Resenha: Miranda Lambert – The Weight of These Wings

Lançamento: 18/11/2016
Gênero: Country, Country Rock
Gravadora: RCA Nashville
Produtores: Frank Liddell, Eric Masse e Glenn Worf.

No mais recente álbum duplo de Miranda Lambert, intitulado “The Weight of These Wings”, encontramos emoções muito profundas. O álbum apresenta dois discos com 24 canções no total, que mostram a forte composição de Lambert. Ela co-escreveu oito das doze faixas no lado “The Nerve”, e todas as doze do lado “The Heart”. Esse novo material é, sem dúvida, o mais honesto que já eu ouvi da cantora. É um disco que mostra uma mulher admitindo suas falhas, explorando seus desgostos amorosos e compartilhando a felicidade de estar com um novo homem em sua vida. O lirismo desse registro é profundo, emocional, confessional e muito sensível. Como mencionado, “The Weight of These Wings” é dividido em duas seções: “The Never” e “The Heart”. Como um todo, o seu sexto álbum marca uma grande mudança no seu trabalho, som e maturidade musical. Os fãs de Lambert estavam ansiosamente esperando por este álbum, uma vez que trata-se do seu primeiro trabalho após o divórcio com Blake Shelton. Nas 24 faixas, o ouvinte pode encontrar uma grande ambição artística, carregada por guitarras distorcidas e uma verdadeira montanha-russa de emoções. Em “The Weight of These Wings” temos poucas pontas soltas ou falhas, mas muitas surpresas, bom conteúdo lírico e belos arranjos. Poucos vão ficar decepcionados com esse registro. Álbuns duplos costumam sinalizar um pico criativo na carreira de um cantor.

Há sempre um grau de audácia e arrogância envolvendo a liberação de um disco duplo. Mas a decisão de Miranda Lambert de ir por uma rota dupla não é algo particularmente precoce. Musicalmente, “The Weight of These Wings” não é o seu disco mais dinâmico ou variado. A maioria das músicas encontradas por aqui são mid-tempo e acústicas, com guitarras tentando emitir as emoções de seu coração. Várias técnicas utilizadas no álbum “Four the Record” reaparecem aqui, mas de forma mais introspectiva. “The Weight of These Wings” é um singelo retorno ao country old-school, onde os artistas preocupavam-se mais com o coração do que acontecimentos externos. O primeiro disco narra estágios de luta, como ouvimos na distorcida “Pink Sunglasses” e no single “We Should Be Friends”. A faixa de abertura, “Runnin’ Just in Case”, é pura honestidade, conforme Lambert canta sobre a vida na estrada e fugir do amor. Enquanto “Highway Vagabond” é uma mistura do old-school com traços do country mainstream, “Smoking Jacket” é bastante sensual. Essa canção mostra Lambert como nunca ouvimos antes, com um estilo vocal mais profundo e etéreo. O incrível primeiro single “Vice” toca na tristeza, descrevendo alguém que reconhece seus maus hábitos. É uma belíssima canção country e um dos destaques de todo o álbum. A doce balada “Pushin’ Time” reflete sobre o seu novo amor com Anderson East. O cantor de R&B, inclusive, é creditado no título da faixa e fornece alguns harmonias.

“The Never”, primeira seção do registro, não é rancorosa, pois trata-se de uma retrospectiva do que seus relacionamentos fracassados podem ensinar para você. É sobre lidar com seus erros. Musicalmente, explora alguns diferentes estilos, como o blues, rock e country-rock. Mas tudo é mantido pela força e personalidade da voz de Miranda Lambert. O volume dois, “The Heart”, abrange algo mais tradicional e apresenta fortes baladas, tais como “Tin Man”, “For the Birds” e o pedal steal “To Learn Her”. Essa última canção, escrita ao lado de Ashley Monroe e Waylon Payne, mostra as raízes de Lambert e sua influência por aqueles que vieram antes dela. Em “Well-Rested” a cantora mostra que está tentando encontrar um novo caminho. “Não desperdice seu investimento com um coração que não está bem descansado”, ela canta. “Six Degrees of Separation”, por sua vez, é uma das faixas que parecem falar abertamente sobre Blake Shelton. “I’ve Got Wheels”, faixa de encerramento, coloca um lindo arco no álbum como um todo. Sua letra reconhece o desgosto, mas mostra que Miranda Lambert não foi completamente derrubada ou destruída. “The Nerve” é onde temos a melhor mistura musical e potencial comercial. Mas isso não tira o mérito de “The Heart” ser o lado mais pessoal do álbum, bem como aquele onde Lambert tem maior créditos na escrita. Ela, sem dúvida, amadureceu com este registro. Podemos dizer que com esse álbum a cantora evoluiu seu lado mais artístico.

Favorite Tracks: “We Should Be Friends”, “Vice” e “To Learn Her”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.