Resenha: Michael Bolton – Songs of Cinema

Lançamento: 10/02/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Frontiers Records
Produtores: Various.

Michael Bolton está entre os mais prolíficos cantores e compositores americanos de música pop. Ele começou sua carreira profissional em 1975, e já gravou quase 20 álbuns de estúdio. O último deles, “Songs of Cinema”, foi lançado em 10 de fevereiro de 2017 via Frontiers Records. É uma coleção de velhas canções que ganharam destaque em algum filme, como O Garda-Costas, Conta Comigo, Negócio Arriscado, O Mágico de Oz e Casablanca. Musicalmente, “Songs of Cinema” é bastante convencional e pouco artístico ou criativo. É bem produzido, mas passa longe de ser incrível. Não possui uma tomada própria ou uma interpretação muito diferente de canções que já ouvimos milhares de vezes. Os estilos das músicas variam entre o pop e rock, embora não nada seja realmente pesado ou poderoso.

Sem dúvida, as 10 canções presentes aqui são muito familiares e conhecidas do grande público. O disco abre com sua nova versão de “When a Man Loves a Woman”, que Bolton gravou pela primeira vez para o álbum “Time, Love & Tenderness” (1991). A faixa de abertura é seguida pelo clássico “Stand by Me” de Ben E. King, cuja natureza despreocupada foi temperada por uma melodia dance-pop e aplausos habituais. A faixa “I Got a Woman” de Ray Charles e Renald Richard, inspirada no gospel dos anos 50, é tratada com um estilo vocal semelhante, mas interpretada num estilo bluesy e rockabilly. Talvez um dos destaques do álbum seja o cover de “I Will Always Love You”, uma vez que é cantado com a escritora da música.

Significativamente, Bolton e Dolly Parton levam esse hit de volta às suas raízes country e folk. O humor do álbum balança quando “Old Time Rock and Roll” aparece. Cantar essa música foi um negócio arriscado para alguém melodramático como Michael Bolton. Uma energia extra é inserida pela próxima faixa, “I Heard It Through the Grapevine”. Considerando que foi gravada por Marvin Gaye em 1968, a versão de Bolton consegue brilhar de forma lisa, groove e funky. A simpática e contagiante “Cupid”, originalmente lançada por Sam Cooke em 1961, soa bem dentro do contexto do álbum. Felizmente, Bolton mantém-se fiel ao sentimentos encantadores da versão original. “Somewhere over the Rainbow” se destaca por conta do ritmo agitado e orquestração de cordas, embora tenha perdido seu sabor original.

Enquanto isso, a balada “As Time Goes By” é elegante, bonita e faz uma boa interação de saxofone e piano. Por fim, Bolton apresenta uma versão curta e orquestrada de “Jack Sparrow”, canção que ele gravou com a trio americano The Lonely Island. É difícil ignorar o fato desta versão ser bastante desnecessária. Muitos críticos questionam a legitimidade de fazer álbuns covers de grandes clássicos. Entretanto, muitos vezes, artistas contemporâneas conseguem dar uma nova vida para músicas que já foram esquecidas ou ignoradas. Portanto, vai do gosto pessoal de cada um, se álbuns covers são ou não relevantes. O fato é que, com este disco, Michael Bolton não deu o melhor de si. “Songs of Cinema” possui boas interpretações e grandes clássicos da história da música, mas não deixa de ser um registro confuso e um pouco chato.

Favorite Tracks: “When a Man Loves a Woman”, “Stand by Me” e “I Will Always Love You (feat. Dolly Parton)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.