Resenha: Nick Jonas – Last Year Was Complicated

Lançamento: 10/06/2016
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Island Records
Produtores: Nick Jonas, Jason Evigan, Sir Nolan, Mattman & Robin, Max Martin, Ali Payami e Shellback.

Em 10 de junho de 2016, Nick Jonas lançou o seu terceiro álbum de estúdio solo. O disco, nomeado de “Last Year Was Complicated”, apresenta um som pop e R&B na mesma veia que artistas como Ne-Yo e Robin Thicke. O álbum vê Nick Jonas reunindo-se com produtores frequentes, como Sir Nolan (“Jealous”) e Jason Evigan (“Chains”). Além disso, o álbum conta com novas colaborações, incluindo Tove Lo, Big Sean e Ty Dolla $ign. Seu registro anterior serviu como uma introdução e mostrou do que ele é capaz de oferecer como artista solo. “Last Year Was Complicated” possui uma abordagem mais focalizada, ao passo que examina os seus relacionamentos. Em suma, é um registro sobre rupturas amorosas, mas que não fica o tempo todo em momentos emocionais. Ao todo, é um álbum muito coeso, embora possua diferentes gêneros musicais em seu núcleo.

O que o torna linear são os temas, pois fala apenas sobre relacionamentos. Nick Jonas é um bom compositor, tanto que possui créditos em várias faixas. As letras têm uma natureza simplista, mas conseguem transmitir alguma emoção e autenticidade. A combinação de letras simples com assuntos universalmente relacionáveis, dá um grande apelo popular para o álbum. Enquanto “Last Year Was Complicated” não traz nada de diferente de álbuns similares do gênero, ele consegue mostrar um vislumbre do mundo amoroso de Nick Jonas. Não há realmente qualquer faixa de assinatura no disco, mas muitas são radiofônicas e comerciais. Vocalmente, ele leva uma rota mais contida do que poderia ter tomado, mas o seu tom e falsete são muito bem executados. “Last Year Was Complicated” é um álbum que você realmente poderia esperar de Nick Jonas.

O estilo R&B explorado no disco anterior, encontra-se numa presença mais forte aqui. Refrões pegajosos são alimentados com letras fácies de cantar, para que fiquem presos em sua cabeça. Produtores como Evigan e Sir Nolan tiveram um papel ainda maior neste LP e, enquanto a produção é grande, os ritmos ás vezes são repetitivos e com poucas surpresas. “Voodoo”, a música de abertura, é interessante o suficiente para introduzir o disco. Sua batida simples, baixo pesado, harmonias catchy e efeitos sonoros, combinam com o título. Apesar de algumas letras um pouco desajeitadas, a canção serve como um bom ponto de partida. Como o título sugere, o cantor fala sobre estar em uma relação quase abusiva. Em seguida, ele aborda um ritmo synthpop e funky no single “Champagne Problems”.

Nick Jonas

É outra canção bem otimista, que usa o álcool como metáfora durante a letra. A construção lenta e sexy do primeiro verso cria um ritmo muito bom, à medida que o constante vocal de Nick Jonas coincide com a batida up-tempo. É uma canção que analisa os efeitos do fim de um relacionamento. Enquanto a produção e os riffs não são inovadores, a atitude de Nick é muito autêntica. O primeiro single do álbum, “Close”, vê Nick Jonas contracenando com Tove Lo em uma slow-jam extremamente sensual. É um dueto pop e R&B tradicional, no quesito estrutura, mas com uma composição bem contemporânea. A introdução é atraente, sutil e a performance vocal encantadora. Sob os cuidados de Mattman & Robin, a instrumentação é simplista, energética e o ritmo bem down-tempo. As batidas são sedutoras, o refrão bem melódico e os sons eletrônicos texturizados.

Durante toda a música, as coisas permanecem bem complexas e minimalistas. Sua produção pop é um tanto quanto alternativa, se comparada com alguns sucessos do momento. A química vocal de ambos artistas também é algo evidente e destaca-se. A canção é fortemente influenciada pelo R&B e impressiona pela elegância e vocais suaves. É realmente uma canção incrivelmente sexy, que exala uma intensidade e mostra um amadurecimento na entrega vocal de Nick Jonas. Aparentemente, o cantor não demonstra ter medo de mostrar sua sexualidade e abraça a vibe R&B da melhor maneira possível. A segunda parte da canção é interpretada por Tove Lo, que usa seu talento e mostra um pouco da sua voz irresistível. Ela é melancólica quando necessário, e adiciona uma harmonização e tessitura de qualidade para os vocais de Nick Jonas.

