Resenha: Muse – Drones

Lançamento: 05/06/2015
Gênero: Rock Alternativo, Hard Rock, Rock Progressivo
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Robert John “Mutt” Lange e Muse.

A aclamada banda britânica Muse foi formado em 1994, pelos integrantes Matthew Bellamy (vocal, guitarra, piano, teclado), Christopher Wolstenholme (baixo, vocal de apoio) e Dominic Howard (bateria, percussão e sintetizador). Vencedores de 1 prêmio Grammy, a banda Muse já lançou sete álbuns de estúdio, o último deles emitido esse ano. “Drones” foi lançado dia 05 de junho de 2015, pela Warner Bros, e estreou em #1 na parada americana Billboard 200, vendendo pouco mais de 79 mil cópias em sua primeira semana. Foi considerado, tanto pela banda como por seus fãs, como um retorno a um rock mais consistente com menos experimentação de diferentes gêneros. Mas também é, naturalmente, um disco conceitual e até mais obscuro que o “The 2nd Law” de 2012. “Drones” é político por completo, abordando noções de desumanização, controle mental, desesperança e tecnologia, ou seja, o trio continua completamente ousado. Na produção eles tiveram auxílio do veterano produtor de hard rock Mutt Lange, que já trabalhou com diversas bandas, entre elas Def Leppard e AC/DC. Portanto, como esperado, o álbum possui um som polido, consistente, com riffs poderosos, enormes melodias, vocais crescentes e teclados cinematográficos. Não há como negar que “Drones” é outro material bastante ambicioso, logo já podemos esperar muitas performances energéticas durante a sua turnê de divulgação. Muse não se afastou de seus comentários políticos aqui, começando logo pela capa do álbum que ilustra claramente o controle da mente (arte projetada pelo artista americano Matt Mahurin).

E pelo fato do álbum possuir um conceito bem solto, é muito melhor desfrutar dele por completo, do que apenas ouvir algumas músicas individualmente. Formado por um total de 12 faixas, o disco já abre com o primeiro single, “Dead Inside”. Sobre essa música, Matthew Bellamy disse: “Este é o lugar onde a história do álbum começa, onde o protagonista perde a esperança e se torna ‘dead inside’, portanto, vulnerável às forças escuras introduzidas em ‘Psycho’ e que seguirá ao longo as próximas canções do álbum (…)”. “Dead Inside” é uma canção synth-rock verdadeiramente a cara do Muse, porque tem uma boa batida, comandada por Dominic Howard, um fundo eletrônico pesado, uma linha de baixo viciante e um ótimo trabalho vocal de Bellamy e seus falsetes. É realmente uma boa música, de nenhuma maneira revolucionária, mas é, certamente, uma abertura mais do que satisfatória. As comparações de sua letra com o fim do relacionamento de Bellamy com a atriz Kate Hudson também são inevitáveis, como podemos perceber em alguns versos (“Então me prenda e depois me apague, querida / Você não tem alma?”). O interlúdio “[Drill Sergeant]”, de apenas 21 segundos, serve como uma introdução para a faixa “Psycho”, que vem logo em seguida. Nele ouvimos um áudio onde um sargento repreende seu recruta com frases como: “Se você não fizer o que eu mandar, na hora que eu mandar / Você vai ser punido. Você entendeu?”. “Psycho” serve como uma continuação disso, com letras que são uma representação (um pouco estereotipada) de um recruta do exército sendo brutalizado pelo sargento, que quer transformá-lo em uma espécie de “robô”.

Musicalmente, é uma canção de hard rock que recicla alguns velhos riffs da banda. Os acordes da guitarra são realmente altos e agressivos, e são eles que impulsionam a música. O eletro-rock “Mercy”, segundo single, possui um piano notavelmente semelhante ao de “Starlight” do disco “Black Holes and Revelations”. “Este é o lugar onde o personagem percebe que está sendo superado pelas forças das trevas que foram introduzidas nele em ‘Psycho'”, diz o vocalista Matt Bellamy sobre “Mercy”. É uma canção bastante infecciosa e acaba por suavizar o repertório um pouco, embora também traga fortes acordes de guitarra. Os vocais de Bellamy continuam impressionantes, o cara sempre consegue ser fenomenal quando está por trás de um microfone. “Reapers”, por sua vez, apresenta um fantástico riff principal, uma batida frenética, bem como um impressionante e insano solo de guitarra executado por Bellamy. O refrão é um pouco sem brilho, assim como a letra, mas é sem dúvida uma das melhores faixas do registro, um verdaideiro monstro de música com todas as marcas do gênero hard rock. Começando um pouco lento e com um riff clássico da banda, “The Handler” acelera o seu ritmo e carrega o peso sólido de algumas canções do disco “Absolution” de 2003. A melodia também é típica do Muse, na mesma qualidade o falsete de Matt Bellamy está, mais uma vez, brilhante e emocionante. O interlúdio “[JFK]”, além de palavras faladas (discurso por John F. Kennedy), é acompanhado por guitarras e cordas, que introduz muito bem “Defector”, oitava faixa. Essa é uma música incrivelmente empolgante e com riffs criativos, que se mostram firmemente inspirados pela banda Queen. 

