Review: Morrissey – Low in High School

Lançamento: 17/11/2017
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: BMG Rights Management
Produtor: Joe Chiccarelli.

Temos que encarar os fatos: Steven Patrick Morrissey não é mais o encantador líder do The Smiths. No seu décimo primeiro álbum solo, “Low in High School”, lançado em 17 de novembro de 2017, há pouquíssimas coisas interessantes. Mais uma vez, Morrissey reuniu-se com Joe Chiccarelli, com quem trabalhou no disco “World Peace Is None of Your Business” (2014). Semelhante ao mesmo, “Low in High School” explora uma variedade de melodias, estilos e estéticas. À primeira vista, o álbum é pontuado por referências de grande afinidade para o artista de 58 anos, mas a produção carece de uma maior qualidade. É um projeto frequentemente confuso e com mensagens líricas ocasionalmente emocionantes. É uma pena que “Low in High School” não consiga manter uma consistência ao longo do repertório, uma vez que a primeira metade contém algumas ótimas músicas.

Em determinadas faixas, Morrissey foi capaz de fornecer um som divertido com o pano de fundo dramático que merece. Sem Johnny Marr para injetar beleza na produção, o álbum soa como uma aventura musical vazia. Nenhuma faixa do repertório consegue rivalizar com qualquer canção da sua antiga banda. Sua voz também não tem mais o alcance necessário. Claro, isso é em parte devido ao envelhecimento, mas também parece preguiça e falta de esforço. Infelizmente, “Low in High School” não possui toques cheios de nuances e sensibilidade como “Years of Refusal” (2009) ou “Ringleader of the Tormentors” (2006). Ele atinge alguns bons momentos e possui comentários políticos que o distingue de outros discos, entretanto, como um todo, parece uma tentativa indulgente de apresentar algo relevante. Muitas vezes, as canções de Morrissey a partir da década de 2000 pareceram datadas pela produção exagerada e experiência eletrônica.

Embora seja cativante, a segunda faixa do álbum, “I Wish You Lonely”, cai justamente nesta categoria, devido ao arranjo de sintetizadores, cordas e profundidade acústica persistente. Longe do caminho traçado com The Smiths, as letras não sentem-se tocantes ou vivazes. O registro abre com “My Love, I’d Do Anything for You”, uma canção orquestral e pesada. Um número glam-rock que funde um senso pessoal com político: “O inferno da sociedade / Você precisa de mim, assim como eu preciso de você”. A terceira faixa, “Jacky’s Only Happy When She’s Up on the Stage”, por outro lado, é pouco ambiciosa. A melodia polida de guitarra, emparelhada com a bateria sintética e performance vocal sonolenta é muito boring. O primeiro single, “Spent the Day in Bed”, contém uma batida mais elétrica com forte apoio do teclado.

Aqui, ele canta: “Pare de assistir as notícias / Porque as notícias contribuem para te assustar / Para fazer você se sentir pequeno e sozinho / Para fazer você sentir que sua mente não é sua”As letras são tão diretas e óbvias que acabam não tendo o efeito desejado. Em vez de parecer sincero e compreensível, Morrissey parece oportuno e deselegante. Assim como “I Bury the Living”, a última faixa, intitulada “Israel”, possui um teor político. Na verdade, por algum motivo, todas as faixas da segunda metade são abertamente políticas. Ele sentiu a necessidade de expressar sua perspectiva sobre assuntos que envolvem desde a Venezuela até Donald Trump. “Eu não posso responder pelo que os exércitos fazem / Eles não são você / Eles não são você / Eles não são você / Em outros climas eles se enfurecem e resmungam / Só porque você não é como eles / Israel, Israel”, ele canta em “Israel”.

Ambas faixas possem instrumentais complexos e quase cinematográficos, enquanto a entrega vocal de Morrissey e flexibilidade do ritmo ajuda a exemplificar isso. “Israel”, em particular, é uma balada de piano com marcha de tambores, onde o cantor soa comumente sarcástico. “In Your Lap”, por sua vez, pisa num território mais familiar, com um básico riff de piano e cenário atmosférico. Conduzida por simples instrumentos e pouco canto, não agrega tanta coisa ao álbum. Em contrapartida, há alguma diversão durante a faixa “All the Young People Must Fall in Love”. Uma canção emocionante e ao mesmo tempo despojada, construída principalmente por palmas, teclado, trombone e bateria. Musicalmente, “Low in High School” sofre pelo excesso de baladas de piano e influências forçadas que tornam sua audição mais difícil. Embora possua uma superprodução, o álbum peca por não ser tão distrativo, divertido ou consistente.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.