiu de sua zona de conforto e ofereceu um ótimo material a partir de um padrão pop moderno. Este álbum é uma mistura irresistível de R&B, funky e pop, que foram combinados muito bem. Nick está crescendo rapidamente e foi muito bom ver que isso refletiu em sua música. De alguma forma, ele conseguiu fazer um disco pop sem perder a textura áspera de seu vocal. Pode não conter uma profundidade lírica esplêndida, no entanto, musicalmente, está em um bom nível. Este trabalho fez despertar o interesse de muita gente, com eu incluso, para ver o que acontece com sua carreira solo. Sinceramente, eu acredito que ele vai sustentar tudo por conta própria e terá um futuro brilhante pela frente, caso mantenha e/ou supere o seu atual momento artístico. Enfim, eu super recomendo esse segundo álbum solo de Nick Jonas, pois é um material que além de demonstrar personalidade, possui muita qualidade rítmica e vocal.

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Favorite Tracks: “Chains”, “Jealous”, “Teacher”, “Numb (feat. Angel Haze)” e “Push”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.