Resenha: MKTO – MKTO

Lançamento: 30/01/2014
Gênero: Pop, Rap
Gravadora: Columbia
Produtores: Emanuel Kiriakou, Evan Bogart, Andrew Goldstein, Jens Koerkemeier, Carl Falk e Rami Yacoub.

“MKTO” é o auto-intitulado álbum de estreia do duo americano formado por Malcolm Kelley e Tony Oller. Inicialmente, foi lançado dia 30 de janeiro de 2014 na Austrália e Nova Zelândia, e, posteriormente, dia 01 de abril, na América do Norte. Comercialmente, estreou em #1 no chart de álbuns australiano e #31 na Billboard 200 dos Estados Unidos. Se você ainda não ouvi falar do MKTO, experiente ouvir “Classic”, canção lançada como segundo single. Provavelmente, você já escutou e não sabe quem canta, porque fez um sucesso considerável em diversos países. O duo fez um bom álbum pop, uma coleção de 11 faixas prontas para as rádios. Confesso que me surpreendi positivamente com esse registro, eles conseguiram lançar um bom material de estreia.

MKTO tem um som único que combina pop, rap e R&B, o que torna as canções deles bem diversas e ecléticas. “Thank You” foi o primeiro single e abre o registro, uma brilhante mistura de pop moderno com elementos de hip hop. Oferece um som muito empolgante e um lirismo espirituoso, juntamente com o melhor rap vindo de Malcolm Kelley, até a presente data. Enquanto “Thank You” é um dos destaques, “Classic” é ainda mais forte. É igualmente cativante como a primeira citada, porém, de uma outra maneira. É uma canção pop e hip-hop bastante divertida, com uma letra instantaneamente viciante e sarcástica. “God Only Knows”, por sua vez, surge em seguida e mantém o bom ritmo, ao entregar vocais poderosos e um refrão super grudento.

Ela começa com um som acústico impulsionado por boas harmonias de apoio e ainda oferece uma excelente batida. “American Dream” inicia com um comunicado – “Do something with your life” – um anúncio feito para prenunciar a positividade da canção. O primeiro verso possui um rap que, consequentemente, a guia para um explosivo refrão executado com vocais crescentes e apoio de bons riffs de guitarra. O cantor Ne-Yo faz uma colaboração com eles em uma das melhores canções, a faixa “Could Be Me”. Co-escrita pelo próprio, essa conta uma história de amor não correspondido e, com certeza, deveria ter sido single. É super divertida, tem bons sintetizadores e um refrão bem envolvente. Na mesma medida, Ne-Yo auxilia positivamente ao entregar suaves vocais em conjunto com o duo.

MKTO

A partir da sexta faixa o álbum dá uma pequena decaída, a começar por “Forever Until Tomorrow” que, apesar de ter uma pegada divertida, passa um pouco despercebida. “Girl I, I’m gonna love you / Forever and ever and ever / Girl I, I’m gonna hold you / forever and ever and ever”, é uma canção de amor que, ao julgar pelo título, parece ser uma balada, mas sua natureza é muito acelerada para poder ser caracterizada como tal. “Wasted”, mesmo soando emocionante, parece faltar algo para ser realmente uma balada inesquecível. Começa com um piano e depois adiciona uma seção de cordas organizadas em conjunto com sinceros vocais de Oller. “I’d give you my heart but I’d just fuck it up / And we’d end up, we’d end up wasted”, a letra é afiada e consegue tocar o ouvinte.

“Heartbreak Holiday” é baseada em experiências pessoais dos cantores e consegue dar mais uma agitada no álbum. Com um ritmo rápido, essa é uma liberação oportuna onde a dupla expressa o quanto odeia o Dia dos Namorados: “Baby, I hate / I freaking hate / (Valentine’s day) valentine’s day”. A abertura de “Nowhere” é certamente sugestiva (“Breakfast in bed, bacon and eggs, she keeps me fed / Breast and some legs / Well done, yeah, well done”) e estranhamente sexista (“You know what I like so give me what I want / And girl I’ll never go nowhere”). Os movimentos de hip hop de Kelley estão lentos aqui e não estão notáveis como de costume. De qualquer maneira, apesar de seus erros, sua sonoridade experimental e mudança de ritmo são bem-vindas. As duas últimas faixas, “No More Second Chances” e “Goodbye Song”, não são faixas necessariamente ruins, entretanto, também não acrescentam nada de novo ao repertório.

O vocal de Jessica Ashley em “No More Second Chances” foi apropriado, embora não seja tão influente como a aparição de Ne-Yo na quinta faixa. Em relação à produção, essa possui batidas mais vagarosas e escuras do que as demais faixas do álbum. A letra é praticamente um estudo da dinâmica de relacionamentos. Enquanto isso, “Goodbye Song” é a primeira canção que Kelley e Oller escreveram juntos e encerra, basicamente, como um resumo dos temas de todo o projeto. Possui notas altas e o mesmo pop divertido das primeiras faixas e, consequentemente, não oferece nada de novo. Esse álbum foi uma boa estreia para o MKTO, as músicas contêm uma ótima energia e evidenciou que a dupla se divertiu em suas produções. Essa boa vibração é transmitida para o ouvinte, principalmente, através das letras e da grande variedade de gêneros apresentada no decorrer de todo álbum.

60

Favorite Tracks: “Thank You”, “Classic”, “God Only Knows” e “Could Be Me (feat. Ne-Yo)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.