Resenha: Migos – C U L T U R E

Lançamento: 27/01/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Atlantic Records / 300 Entertainment
Produtores: 808Godz, Buddah Bless, Cardo, Cash Clay Beats, Cassius Jay, Deko, Deraj Global, DY, G Koop, Keanu Beats, Metro Boomin, Murda Beatz, Nard & B, OG Parker, Purps, Ricky Racks, The Pounds, XL e Zaytoven.

Migos é um grupo americano de hip-hop composto pelos rappers Quavo, Takeoff e Offset. Eles entraram em cena quando lançaram o single “Versace” em 2013, que chegou ao número #99 da Billboard Hot 100. Dois anos depois, eles lançaram o álbum “Yung Rich Nation”, mas fracassaram nas vendas. Após o encarceramento prematuro de Offset, parecia improvável que o trio de Atlanta conseguisse algum sucesso. Apesar do razoável desempenho de “Look at My Dab” em 2015, Migos lançou uma má sequência de singles. Consequentemente, parecia inevitável Quavo entrar em carreira solo. Entretanto, veio o hit “Bad and Boujee” que tornou-se um meme na internet e criou o hype suficiente para Migos lançar o seu mais novo álbum. O popular single número #1 na Billboard deixou os fãs sedentos por música nova. Então, Migos não perdeu a oportunidade e lançou “Culture” em 27 de janeiro de 2017. Sem dúvida, esse álbum excedeu todas as minhas expectativas.

O trio está muito melhor agora do que antes. Eles realmente adquiriam um crescimento artístico. “Culture” é um álbum que todos os fãs de hip-hop procuram, mesmo se você não é fã do Migos. Provavelmente, você deve ter ficado curioso para saber como esse trio conseguiu tanto hype nos Estados Unidos. O álbum ainda tem alguns ótimos convidados que encaixam-se perfeitamente em cada música. Entre eles, rappers nascidos em Atlanta, como Gucci Mane e 2 Chainz, além de Travi$ Scott, DJ Khaled e Lil Uzi Vert. “Culture” mostra a grande sintonia e fluxo natural do Migos, com eles sempre mantendo uma grande qualidade vocal nos versos. Mesmo que não existam linhas profundas ou perspicazes por aqui, o álbum é de grande qualidade. Migos obviamente não está tentando se levar a sério demais, mas canções como “What the Price” e “Out Yo Way” são quase baladas. Apesar de algumas letras questionáveis, a força da produção permanece o tempo todo consistente e forte.

No final de tudo, a química entre os três, o humor lírico, grande produção e fluxos faz o “Culture” ser um registro de alto nível. A grande coisa sobre este álbum, é que faixas como “Bad and Boujee”, “Get Right Witcha”, “What the Price” e “Out Yo Way”, possuem batidas sombrias e melódicas conhecidas, mas que parecem muito originais. Devido ao fato da primeira faixa ser intitulada “Culture”, eu esperava algo que desse uma boa direção para o restante do álbum. É uma típica faixa do trio, uma vez que possui boas batidas, é repetitiva e um som direcionado para festas. Entretanto, nesse caso, parece que eles escolheram uma faixa aleatória e resolveram intitula-la de “Culture”. Após esse início meio trêmulo, as coisas engrenam com o single “T-Shirt”, que foi lançado no início de fevereiro de 2017. Provavelmente, você já está familiarizado com essa canção depois de assistir ao seu clipe viral. O gancho de Quavo homenageia o rapper Shawty Lo de Atlanta, que faleceu em setembro de 2016.

Takeoff é o verdadeiro dono dessa música, uma vez que percorre suavemente sobre a grande batida. O verso de Offset é muito lírico, mas também bastante eficaz. Todos os componentes dessa música, desde os versos até o gancho de Quavo, se complementam perfeitamente. “T-Shirt” é a maior prova da grande química desse trio. Em nível de produção, é uma das canções mais sólidas que Migos já lançou. Embora as batidas trap já sejam esperadas por nós, há muito diferenciação e experimentação por aqui. “T-Shirt” é um verdadeiro dirty-banger, carregado por um poderoso baixo e fluxo cativante. A terceira faixa, “Call-Casting”, apresenta um interessante piano e uma combinação de flauta com sintetizador. É uma canção repleta de cor e virtuosismo, que mostra exatamente o que cada um dos três rappers faz para complementar o outro. A batida de “Bad and Boujee” é inegavelmente lendária e poderosa em todos os sentidos. É uma canção de hip-hop e trap que otimiza a fórmula do Migos, com seus ritmos vocais agitados e refrão repetitivo.

O fluxo melodioso de “Bad and Boujee” fez todos ao redor dos Estados Unidos pular com esta canção. Inicialmente lançado em outubro do ano passado, essa música viu Offset tomar uma direção interessante, enquanto Quavo e o rapper convidado Lil Uzi Vert pegam a retarguada. Não importa o que aconteça com Migos no futuro, “Bad and Boujee” solidificou sua estatura na indústria do hip-hop. O álbum traz a produção de diversos produtores, incluindo Nard & B, Metro Boomin, Murda Beatz, Ricky Racks e Zaytoven (que tem uma longa história com trio). O trabalho de Zaytoven é o mais intrigante, especialmente sua produção em “Big on Big”. Aqui, ele inseriu exuberantes teclados que são quase cinematográficos. Este tipo de produção é um pouco diferente para Migos, e um tanto quanto refrescante. A próxima faixa, “What the Price”, tem facilmente a produção mais sonhadora do álbum, graças a sua guitarra distorcida e notas de piano flutuantes. Da mesma forma, “Brown Paper Bag” também fornece algumas teclas menores e piano contemplativo.

E claro que todas essas músicas contém o típico chimbal e ritmos trap em seu pontapé. Mas, devido à qualidade de sua produção, não sente-se como um detrimento ou cópia. “Kelly Price”, que apresenta Travi$ Scott, soa como uma verdadeira colaboração entre os dois atos. Aqui, Migos experimenta diferentes fluxos e adapta-se ao ritmo de Scott. Essa canção pode até ser confundida com alguma faixa do disco “Birds in the Trap Sing McKnight” (2016) do rapper de Texas. Inicialmente, pode parecer estranho ouvir Takeoff e Offset com auto-tune, algo que não é incomum para Quavo. Mas, felizmente, nessa faixa o auto-tune funciona positivamente. Sobre o “Culture”, seu repertório é rico, de qualidade e cheio de uma alegria desenfreada. É um trabalho definitivo e coeso. Esse elogios não podem ser tirados deles, assim como seus fluxos cativantes e impressionante produção. Aparentemente, “Culture” é o verdadeiro começo para o Migos.

Favorite Tracks: “T-Shirt”, “Bad and Boujee (feat. Lil Uzi Vert)” e “Kelly Price (feat. Travi$ Scott)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.