Resenha: McBusted – McBusted

Lançamento: 01/12/2014
Gênero: Pop Rock, Pop Punk, Pop
Gravadora: Island Records
Produtores: Steve Robson, Jason Perry, Josh Wilkinson, Sam Miller, Espionage e Matt Prime.

O supergrupo McBusted, formado pelos membros das bandas McFly (Tom Fletcher, Danny Jones, Dougie Poynter e Harry Judd) e Busted (James Bourne e Matt Willis), lançou o seu primeiro disco em dezembro de 2014 através da gravadora Island Records. O único membro dos grupos originais que não participa dessa formação é o ex-Busted Charlie Simpson. Ele optou por concetrar-se em sua carreira solo. O McBusted surgiu quando James Bourne e Matt Willis participaram, como convidados especiais, do show de décimo aniversário do McFly no Royal Abert Hall em 2013. O auto-intitulado álbum foi lançado após uma série de shows com ingressos esgotados por várias cidades do Reino Unido. Em sua semana de lançamento atingiu a posição #9 da parada de álbuns inglesa e teve como primeiro single a canção “Air Guitar”. No álbum todos tiveram oportunidade de brilhar e mesmo sem um vocalista em especial, eles funcionaram incrivelmente bem juntos. Eles nunca se levaram muito a sério e ficou claro neste novo projeto que eles só tentaram se divertir o máximo possível. As letras, que puxa para o senso de humor da banda, por vezes são estranhas e ruins, mas quem conhece bem a banda sabe que eles são assim mesmo.

Tanto os membros do McFly quanto do Busted são um bando de amigos loucos que apenas gostam de fazer as coisas sem se importarem com o que os outros pensam. Isso defintivamente não é algo ruim. Alguns fãs do McFly, provavelmente a maioria, não gostou muito da união das bandas. Isso porque irão ter que esperar ainda mais para um novo álbum deles, visto que o último disco foi o “Above the Noise” lançado há 4 anos. Antes do lançamento do álbum foi levantado uma questão: é um material que vai soar mais como Busted ou McFly? As duas bandas sempre trabalharam muito próximas e cooperaram com composições uns dos outros, no entanto, eles eram dois atos separados e, embora semelhantes, eram estilos distintos. Mas felizmente, esse registro, formado por 12 faixas, é basicamente uma combinação maravilhosa de ambas as partes. Eles conseguiram fazer um esforço sólido, com ótimas músicas pop rock e pop punk. Tanto o Busted como o McFly já desfrutaram de um enorme sucesso no Reino Unido. O McFly, por exemplo, possui 7 singles número #1, bem como 19 canções Top 10, na parada musical mais importante de lá. O Busted, por sua vez, já emplacou 4 singles número #1 e possuem um total de 8 singles Top 10, com apenas dois álbuns lançados. Definitivamente são feitos incríveis e bastante respeitáveis.

Provavelmente, você conhece alguma música deles, principalmente do McFly, que possui uma grande fã base no Brasil. Canções como “5 Colours in Her Hair”, “Obviously”, “All About You”, “Star Girl”, “Transylvania”, “Lies”, “Shine a Light”, “Love Is Easy” (McFly) e “What I Go to School For”, “Year 3000”, “Crashed the Wedding” e “Who’s David?” (Busted), além de hits, são cativantes pra caramba! O McBusted é tão contagiante e bobo quanto suas partes constituintes. Mas apesar de muita idiotice vindo deles, não tem como negar que a banda sabe fazer músicas com melodias fortes e viciantes. Resumindo, o McBusted nasceu a partir da combinação de duas grandes bandas amigas do Reino Unido, McFly e Busted, que após pouco mais de 1 ano juntos lançaram um auto-intitulado álbum, com retorno ao gênero punk rock e pop rock. A primeira faixa, “Air Guitar”, lançada como primeiro single, conta com a presença de composição de Tom Fletcher do McFly e vocais realçados de Matt Willis e James Bourne do Busted. É uma música incrivelmente irresistível, um som pop rock instântaneo e com um ótimo refrão. Repetitiva e cativante, certamente é uma música que ficará presa em sua cabeça por dias. Os cativantes licks de guitarra e os tambores são ouvidos durante toda sua execução.

