Resenha: Neon Jungle – Welcome to the Jungle

Lançamento: 28/07/2014
Gênero: Eletropop, Dancepop, EDM
Gravadora: RCA Records
Produtores: Snob Scrilla, soFLY & Nies e Fear of Tigers.

Neon Jungle é um girl group britânica de 4 membros, formado por Shereen Cutkelvin, Amira McCarthy, Jess Plummer e Asami Zdrenka. O grupo foi formado pelo gerente musical David Cooper, através de um processo de audições, que durou três meses, em novembro de 2012. Amira McCarthy e Jess Plummer foram, inicialmente, observadas separadamente quando faziam compras em Londres, enquanto Shereen Cutkelvin e Asami Zdrenka foram encontrados através de seus vídeos solos no YouTube. Posteriormente, o grupo assinou um contrato com a gravadora RCA Records e batizaram-se de Neon Jungle. De acordo com Plummer, esse foi o nome escolhido porque “neon é corajoso, brilhante, forte, enquanto, jungle (selva) é dito como a loucura delas”. Em agosto de 2013, elas lançaram o seu primeiro single, “Trouble”, que atingiu a 12ª posição na parada de singles britânica. Durante outubro do mesmo ano, o grupo apoiou a cantora Jessie J em algumas datas da “Alive Tour”. O seu segundo single, “Braveheart”, foi ainda mais bem sucedido, chegando a alcançar a #4 posição no Reino Unido.

Como promoção, Neon Jungle se apresentou em vários festivais de música no Reino Unido em meados de 2014, antes do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Welcome to the Jungle”. Lançado em julho de 2014, o disco apresenta composições e/ou produções de Charli XCX, Cassie Davis, Fear of Tigers, Snob Scrilla e soFLY e Nius. As garotas descreveram o álbum como tendo a mesma energia e atitude de seus singles, bem como cru, despojado e versátil. Dentre as 10 faixas de sua versão padrão, o registro apresenta um cover de “Waiting Game” da cantora Banks, que declarou publicamente sua insatisfação pelo cover ter sido divulgado antes do lançamento oficial do seu álbum “Goddess”. Enquanto isso, entre as faixas da versão deluxe, temos um cover da canção “Take Me to Church” do irlandês Hozier. Neon Jungle é um grupo realmente talentoso, com certa originalidade e ideias bem executadas. O “Welcome to the Jungle” pode ser classificado como uma estreia sólida, com algumas faixas de absoluto destaque. As garotas são vocalistas talentosas e sua musicalidade pop inspirada pelo funky é muito refrescante. É bom ver bandas femininas, como Neon Jungle, Little Mix e Fifth Harmony, surgirem em um mercado muitas vezes dominado por boybands.

Elas enfatizam que possuem gostos musicais diferentes, entretanto, as quatro concordam coletivamente quando falam das inspirações do Neon Jungle, que são: a banda The 1975, o rapper Drake e os cantores Miguel, Bruno Mars e Rihanna. Musicalmente, há vários estilos predominantes aqui no álbum, desde o EDM ao rap, bem como eletropop e dancepop. Quando algumas faixas aqui transmitem uma sensação genérica é porque realmente são, afinal, o disco é um produto criado totalmente sob cuidados de uma gravadora. O conteúdo lírico foi escrito por quase uma dúzia de pessoas diferentes, bem como pelas quatro membros. Também é justo dizer que as vocalistas não têm muito a ver com o processo criativo, o que deixou o registro, distintamente, transmitir uma falta de personalidade. No geral, liricamente, o álbum fala sobre temas íntimos, preocupações óbvias de jovens, desejos, relacionamentos, entre outros assuntos acessíveis. A primeira faixa, “Braveheart”, é uma das melhores do disco, não foi à toa seu bom desempenho nos charts britânicos. É uma canção com vocais sensuais, uma linha de baixo pesada, rap, sendo ótima para boates e academia, e perfeita para fãs de eletro-pop.

Neon Jungle

A faixa-título, “Welcome to the Jungle”, é outra que está entre as melhores canções do grupo. Embora seja um pouco mais tranquila que “Braveheart”, ainda é uma música de alta energia e uma mistura eclética de pop, EDM e R&B. Foi a forma como o grupo encontrou para das as boas vindas para os seus fãs e ouvintes. A faixa “Trouble” foi o single de estreia das garotas, lançado em 2013 e, sem dúvida, é outro ponto alto do disco. Uma pista EDM poderosa com um refrão bastante cativante (“I don’t look for trouble, but trouble looks for me”) e um ritmo super rápido. Sua batida pulsante é o destaque, pois consegue fazer a música se sobressair mesmo possuindo uma melodia repetitiva. Após três canções agitadas, a balada “Louder” chega e dá uma boa mudança de ritmo no repertório. Sua percussão é bem crescente e o refrão consegue ser emocional, além de apresentar cordas e melodias bem intensas. É uma balada poderosa que permitiu as meninas mostrarem seus talentos vocais. A faixa seguinte, “Can’t Stop the Love”, com Snob Scrilla, permite o grupo abordar e transmitir uma mensagem sobre questões sociais, incluindo violência e racismo. O refrão e as palmas que segue a música dão-lhe alguma potência, mas no geral, a música não é muito dinâmica e o rap de Snob Scrilla ficou totalmente fora do lugar.

“Bad Man” é muito influenciada por Rihanna, uma combinação aleatória de hip hop e música eletrônica. É uma canção realmente contagiante, com uma batida pesada, uma linha de baixo estrondosa e palmas ritmadas, que favoreceram para deixá-la ainda mais atraente. Em “Sleepless in London” o que destaca-se, novamente, é a letra, onde elas abordam a insônia causada pelo sofrimento de não ter um amor correspondido. Porém, a produção de Scrilla, com sua fatia synthpop, não é tão forte e acabou tornando-a um pouco esquecível. A oitava faixa é o cover de “Waiting Game”, da cantora Banks, uma escolha inesperada e intrigante para o Neon Jungle. Entretanto, a interpretação do grupo não conseguiu possuir o mesmo fascínio, profundidade e intensidade de Banks e os seus vocais emocionalmente delicados. Escrita por Charli XCX, a nona faixa é “So Alive”, que possui influências J-Pop e efeitos sonoros que lembram videogames. As letras de Charli respiram criatividade, enquanto a produção eufórica e efervescente destacada pelo refrão, nos deixa ouvir mais um pouco da gama do grupo.

A última canção é “Fool Me”, que possui algumas qualidades semelhantes a faixa “Louder”. Uma balada onde Shereen brilha quando assume o controle sobre o refrão e a carga emocional da música. Ela consegue demonstrar o poder de seus vocais, enquanto ouvimos cordas orquestrais e algumas ótimas harmonias. “Welcome to the Jungle” pode ser considerada uma estreia sólida para o grupo, trazendo músicas eletro-pop divertidas, decentes e que valem a pena serem ouvidas. É um registro meticulosamente executado e realizado, embora tenha poucos flashs de personalidade e algumas faixas de enchimento. Sonoramente, é um álbum com uma colagem das tendências musicais atuais, como o pop, eletrônica, dance e hip hop. Não é um material pobre porque conseguiu fornecer momentos de criatividade, bem como apresentar o Neon Jungle como uma girlband poderosa. Só esperamos que, futuramente, em seu próximo trabalho, o grupo consiga ser ainda mais ousado, para assim conseguir maior destaque na indústria musical.

60

Favorite Tracks: “Braveheart”, “Welcome to the Jungle”, “Trouble”, “Louder” e “Bad Man”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.