Resenha: Neil Young – Peace Trail

Lançamento: 09/12/2016
Gênero: Folk Rock
Gravadora: Reprise Records
Produtores: Neil Young e John Hanlon.

Com uma carreira de seis décadas, Neil Young lançou o seu 37º álbum de estúdio em dezembro de 2016. Ele é um homem de 71 anos que fez algumas das mais belas canções de folk da história. “Peace Trail” foi gravado em apenas quatro dias, algo aparentemente imediato. Nesse novo disco, Young é acompanhado apenas por um baixista e baterista. A primeira coisa perceptível nesse registro é que há luz sobre a produção, mesmo soando áspero e não muito longe de uma demo. Embora seja principalmente acústico, o álbum abre com elétrica faixa-título “Peace Trail”. É uma das canções mais fortes do repertório, com uma forte melodia e bom trabalho de guitarra, mesmo fazendo um uso desnecessário de auto-tune. As canções do álbum sentem-se escritas no momento certo, porém, produziram resultados mistos. Possuem um ar apaixonado, mas as letras de Young muitas vezes são um pouco triviais. A sua voz ainda está cheia de vida e é transmitida com sinceridade, ao mesmo tempo que carrega fragmentos de dor, tristeza e ferocidade. Cada projeto lançado por Young definiu seu legado e refletiu uma direção de pensamentos para a frente. Desde seus pesados focos na guitarra elétrica até algo mais acústico e suave, cada jogada de Young tornou-se sua assinatura. Neste ponto de sua carreira, provavelmente já ouvimos a maioria de suas progressões de acordes de guitarra acústica. No entanto, ainda é bom ouvi-las em faixas como “Can’t Stop Workin'”, “Indian Givers” e “Show Me”.

Musicalmente, essas canções iniciais são bem medianas, com “Show Me”, em particular”, recapturando alguns dos seus trabalhos do passado. É uma canção refinada que inclui temas líricos de agitação política e igualdade. Há alguns pontos brilhantes no “Peace Trail”, conforme Young mostra seu talento para compor e produzir. “John Oaks”, por exemplo. traz o ambientalismo e termina por professar solidariedade com o movimento Black Lives Matter. Aqui, Neil Young está na sua forma mais direta. O álbum também mergulha num padrão irritante de violão durante “Texas Rangers”, enquanto Young torna-se distorcido na paranoia de “Terrorist Suicide Hang Gliders”. “Texas Rangers” possui letras típicas e parece ter sido criada sobre notas rabiscadas às pressas. Outro ponto inconsistente é ouvido no auto-tune arruinado de “My Pledge” e o estranho fechamento “My New Robot”, que parece uma breve e clichê dissertação da vida moderna. Algumas propagações de blues inundam a faixa “Glass Accident”, que corre ao longo de uma produção country cheia de percussão. É uma clássica metáfora de Neil Young sobre responsabilidade política, entregue num estilo semelhante ao glorioso álbum “American Stars ‘n Bars” (1977). Enquanto “Peace Trail” está longe de ser um dos seus melhores trabalhos, a indústria ainda precisa de Neil Young. Com Bob Dylan fazendo covers de Frank Sinatra, é reconfortante saber que Young ainda está de pé. Mesmo nesta fase de sua carreira, o cantor canadense ainda é tão relevante e apreciado como sempre foi. Em outras palavras, apesar das falhas, “Peace Trail” é um disco muito essencial para sua discografia.

Favorite Tracks: “Peace Trail”, “Terrorist Suicide Hang Gliders” e “John Oaks”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.