Resenha: Meek Mill – DC4

Lançamento: 28/10/2016
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Dream Chasers Records / MMG / Atlantic Records
Produtores: Bennie Briggman, Butter Beats, Cubeatz, Foreign Teck, Honorable C.N.O.T.E., Infamous Rell, Jahlil Beats, MP808, Papamitrou, Nick Verruto, OZ, RaRa, Sonny Digital, Sound M.O.B., StreetRunner, Tarik Azzouz, Tariq Beats e The Beat Bully.

A quarta parte de uma série de mixtapes de Meek Mill, intitulada “Dreamchasers”, vê o rapper da Filadélfia tentando ganhar os holofotes após sua disputa com Drake. Meek Mill teve um ano meio conturbado, como a ida no tribunal, a liberdade condicional e prisão domiciliar. Ainda assim, ele conseguiu adquirir um certo buzz em torno do seu mais recente lançamento, o “DC4” (Dreamchasers 4). Sua mais nova mixtape é carregada por recursos fornecidos por Tory Lanez, Quavo, 21 Savages, Nick Minaj, Young Thug, French Montana e Pusha T, só para citar alguns. Os artistas convidados não são necessariamente incríveis neste projeto, mas eles são bem adequados. Felizmente, Meek Mill escolheu os recursos certos para cada canção. Ele está longe de ser um rapper terrível, visto que possui um fluxo consistente. Mas, em contrapartida, até o momento ainda não mostrou muito em termos de alcance artístico ou versatilidade.

Seu grito nasal, que eleva as palavras ao máximo volume, é o que mais impressiona nas suas performances como rapper. No “DC4” ele destaca-se por oferecer histerias líricas e produções trap frenéticas. Algumas batidas são surpreendentes e realmente conseguem manter o ouvinte interessado. Apesar de soar familiar aos projetos anteriores de Mill, a produção é boa e sempre contém alguma coisa em segundo plano apoiando as letras. Certamente, “DC4” soa bem familiar aos registros anteriores do rapper, incluindo a entrega lírica e tom. As batidas possuem elementos semelhantes, embora consigam ser bem diversas. As músicas mais lentas ajudam a equilibrar o repertório, enquanto as mais agitadas estão no espectro mais forte. O lirismo é bom, mas não é surpreendente. Meek Mill depende de uma entrega alta, e suas rimas sofrem um pouco por causa disso. Enquanto ele proporciona algumas linhas inteligentes, seus versos precisam de uma maior complexidade para se destacarem.

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Há também uma certa dose de auto-tune que não funciona, quando colocada ao lado das batidas. Apesar de ter seus pontos fortes, “DC4” sofre por não ter um repertório tão variado. No geral, é uma mixtape agradável por causa da grande energia e divertida produção trap. Futuramente, Meek Mill pode filtrar os pontos fortes desse material, refiná-los e transformá-los em algo ainda mais consistente. A quinta faixa da mixtape, “Shine”, é o tipo de música onde Meek Mill consegue se destacar. Liricamente, o rapper aborda todas suas lutas para chegar à fama e riqueza. Ele consegue ser alto e suficiente, a ponto de garantir uma entrega vocal dramática. Mill oferece um fluxo poderoso, conforme exibe um singelo piano e uma batida implacável e misericordiosa. Outra batida incrível é apresentada em “Tony Story 3”, a penúltima faixa do repertório. Aqui, o rapper tenta contar uma provável história ficcional sobre drogas e mulheres. Uma das minhas faixas favoritas é “Offended”, com participação de Young Thug e 21 Savages.

Como sempre, Thug faz o que quer nas canções que o caracterizam, portanto, temos uma entrega bem energética de sua parte. Dessa vez, Meek Mill muda seu estilo e tom para algo diferenciado, enquanto 21 Savages é encarregado do último verso. Ademais, a mixtape encerra com a sólida “Outro”. Essa faixa é introduzida por um verso de Lil Snupe, que permite os ouvintes conheceram seu talento em primeira mão. Mill, por sua vez, tira proveito da batida para apresentar fortes socos líricos. O som dramático de seu verso consegue injetar uma maior seriedade na música. French Montana também é um dos convidados da canção, embora sua presença seja um pouco dispensável. Ao todo, “DC4” é um álbum familiar e mais do mesmo, porém, bem agradável. Apesar da falta de inovação, não deixa de ser uma mixtape muito sólida. Não há nenhuma surpresa no decorrer de 14 faixas, entretanto, contém alguns números muito atraentes, como “Litty” e “Offended”.

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Favorite Tracks: “Litty (feat. Tory Lanez)”, “Shine” e “Offended (feat. Young Thug & 21 Savage)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.