Resenha: Meat Loaf – Braver Than We Are

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Rock, Hard Rock, Heavy Metal
Gravadora: 429 Records
Produtor: Paul Crook.

Com uma carreira de mais de 40 anos, é notável o quanto Michael Lee Aday foi capaz de estabelecer-se como uma grande figura do rock. Conhecido artisticamente por Meat Loaf, ele tem uma extensa discografia que inclui 13 álbuns de estúdio. Ele é conhecido pela trilogia “Bat Out of Hell”, que consiste nos discos “Bat Out of Hell” (1977), “Bat Out of Hell II: Back into Hell” (1993) e “Bat Out of Hell III: The Monster Is Loose” (2003). “Bat Out of Hell”, por sinal, figura na lista dos 30 discos mais vendidos de todos os tempos. Um LP que não teve um sucesso imediato, indo contra tendências e estilos de sua época, mas que tornou-se épico. Muitas vezes conhecido por seus papéis em filmes, como Festival Rocky de Terror (1975), Quanto Mais Idiota Melhor (1992) e Clube da Luta (1999), Meat Loaf tornou-se um nome familiar e um dos artistas mais bem sucedidos comercialmente. Em 09 de setembro de 2016, ele lançou o seu décimo terceiro álbum de estúdio, sob o título “Braver Than We Are”. Para criar esse disco, ele juntou-se com seu colaborador de longa data, Jim Steinman, e o produtor Paul Cook.

É a primeira vez em anos que Meat e Jim trabalham juntos de novo. No passado, a dupla foi responsável por criar os lendários álbuns “Bat Out of Hell” e “Bat Out of Hell II: Back into Hell”. Steinman é um compositor raro e único, que mistura ganchos hard-rock com altas doses de emoção. Ele é uma das grandes mentes por trás da criação desse clássico dos anos 70 chamado “Bat Out of Hell”. A maioria das faixas do “Braver Than We Are” já existem há vários anos na forma de material inédito. Elas foram escritas ao longo de várias décadas, incluindo alguns números originalmente destinados ao “Bat Out of Hell”. Como um todo, o disco possui a mesma essência de lançamentos passados de Meat Loaf. O cantor, atualmente com 68 anos de idade, não possui mais aquela gama desenfreada de outrora. Seu vocal rouco e suave, às vezes, é sobrecarregado pela grande produção de Paul Crook. O álbum começa com a faixa “Who Needs the Young”, que traz um conteúdo lírico escuro sob riffs de guitarra, piano e saxofone.

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Possui uma vibe jazzy e um estilo teatral reminiscente dos seus trabalhos anteriores. “Going All the Way (A Song in 6 Movements)”, com Ellen Foley e Karla DeVito, é a canção mais próxima do clássico modelo de Jim Steinman. Um número de 11 minutos de duração, que traz de volta o estilo ópera-rock de Meat Loaf. É uma canção dramática, crescente e muito empolgante. A terceira faixa, “Speaking in Tongues”, é uma linda balada que inclui fortes tons de gospel. A cantora Stacey Michelle oferece os seus talentos vocais para complementar a mensagem da música. “Loving You’s a Dirty Job but Somebody’s Gotta Do It” é um cover do dueto entre Bonnie Tyler e Todd Rundgren realizado em 1985. Meat Loaf, ao lado de Stacy Michlle, faz uma boa interpretação, com riffs de guitarra e vocais emocionais. Em seguida, “Souvenirs” surge com um riff bluesy acompanhado por um maravilhoso saxofone. “Godz”, por sua vez, é pura estranheza a la Meat Loaf. Isso fica mais evidente quando as guitarras trabalham fortemente ao lado de pesados tambores.

O piano é um forte instrumento durante o lamento de “Only When I Feel”, enquanto “More” é outra música cover interpretada originalmente pela banda The Sisters of Mercy. Todos os álbuns do Meat Loaf possuem alguma completa balada e aqui não foi diferente, pois “Skull of Your Country” faz esse papel. Nessa canção, temos alguns versos de “Total Eclipse of the Heart” (Bonnie Tyler) sendo intercalados por Cian Coey. A décima faixa, “Train of Love”, encerra o repertório com uma nota alta, graças as suas virações retrô e envolvente solo de guitarra. Meat Loaf teve altos e baixos ao longo de sua carreira, mas o retorno de sua colaboração com Jim Steinman provou ser bem sucedida. Dito isto, percebemos que “Braver Than We Are” é quase uma homenagem para a colaboração de ambos. Apesar de atualmente Meat Loaf ter uma entrega vocal desgastada, ele ainda é uma força poderosa e criativa. Em última análise, digo que a produção do “Braver Than We Are”, em termos de som, é muito mais coesa e cativante que seu último disco, “Hell in a Handbasket” (2011).

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Favorite Tracks: “Going All the Way (A Song in 6 Movements)”, “Speaking In Tongues” e “Souvenirs”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.