“Perto, ooh / Ah, tão perto, ooh / Te quero perto, ooh / Pois ‘espaço’ é só uma palavra / Inventada por alguém com medo de chegar perto”, eles cantam no refrão. Ambos conseguem exalar uma vulnerabilidade muito agradável. A confessional balada “Chainsaw” resume perfeitamente as emoções por trás de Jonas, quando o seu relacionamento acabou inesperadamente. Aqui, o cantor está revisitando uma experiência perturbadora que o afetou profundamente. “Talvez eu vou usar uma motosserra no sofá / Onde eu segurei seu corpo perto por tanto tempo, tanto tempo”, ele canta, antes de prometer “Eu vou quebrar toda essa merda de louça / Porque é apenas mais um lembrete de que você se foi, você se foi”. Tudo indica que essa música mostra o seu estado emocional, após o término de namoro com Olivia Culpo.

O cantor brilha em suas declarações sobre o amor, embora os vocais não cheguem no mesmo nível das letras. Sonoramente, “Chainsaw” é um número de R&B encantador que está entre os destaques do álbum. “Touch”, por sua vez, é uma canção onde Nick Jonas experimenta sons ainda inexplorados. Liricamente, ele fala sobre o período de um relacionamento onde ambos indivíduos não conseguem ficar longe um do outro. A música abre através de um dedilhar de guitarra acústica e apresenta um coro quase acapela. É um lembrete gentil para os ouvintes de que Nick Jonas não se esqueceu de suas raízes. É uma canção muito agradável em sua simplicidade que distingue-se da problemática faixa “Good Girls”, com Big Sean. “Quando foi que essas meninas boas decidiram ser más? / Dançando em cima das mesas, se vingando dos pais”, Nick canta no refrão.

Nick Jonas

Com linhas como essa, percebemos o quanto a letra é controversa e questionável. Musicalmente, “Good Girls” é uma faixa de R&B fortemente influenciada pelo hip-hop. Sua ranhura é simples e sedutora, mas, por outro lado, é uma música sem qualquer surpresa. Na sequência de “Close”, com Tove Lo”, Nick Jonas lançou outra colaboração como single. “Bacon”, com o rapper Ty Dolla $ign, também ajudou no trabalho de divulgação do álbum. Nesta música, o cantor destaca algumas coisas que ama mais do que ficar preso à sua ex-namorada, e o bacon é uma delas. É sem dúvida uma das faixas mais divertidas, cativantes e despreocupadas do registro. “The Difference” é talvez a canção mais sexy do álbum, considerando que a maioria das faixas são. O alcance vocal e falsetes de Nick Jonas estão em plena exibição aqui.

É uma pista mid-tempo, com uma ótima melodia, onde o cantor tenta mostrar ao seu interesse amoroso, o porquê ela não deve se separar dele. A vibe anos 90 de “Don’t Make Me Choose” parece um retrocesso inesperado para o hit “Jealous”. Mas, apesar da batida similar entre as duas, “Don’t Make Me Choose” parece mais uma versão atualizada e amadurecida. Liricamente, a canção sugere que Nick está se sentindo dividido entre a sua carreira e os relacionamentos amorosos. “Under You” é outro single muito cativante e sedutor por si só. O baixo pulsante e os ótimos falsetes de Nick Jonas guiam a canção completamente. Letras como, “Então eu nunca vou superar / Não estar por de baixo de você / Estar sob você”, resumem tudo. O videoclipe de “Under You” ainda dispõe da presença da estrela de Pretty Little Liars, Shay Mitchell, contracenando com Nick Jonas.

“Unhinged”, título original do LP, configura-se em grande potencial, enquanto Jonas canta sobre ter medo de compromissos. Cada música no álbum tem seu próprio recurso e acrescenta algo para o mesmo. Essa balada de piano, por exemplo, destaca-se pela influência gospel, belos falsetes, entrega confessional e as harmonias. O álbum termina com a faixa “Comfortable”, outro número muito simpático. É uma mistura interessante de pop, dance, R&B e hip-hop, e um bom reflexo do seu som. A única coisa desnecessária nessa música é a amostra da histórica coletiva de imprensa de Allen Iverson. Nick Jonas é claramente um homem mais maduro que, nos últimos anos, foi se distanciando do seu passado nos Jonas Brothers. “Last Year Was Complicated” não é perfeito e possui suas falhas, mas tem seus pontos altos. Nick Jonas está indo na direção certa e conseguiu apresentar algumas composições e produções de destaque.

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Favorite Tracks: “Champagne Problems”, “Close (feat. Tove Lo)”, “Chainsaw”, “Bacon (feat. Ty Dolla $ign)” e “Under You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.