Resenha: Miranda Lambert – Platinum

Lançamento: 03/06/2014
Gênero: Country
Gravadora: RCA Nashville
Produtores: Frank Liddell, Chuck Ainlay e Glenn Worf.

Em junho de 2014, a cantora country Miranda Lambert lançou o seu quinto álbum de estúdio, intitulado “Platinum”. Ele estreou em #1 na Billboard 200 ao vender mais de 180 mil cópias na primeira semana, tornando-se, dessa forma, o seu primeiro disco a alcançar o topo. Miranda Lambert escreveu e/ou co-escreveu oito das dezesseis faixas do álbum, que ainda contam com colaborações de Little Big Town, The Time Jumpers e Carrie Underwood. É um trabalho notável, quase sem erros, muito bem produzido e executado com êxito por Lambert. Embora o título seja uma referência a cor do seu cabelo, a profundidade deste novo projeto vai mais longe do que suas próprias raízes. A cantora disse que ao completar 30 anos, ano passado, fez sentir-se mais responsável por suas ações, por isso “Platinum” soa como um trabalho de uma artista totalmente empenhada em tomar suas próprias decisões.

A essência do “Platinum” é de um álbum clássico e auto-confiante, onde encontramos os vocais de Miranda Lambert mais ágeis e vivos do que de costume. O registro abre inesperadamente com uma balada, muito boa por sinal. “Girls” é uma faixa com abordagem eclética e letras complexas que demonstram a natureza conflitosa do espírito feminino (“Imagine your best friend and your worst enemy”). Na faixa-título, “Platinum”, Miranda Lambert afirma que pinta o cabelo de platina para combinar com suas canções, porque: “What doesn’t kill you / Only makes you blonder”. Aqui, ela assume uma alegre determinação diante de um baixo elétrico, um gancho rítmico e melodias mais tradicionais. Na faixa “Little Red Wagon” Lambert está bem arrogante e com uma vasta gama de emoções e conflitos. Musicalmente, essa possui uma abordagem mais retrô e acelerada que as demais.

Miranda Lambert

O dueto com o grupo Little Big Town acontece na faixa “Smokin’ and Drinkin'”, onde sentimos uma suavidade incrível em todos os versos. A nostalgia é forte nesta canção, que ainda traz uma mensagem simples e convincente, sem dúvidas um dos destaques de todo o álbum. “Priscilla”, quinta faixa, é uma das mais divertidas e muito mais elaborada do que aquelas canções de vingança que a cantora costuma fazer. O título é uma referência à ex-senhora Elvis Presley, uma comparação brincalhona, porém, verdadeira e direcionada para o seu relacionamento com o também cantor de country, Blake Shelton. O primeiro single, “Automatic”, apesar de ser o único momento do álbum que soa clichê, é bem calorosa e positiva. “Bathroom Sink”, escrita apenas por Lambert, é uma canção mais pessoal e repleta de rimas imperfeitas sobre arrependimentos e dúvidas.

Liricamente, a cantora se coloca em uma sincera avaliação diante do espelho: “It’s amazing the amount of rejection that I see in my reflection / And I can’t get out of the way”. É realmente uma bela canção, onde ela fala abertamente sobre a diferença entre imagem e realidade, de como as pessoas mentem sobre o seu exterior para, de alguma forma, esconder o seu verdadeiro interior. Com ritmos tradicionais, a extremamente nostálgica e cheia de gaitas, “Old Sh!t”, faz referências a objetos como discos de vinil e toca-discos. Outra faixa bem tradicional é “All That’s Left”, escrita pela lenda do country Tom T. Hall e sua esposa Dixie Hall. Aqui, juntamente do grupo de Nashville, The Time Jumpers, ela homenageia seu estado de origem (Texas) de uma forma nunca vista antes.

Com humor irônico e inspirações ocidentais, em seguida, temos a faixa “Gravity Is a Bitch”. Embora aqui ela utilize uma linguagem um tanto quanto maliciosa, é uma das quatro canções do álbum que oferecem fortes ritmos tradicionais. “Babies Makin’ Babies”, por sua vez, é uma canção muito agradável e delicada, onde o vocal e o sotaque de Miranda Lambert estão mais atraentes do que nunca. A cantora só soa um pouco desesperada quando está cantando com Carrie Underwood na faixa “Somethin’ Bad”. Mas de qualquer forma não é uma faixa ruim, afinal, temos duas das maiores estrelas country da atualidade em uma atrevida colaboração. A graciosa “Holding On to You” é uma mistura perfeita de blues e country, onde o seu maior trunfo, os vocais, está bem afiados e convincentes.

Miranda Lambert 2

Enquanto isso, em “Two Rings Shy”, faixa trabalhada com Brandy Clark, ela vai contra os sentimentos do “Platinum” e ostenta alegremente: “I ain’t gonna get dressed up / Just to be your clown”. Com um tema mais pesado, “Hard Staying Sober” enfrenta com firmeza as enormes dificuldades da vida, música escrita por Lambert, Hemby e Laird. Mas quando você acha que a canção está concluída, repentinamente, a cantora explode cheia de vida e faz a melancolia transformar-se em uma solidariedade desafiante. “Another Sunday in the South” é a décima sexta e última faixa do álbum. Uma balada de encerramento que possui um título clichê, porém, é forte e cheia de uma boa atmosfera. O vocal de Lambert está, mais uma vez, excepcional nessa joia de canção.

“Platinum” é um álbum astutamente bem construído e sofisticado, até mesmo o mainstream barulhento de músicas como “Automatic” e “Somethin’ Bad”, mostram a personalidade efervescente e a voz clássica da cantora. Aqui, como em várias canções deste álbum, ela canta de forma autêntica sobre celebridades, família, fortunas, enfim, tudo aqui é nostálgico ou, ás vezes, amargo. Em meio a contos superficiais do seu novo penteado, Miranda Lambert acabou fazendo o melhor trabalho de sua carreira. São 16 criativas faixas em um álbum poderoso, vindo de uma cantora nomeada cinco vezes consecutivas em “Female Vocalist of the Year” na maior premiação country dos Estados Unidos, o Academy of Country Music Awards. Ela é uma artista inquieta, ambiciosa, possui uma voz brilhante e fez, do “Platinum”, um trabalho realmente desafiador e atraente.

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Favorite Tracks: “Smokin’ and Drinkin’ (feat. Little Big Town)”, “Bathroom Sink” e “Babies Makin’ Babies”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.