Resenha: Michelle Branch – Hopeless Romantic

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Pop, Indie Rock
Gravadora: Verve Records
Produtores: Patrick Carney e Gus Seyffert.

A cantora americana Michelle Branch surgiu na música pop no início dos anos 2000. Ela chegou ao centro das atenções aos 18 anos com o álbum “The Spirit Room” (2001). Ele fez um bom sucesso comercial e foi certificado com o status de plantina dupla. Precedido pelo sucesso dos singles “Everywhere” e “All You Wanted”, sua popularidade continuou crescendo até ela conseguir um Grammy Award ao lado de Carlos Santana em 2002. Seu álbum seguinte, “Hotel Paper” (2003), foi menos aclamado, mas ainda conseguiu certificado de platina nos Estados Unidos. Por causa de vários contratempos, Michelle Branch nunca mais conseguiu lançar um novo material. Mas, finalmente, depois de tanta espera, ela lançou seu novo disco, “Hopeless Romantic”, em 07 de abril de 2017. Foram um total de 14 anos sem lançar um novo disco solo. Obviamente, a música pop mudou muito desde então e, consequentemente, Michelle Branch também. Portanto, se você estiver esperando uma nova “Everywhere” ficará desapontado. Essa música não faz mais o estilo de Branch. Isto não quer dizer que “Hopeless Romantic” seja completamente diferente da Michelle Branch que conhecemos. É apenas um novo lado dela que ainda não tínhamos visto. Individualmente, as faixas do álbum não são surpreendentes. Entretanto, no contexto do repertório, todas elas funcionam de forma brilhante. É um trabalho realmente coeso, com cada música completando umas as outras. Portanto, embora não haja singles em pontecial, o álbum como um todo apresenta um conteúdo unificado.

Enquanto Branch tenta voltar às raízes pop-rock, ela resolveu trabalhar com o seu namorado Patrick Carney (The Black Keys), que co-escreveu e produziu todo o álbum. Como poderíamos esperar do título, “Hopeless Romantic” explora o romance. Musicalmente, ele possui um som mais grosso, com teclados oitentistas, modulações vocais e pesadas guitarras. Em determinados momentos, a distorção e manipulação vocal acaba ultrapassando os limites e tornando as letras meio indecifráveis. No entanto, não é um ponto tão prejudicial, uma vez que o registro contém um som incrivelmente organizado e unificado. Todas as músicas encaixam-se perfeitamente bem. Felizmente, não há transições desajeitadas de uma faixa para outra. Apresentando um som pop mais maduro, Branch inicia o álbum com a faixa “Best Your Ever”. Uma canção com um grande sintetizador, altos tambores e guitarras grunges. Esse som, imediatamente, já mostra a influência de Patrick Carney no álbum. “You’re Good” é uma música pop-rock mais suave, embalada pelas clássicas composições de Michelle Branch. É talvez a canção que chega mais próximo do som apresentado em seus discos anteriores. Em seguida, “Fault Line” fornece tons sutis de Branch nos versos e um refrão eufórico. É uma das minhas faixas favoritas do registro, seja pelo fornecimento de falsetes, variação na entrega vocal ou melodia de sintetizador. A faixa-título, “Hopeless Romantic”, foi lançada como primeiro single em fevereiro. Uma canção melancólica, extremamente temperamental e quase etérea.

A voz de Michelle está sublime, principalmente pela forma como desliza sobre a produção. Mais tarde, em “Knock Yourself Out”, encontramos Branch num humor ainda mais honesto. Um número country-pop que revisita seu trabalho apresentado no duo The Wreckers. “Temporary Feeling”, por sua vez, tem uma leve vibração jazz e mantém o ótimo fluxo do álbum. Enquanto “Last Night” possui algumas vibrações eletrônicas, “Carry Me Home” é um indie-pop alegre com letras como “Eu acho que te amo, mas que diabos eu sei? / Leve-me, leve-me para casa”. Assim como “Fault Line”, “Shadow” fornece uma ótima demonstração das habilidades de composição de Branch. Já décima segunda faixa, “Bad Side”, possui uma grande energia oitentista, ao passo que “City” é provavelmente a canção mais pessoal do álbum. Uma faixa bastante melódica e doce, que exibe com maestria o novo som de Michelle Branch. “Hopeless Romantic” mostra uma Michelle Branch moderna que não compromete os estilos e temas que lhe trouxeram a fama no início da carreira. Os fortes tambores, melodias de sintetizador e cooperação de Patrick Carney trouxeram a música de Branch para a atualidade. Os antigos fãs da cantora poderão sentir um pouco de dificuldade para gostar do álbum. Enquanto isso, os recém-chegados vão perceber facilmente o quanto ela é uma artista experiente e talentosa. Mesmo depois de tanto tempo, Branch continua sendo uma ótima contadora de histórias, com letras sentimentais e entrega emocional. No geral, “Hopeless Romantic” é um álbum incrivelmente completo e muito bem elaborado.

Favorite Tracks: “Fault Line”, “Hopeless Romantic” e “Knock Yourself Out”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.