Resenha: Neon Trees – Pop Psychology

Lançamento: 22/04/2014
Gênero: Pop Rock, Synthpop, New Wave
Gravadora: Mercury Records / Def Jam
Produtores: Tim Pagnotta.

A banda Neon Trees, donos do hit “Animal”, lançou o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado “Pop Psychology”, em 2014. Esse álbum baseia-se na vida pessoal do vocalista Tyler Glenn que, recentemente, passou por grandes acontecimentos, incluindo sessões de terapia e assumir-se publicamente como homossexual. “Em alguns momentos há um grito de socorro e tristeza, mas eu acho que tem uma verdadeira diversão pop no coração desse álbum e algo com uma grande mensagem”, disse Tyler Glenn à respeito do “Pop Psychology”. O seu primeiro hit, “Animal”, continua sendo um modelo para várias músicas da banda, por isso faz sentido eles se reunirem apenas com o produtor Tim Pagnotta. Ele ajudou a construir novas ondas de synthpop e colocar os pontos fortes de Glenn nos vocais. O primeiro single do disco foi “Sleeping with a Friend”, uma canção que lembra tendências dos anos 1980. Uma boa escolha por sinal, essa é uma das que mais se destacam no álbum.

A primeira faixa, “Love in the 21st Century”, é brilhante, lembra muito os trabalhos anteriores deles e oferece um pop-rock elegante em cima de sintetizadores e palmas. É incrivelmente contagiante e descreve a dificuldade do amor moderno com um grande toque de humor. “Text Me In the Morning” tem uma estrutura muito semelhante a faixa de abertura, uma canção verdadeiramente cheia de energia. Ela continua mostrando um lado mais sútil no instrumental, trazendo técnicas peculiares e velhos truques da banda. Sua letra engloba com precisão o individual e a juventude promíscua dos tempos modernos, oferecendo versos como: “You tell me you’re tipsy / I tell you you’re pretty / We could spend the night if you’re still sure / But text me in the morning”. O primeiro single, “Sleeping with a Friend”, é uma das minhas favoritas, realmente uma música incrível e viciante. Uma reminiscência do disco dos anos 1980, com um lirismo satírico, bons sintetizadores e acenações para o soft-rock.

“Teenager in Love” é outro destaque, onde a banda consegue dar uma agitada extra. Com um pop poderoso e impressões de rock, é uma faixa muito parecida com algumas canções de Tom Pretty. A letra leva uma visão negativa sobre o mundo do protagonista: “He’s a teenager in love / What a tragic attraction / What’s the point of romance?”. “I Love You (But I Hate Your Friends)” fornece para o ouvinte uma linha predominante de baixo, além de uma guitarra melódica e um ótima estrutura. O seu título é bem ousado, na mesma medida que a faixa possui elementos suficientes para tal. “Unavoidable” oferece uma boa mudança de tom, com Glenn e a baterista Elaine Bradley cantando juntos em harmonia. Uma faixa pronta para as rádios e com um conteúdo lírico bem simplista (“You are the magnet / I am metallic / So do what you do to me”). Enquanto isso, a frieza da balada “Voices in the Hall” funciona como uma lamentação pessoal e transmite, liricamente, uma enorme carga de tensão. Entretanto, o seu riff de sintetizador, que arrasta-se por toda sua duração, é um pouco irritante.

Neon Trees

“Foolish Behavior” segue o mesmo modelo do primeiro single, apresentando tendências oitentistas e um dos refrões mais fortes do registro.  “Living In Another World”, por sua vez, consegue transmitir uma grande vulnerabilidade que acaba mudando a direção do álbum. “I found out how to trust myself / I found out I’m stronger than the pills”, assim canta Gleen tentando lutar contra a depressão de forma confiante e motivadora. Nessa faixa, o vocalista também fala sobre sua recente decisão de declarar ao público que é homossexual: “I guess I’ve always been this way, it’s been hard for me to say”. É, provavelmente, a música mais profunda e pessoal do álbum. Em seguida, na faixa de auto-motivação, “First Things First”, Gleen canta: “It began when I learned how to face myself / And I’m still deciding if I’m something else / I’m a million different people all the time / But there’s only one of me to get it right”.

Uma canção mais séria, onde ele aconselha aos ouvintes que encontrem um lugar para sentirem-se mais confortáveis, enquanto que o mais importante é sempre serem eles mesmos. O disco termina com “American Zero” (bônus da versão do iTunes), uma canção despreocupada e otimista que representa perfeitamente a banda. O mix de energia e discernimento do “Pop Psychology” faz dele um material de 40 minutos que move tanto o corpo como a mente. Mesmo não sendo levado tão a sério, o Neon Trees conseguiu fazer algumas de suas melhores e mais sinceras músicas. Portanto, não é surpreendente que seja o álbum mais confessional, mesmo que Tyler Glenn e companhia ainda se divirtam com suas crises emocionais. Com certeza, esse novo trabalho tornou-se um verdadeiro som terapêutico para o Neon Trees, um quarteto que vem tornando o nome da banda bem popular desde o hit “Animal”.

O conceito aqui é claro: a paixão e o romance têm seus altos e baixos, mas que, apesar de tudo, é uma questão de cuidar de si mesmo e encontrar o que você realmente merece. A capa do álbum mostra a banda sentada em um cérebro enorme, provavelmente refere-se ao mundo de Gleen, que entre diversos acontecimentos, superou recentemente a depressão. “Pop Psychology” possui algumas de suas letras mais honestas, além de melodias brilhantes que, certamente, agradou os maiores fãs da banda. É um álbum sólido e com uma produção elegante, que permitiu a voz de Gleen brilhar e vibrar através de combinações perfeitas de belas melodias e ondas synthpop. Neon Trees ofereceu um pouco de sua música mais madura e consistente de forma cativante e energética. E, embora não seja algo necessariamente inovador ou maravilhoso, é um disco divertido, que faz você viajar através da mente criativa de Tyler Gleen.

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 Favorite Tracks: “Love In the 21st Century”, “Sleeping With a Friend”, “Unavoidable” e “Foolish Behavior”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.