Resenha: Melanie C – Version of Me

Lançamento: 21/10/2016
Gênero: Pop, Eletropop
Gravadora: Red Girl Records
Produtores: Paul Boddy, Dele Ladimeji, SOS Music e Tom Wilding.

O sétimo álbum solo de Melanie C, “Version of Me”, foi lançado recentemente em 21 de outubro de 2016. Divulgado cinco anos depois de “The Sea” (2011), seu último álbum de inéditas, “Version of Me” traz um repertório com um total de onze faixas. A ex-Spice Girls começou a escrever sessões para o disco em 2013, e demorou tempo suficiente para criar algo verdadeiramente capturado pela sua vida atual. Seu álbum de estreia foi lançado em 1999 e, depois de 17 anos de carreira solo, a britânica mostra que tem uma boa longevidade. Geralmente vista como a voz das Spice Girls, Melanie C já criou interessantes corpos de trabalho. “Version of Me” retorna à sua estreia, enquanto mostra a afinidade de Mel C por boas melodias pop. Ao trabalhar com a dupla eletrônica de Londres Sons of Sonix, ela conseguiu criar algumas canções atraentes e muito polidas. Algumas letras também são bastante pessoais, embora caem em muitos clichês. Os temas realmente brilham através de um repertório que dura quarenta e dois minutos. “Version of Me” é o seu primeiro álbum verdadeiramente eletrônico e, provavelmente, o mais moderno que Mel C já gravou. Suas vibrações pop-rock do passado foram deixadas para trás, a fim de saltar de vez no território eletrônico. Este é certamente uma nova área sônica para ela, apesar da absoluta falta de ousadia. Apesar de não ser audaciosa, Mel C sente-se bem confiante e confortável. Esse registro, sem dúvida, contém algumas de suas melhores apresentações vocais.

Ele pode não conter canções tão grandes quanto os singles do “Northern Star” (1999), ou ricos arranjos orquestrais como os de “The Sea” (2001), mas tem seus pontos positivos. “Dear Life” abre o álbum em grande forma, pois é certamente uma das melhores canções encontradas por aqui. Uma música pop autêntica, com um grande refrão e excelentes vocais. Liricamente, Mel C faz uma pergunta central: “Querida vida, o que você tem para mim?”. Com “Escalator”, a cantora oferece uma das composições mais eletrônicas do álbum, com alguns inesperados sintetizadores no refrão. O primeiro single, “Anymore”, é um eletropop com uma produção cativante em todos os sentidos. É uma canção que progride muito bem, graças a um pegajoso baixo funky, batida disco, linha de sintetizador catchy e vocais brilhantes. Liricamente, “Anymore” fala sobre um rompimento amoroso, onde ela tenta superar a dor: “Eu ouço a música, mas eu não posso dançar / Eu deveria estar me movendo, mas eu estou presa / E eu preciso lutar contra este sentimento / Então, eu fico aqui no chão / Eu não deveria te amar / Não deveria te amar mais”. Por conta da linha de guitarra sólida, “Something for the Fire” também poderia ser considerada uma faixa sólida. Entretanto, é escassa em outros aspectos e contém poucos fragmentos da personalidade de Mel C. A faixa-título, “Version of Me”, é impulsionada por cordas dramáticas, piano e batidas latejantes, enquanto ela entrega uma mensagem para uma pessoa do seu passado: “Por que você não deixa eu ir? / Eu não tenho paciência mais”.

Provavelmente, a faixa com maior potencial para ser hit é “Numb”, sexta faixa do álbum. Seu som é muito semelhante aos atuais sucessos de Major Lazer e DJ Snake, com ganchos instrumentais, melodias pegajosas e fortes elementos de tropical-house. Um dos melhores refrões do registro aparece em “Room for Love”, uma faixa mid-tempo com batidas proeminentes e uma produção eletrônica moderna. O dubstep “Unravelling” é inegavelmente rígido, tanto que possui um tom mais escuro no piano. Embora Mel C siga certas tendências em determinadas músicas, em outras ela oferece algo mais legítimo. “Loving You Better”, por exemplo, é uma canção pop conduzida por um piano e percussão, com um estilo equiparado a algo que as Spice Girls fariam. “Version of Me”, felizmente, termina com uma nota alta, através da auto-reflexiva “Blame”. A escrita suave mantém o registro à tona para possíveis novos ouvintes, ao mostrar relacionamentos fracassados de uma forma simples e ampla, com uma pitada de introspecção pessoal. O som geral possui algumas instrumentações cativantes, no entanto, não oferece qualquer peso emocional real. As produções, muitas vezes limitadas, nunca chegam a sentir-se particularmente arriscadas ou inovadoras. Mas as composições, apesar de superficiais, são bem executadas e promovem bons vocais de Melanie C. Sem dúvida, não é a obra mais original da cantora, mas, por outro lado, ela conseguiu mostrar como seguir de forma convincente por certas tendências musicais atuais.

60

Favorite Tracks: “Dear Life”, “Anymore” e “Loving You Better”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Douglas Pinheiro

    Concordo em tudo oq foi dito. Se fosse mais bem produzido (assim como the sea), com certeza teria sido o melhor cd dela. De qualquer forma eh um álbum incrível.