Resenha: Niall Horan – Flicker

Lançamento: 20/10/2017
Gênero: Folk Pop
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Julian Bunetta, Greg Kurstin, Jacquire King, AFTERHRS, Mark “Spike” Stent e TMS.

Nascido na Irlanda, Niall Horan é mais conhecido por seu trabalho no One Direction. O grupo tornou-se uma das boybands mais famosas dessa geração, algo equivalente aos Backstreet Boys e NSYNC no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Com sua carreira em espiral, eles decidiram fazer um hiato em busca de novos horizontes musicais. Muitas vezes ofuscado por seus companheiros, é bom ouvir a voz de Niall Horan no centro das atenções. Ele é um cantor talentoso que realmente pode brilhar em determinadas músicas, uma vez que há paixão e doçura em seu tom que eleva a maioria dos refrões. O seu primeiro álbum solo, “Flicker”, é maduro, atraente e pesadamente infundido pelo folk. Ele trabalhou com vários produtores, incluindo os gostos familiares de Julian Bunetta e AFTERHRS. Além do folk, no álbum existem influências de rock, pop, country e até mesmo soul. Enquanto Zayn optou por explorar um R&B sexy e Harry Styles um rock experimental, Niall Horan permaneceu num território acústico, honesto e sensível. Ele conseguiu criar uma coleção coesa que atravessa alguns gêneros sem grandes complicações. As letras são simples e exploram o amor e relacionamentos, enquanto ele possui créditos de escrita em todas as dez faixas. Sem dúvida é bom ver um artista tão envolvido no processo criativo. Como um todo, “Flicker” me impressionou principalmente pela maturidade e talento de Horan.

O álbum possui uma curta duração, mas consegue entregar algumas faixas muito cativantes. O repertório começa com uma vibe funk que cria uma batida constante em “On the Loose”, uma atraente canção que fala sobre uma garota que está em sua mente. Os riffs de guitarra que aparecem sobre os tambores e a linha de baixo emitem uma sensação muito agradável e divertida. O primeiro single, “This Town”, foi o primeiro vislumbre que tivemos da carreira solo de Niall Horan. Uma canção pop acústica e folk incrivelmente despojada e emocional. “Acordo para te beijar e não tem ninguém / O cheiro do seu perfume ainda está no ar”, ele canta na introdução. “Seeing Blind”, um dueto com Maren Morris, apresenta um território meio incomum para Horan. Há uma composição acústica, suave e crescente sobre uma bela influência country. O segundo single, “Slow Hands”, mantém a vibração simplista de “This Town”, embora mostre um novo lado dos seus vocais. Aqui, o cantor foi capaz de criar uma imagem que consegue ressoar na mente de qualquer ouvinte. O estilo descontraído e despreocupado da produção incorpora aplausos, pisadas orgânicas, sons funk-pop e uma guitarra acústica no centro de tudo. “Eu só quero aproveitar esse momento / Nós podemos fazer isso, querida, a noite toda / Pois eu te quero muito / Sim, eu te quero, querida”, ele canta aqui.

O conteúdo lírico foi uma surpresa bem-vinda, enquanto a produção e progressão mantêm um tom infeccioso. Lançado em 15 de setembro, o terceiro single, “Too Much to Ask”, é outra canção extremamente despojada e infecciosa. Uma balada de piano vulnerável e promissora, onde Niall Horan depende de sua minimalista sedução vocal. “Paper Houses”, por sua vez, é a melhor representação da maturidade do jovem cantor. Outra canção que encaixa-se no gênero acústico, destacada principalmente pelo violão, percussão e conteúdo lírico: “Sim, paguei o preço e tenho as cicatrizes / Por que escalamos e caímos tão longe?”. Produzida por Greg Kurstin, a mid-tempo “Since We’re Alone” possui um balanço sereno, escuro e muito pegajoso, enquanto a faixa-título, “Flicker”, explora algumas questões do coração sobre uma bela orquestração de cordas. “Quando você deita e está dormindo / Ouça a sua respiração / E te digo coisas que você nunca ouviu antes / Fazendo perguntas para o teto / Sem nunca saber o que você está pensando / Temo que o que tivemos acabou”, ele reflete. Embora seja inofensivo, “Flicker” é um álbum sólido, honesto, sensível e surpreendentemente maduro. A maior parte do repertório é gentil, minimalista e construído para destacar os vocais e letras. Provavelmente, o que mais se destaca no álbum é a boa composição. Todas as faixas são cruas, sinceras e mostram perfeitamente quem Niall Horan é como artista.

Favorite Tracks: “On the Loose, “Slow Hands” e “Too Much to Ask”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.