Resenha: Metallica – Hardwired… to Self-Destruct

Lançamento: 18/11/2016
Gênero: Heavy Metal, Thrash Metal
Gravadora: Blackened Recordings
Produtores: Greg Fidelman, James Hetfield e Lars Ulrich.

A banda Metallica, formada atualmente por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo, já possui mais de 35 anos de carreira. Passaram-se oito anos desde que eles lançaram o disco “Death Magnetic”. O que torna este novo lançamento no maior hiato entre os álbuns de sua carreira. Nos últimos anos, houve dicas sobre o novo álbum da banda. Até que em agosto do ano passado, eles divulgaram o single “Hardwired” e anunciaram a data de lançamento do seu mais novo disco. Seu décimo álbum de estúdio, intitulado “Hardwired… to Self-Destruct”, é o primeiro onde o guitarrista Kirk Hammett não participou do processo de escrita. Esse trabalho ficou a cargo somente dos membros fundadores James Hetfield e Lars Ulrich. “Death Magnetic” foi um grande passo na direção certa, enquanto esse novo álbum parece oferecer um retorno mais voltado para os valores da velha escola da banda.

Como podemos notar, a auto-edição ainda é um problema para o Metallica, uma vez que quase todas as músicas possuem cerca de 6 minutos ou mais de duração. Mais do que qualquer outro álbum da banda desde “…And Justice for All” (1988), o “Hardwired… to Self-Destruct” é fortemente dominado por James Hetfield. Os riffs e harmonias de sua guitarra são inconfundíveis e entregues com uma grande precisão. E, apesar de alguns pontos embaraçosos, este registro possui o seu melhor desempenho vocal desde o auto-intitulado álbum de 1991. Enquanto isso, a bateria de Ulrich ainda é muito sólida, suas habilidades foram cruciais para a eficácia deste disco. O guitarrista principal, Kirk Hammett, também teve sua chance de brilhar em quase todas as faixas. Esperamos que em álbuns futuros eles deixem Hammett contribuir novamente no processo de escrita. A faixa-título, “Hardwired”, pode ser um pouco genérica e simples, mas pelo menos é acelerada, possui bons riffs e é cativante.

Embora tenha letras juvenis, começa o registro de forma explosiva e promissora. Musicalmente, é um verdadeiro retorno às raízes mais agressivas da banda. Na segunda faixa, “Atlas, Rise!”, Hammett brilha ao conduzir a canção através de ótimos riffs de guitarra e cativantes partes solo. Enquanto isso, “Now That We’re Dead” é um perfeito triturador mid-tempo que também fala sobre quedas da humanidade. Sua letra ilustra isso, por exemplo, quando Hetfield grita: “Quando tudo é dor, pode ser / Que isso seja tudo o que sempre soubemos”. O heavy-metal “Moth into Flame”, por sua vez, move-se com um riff de guitarra robusto, enquanto explora o comportamento narcisista da população. Em seguida, “Dream No More” apresenta versos escuros, vibrações misteriosas e um arranjo de guitarra muito dinâmico, que mais parece uma mistura de “All Nightmare Long” e “Enter Sandman”.

O disco 1 fecha com uma nota poderosa em “Halo on Fire”, uma faixa que define a realidade de que cada ser humano é preenchido com o bem e o mal. Essa canção pode ser considerada uma balada, uma vez que contém tons de guitarra mais limpos e um intenso vocal de Hetfield. “Halo on Fire” é a canção mais longa de todo o álbum, com pouco mais de 8 minutos de duração. No meio do caminho, a fim de manter a atenção do ouvinte, a faixa ainda apresenta um apropriado solo de guitarra. O disco 2 começa com “Confusion”, que fornece riffs de abertura reminiscentes do álbum “…And Justice for All”. Desacelerando ligeiramente o ritmo, “ManUNkind” começa com uma nota silenciosa e acústica. Quando os tambores retrocedem, um som mais caótico é rapidamente ouvido. “Here Comes Revenge” é uma das canções mais tristes e angustiadas do álbum, com letras como: “Pequeno túmulo, estou de luto, eu irei consertá-lo / Sonho com uma doce vingança, eu acabarei com você”.

“Here Comes Revenge” é uma camada espessa de metal que mostra um outro lado do Metallica, com uma tensão rara no catálogo da banda. Hammett abre e fecha a canção com alguns ruídos de guitarra poderosos, que adicionam um sentimento essencial às letras. Na sequência, “Am I Savage?” mantém tudo um pouco mais suave, ao passo que assemelha-se aos discos “Load” (1996) e “Reload” (1997). A penúltima faixa, apropriadamente intitulada “Murder One”, é ostensivamente uma homenagem para Lemmy Kilmister (ex-vocalista do Motörhead que faleceu no final de 2015). O ponto mais brilhante do disco 2 é a estrondosa faixa final “Spit Out the Bone”. Nessa canção, podemos dizer que o Metallica está no seu auge. Essa faixa é thrash-metal por qualquer definição, conforme Hetfield soa vicioso e apaixonado. Ele equilibra-se entre rosnados cativantes e vocais harmoniosos durante os versos. Ele lança vocais realmente poderosos, que não são ouvidos desde o disco “Master of Puppets” (1986).

Movendo-se numa velocidade feroz, a música também fornece um frenético e apertado trabalho de guitarra. Durante 7 minutos, o arranjo da canção e a bateria de Ulrich são excessivamente ferozes, enquanto os riffs e solos se superam. Algumas coisas nesse registro não são essenciais, mas abaixo de suas falhas é um álbum realmente bom e convincente. A auto-edição do Metallica é um ponto negativo, entretanto, o que temos aqui ainda é uma banda com uma identidade coesa. Embora seja um disco duplo, “Hardwired… to Self-Destruct” sente-se ligeiramente incompleto. Da mesma forma, a disparidade de qualidade entre as músicas mais exuberantes e animadas, em comparação com as mais simples e lentas, é algo bem evidente. Ademais, os elementos thrash neste álbum são um pouco mais old-school do que aqueles encontrados no “Death Magnetic”. Mesmo com o passar dos anos, o Metallica ainda continua sendo uma banda agressiva e aquela que ajudou a definir este gênero.

Favorite Tracks: “Halo on Fire”, “Here Comes Revenge” e “Spit Out the Bone”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.