É uma canção realmente muito cativante e agradável, principalmente os seus acordes. “Revolt” é, apesar do título, uma canção otimista e talvez a que mais acena para o pop no registro. Suas letras são um tanto encorajadoras, “Você tem força, você tem alma / Você já sentiu dor, você já sentiu amor / Você pode crescer (você pode crescer) / Você pode fazer deste mundo o que você quer”No entanto, particularmente, eu achei a faixa mais desinteressante e a que passa mais despercebida dentro no álbum. A décima faixa, “Aftermath”, é encantadora e onde Bellamy canta sobriamente sobre precisar de conforto e companheirismo. Certamente, um dos números mais sutis e humanos do disco, caracterizada por um tom mais baixo que o normal. O seu acorde de guitarra, belo, melodioso e emocional, soa como uma balada do U2, e sua estética ainda nos remete ao Pink Floyd. Em seguida, temos a faixa “The Globalist” que possui incríveis 10 minutos de duração. Ela parece ser dividida em três partes, começando com um textura enigmática de quase 3 minutos e comandada por um maravilhoso assobio melódico. Percebe-se que aqui também há, claramente, um toque de Pink Floyd. Depois Bellamy surge com seus vocais melodramáticos e faz a música ficar ainda mais emocionante e pesada. Rapidamente transforma-se em um metal aterrorizante, agressivo e para finalizar, Bellamy é acompanhado por um clássico piano e um orquestra. Em última análise, “The Globalist” parece ser um pouco bagunçada, mas no geral, não faz tão feio. A faixa-título, “Drones”, fecha o álbum e apesar de um pouco estranha, é uma oferta da qual eu me agradei.

É um verdadeiro coral que serviu de vitrine para Bellamy mostrar ainda mais do seu talento vocal. É uma música relaxante, embora seja uma conclusão bizarra com Matt entoando: “Morto por drones / Minha mãe, meu pai / Minha irmã e meu irmão / Meu filho e minha filha”. Bom, no geral, “Drones” é mais um esforço decente do Muse, não o melhor, mas certamente ótimo de se ouvir. Há certas razões para não gostar dele, como a sua pompa um pouco exagerada, algumas letras desajeitadas ou o conceito em si, mas é muito difícil resistir a grandiosidade da banda em outros aspectos. “Drones”, inicialmente, já demonstra ser um álbum até mais focado que “The 2nd Law”, distribuindo riffs fantásticos, grandes melodias e uma estrutura muito sólida. Sua produção é definitivamente muito limpa, suave e profunda, na mesma media que os acordes de guitarra são ricos, a bateria sucinta e incisiva, e o baixo sempre situado firmemente para dar apoio ao trabalho dos outros instrumentos. A grande maioria das músicas conseguem ser muito distintas, interessantes e divertidas de se ouvir. O Muse realmente colocou bastante de sua gama neste disco, é uma grande vitrine do talento coletivo desse talentoso trio. A voz de Matthew Bellamy, em especial, está como sempre foi, um vibrato rico e de forte presença emocional. Ele proporcionou, várias vezes, ótimos vocais e belos falsetes, que auxiliaram na criação de grandes refrões e excelentes melodias. Em última análise, digo que embora possa não ser o seu melhor trabalho, “Drones” é uma obra de hard-rock absolutamente viciante, que deve ter agrado a maioria dos seus fãs. Com ele o Muse provou mais uma vez que ainda tem o poder de surpreender e entreter.

70

Favorite Tracks: “Dead Inside”, “Mercy”, “Reapers”, “The Handler”, “Defector” e “Aftermath”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.