McBusted

O refrão é de fato o ápice, principalmente por causa do viciante riff de guitarra em sua composição. Enquanto a letra é engraçada ao fantasiar sobre tocar guitarra, algo que com certeza todos os seis já fizeram quando eram jovens (“You won’t believe the way that I can play / My air guitar, air guitar”). A segunda faixa, “Hate Your Guts”, com participação de Mark Hoppus do Blink-182, começa com as baquetas de Harry Judd batendo uma contra outra, indicando uma contagem regressiva. É outro grande momento, uma canção de sonoridade punk rock, bem mais rápida, barulhenta e brilhante. Em seu auge, o Busted costumava citar o Blink-182 como uma de suas influências musicais, por isso não é uma grande surpresa eles terem entregado uma música como essa. A próxima faixa mantém o bom ritmo do álbum a todo vapor, pois “What Happened to Your Band” é uma das melhores canções. Ela possui um início lento, apenas com bateria e riffs de guitarra, mas depois explode com um empolgante refrão. Escrita por Bourne, essa engenhosamente se encaixa como uma narrativa para o fim do Busted em 2005, quando Charlie Simpson decidiu sair e toda a banda chegou à um fim inesperado.

A letra coloca a perspectiva de um membro da banda e um fã, recordando a frustração vivida de cada lado (“What happened to your band? / What are your future plans? / I’m like your biggest fan”).  Eu simplesmente amei a guitarra nessa música, a sua superfície espessa em camadas consegue obter através das letras uma tristeza realmente vivida anos atrás. Ela serviu como um lembrete de que o álbum, apesar do seu humor seco e desenfreado, também possui uma combinação de maturidade e melodias confiantes. Musicalmente, é quase um tributo para a sua influência punk rock de meados dos anos 2000, que lembra muito o som de bandas como My Chemical Romance e Green Day. A forma como ela termina é outro ponto positivo, com um piano lento e uma repetição comum do refrão, ao invés de um acabar de repente. O segundo single do disco foi “Get Over It”, um pop punk igualmente cativante as faixas anteriores e com escritas adicionais de Alex Gaskarth da banda All Time Low. É uma faixa mais pop, com um refrão repetitivo (“Get up get up get up get over it / Get up get up get up get over it”) e uma boa batida ao fundo que agrada facilmente.

É uma canção simples, direta ao ponto e que além de girar em torno de um gancho de guitarra atenuado, suavizou a inquietação do álbum com sintetizadores e harmonias em camadas. A quinta faixa, “Riding On My Bike”, possui um som eletrônico, que lembra os videogame da década de 1990, e um efeito robótico nos vocais. É uma canção eletropop, que se comparada às primeiras faixas do disco, é bem fraca. O seu refrão também não impressiona, é infelizmente uma das mais fracas do registro. Em outras palavras, é quase uma reminiscência, com menos qualidade, do quinto disco do McFly, o “Above the Noise”. Felizmente, a sexta faixa é a poderosa “Gone”, que agita o registro novamente. Ela começa com riffs de guitarra e batidas contagiantes que antecedem o maravilhoso e climático refrão. A abordagem dessa faixa é mais emocional que as demais, e tem como único ponto fraco a forma como termina. Já “Sensitive Guy”, também co-escrita por Hoppus, é uma faixa pop punk up-tempo com letras simples e bem-humoradas, que proporciona um dos refrões mais fortes do disco.

“Sensitive Guy” é praticamente uma homenagem zombando suavemente os caras mais sensíveis. A palavra “cry” (chorar) é repetida excessivamente durante a música, no entanto, isso não tira o brilha dessa música alegre e atrevida. Com um dedilhado suave e melancólico, o McBusted apresenta a faixa “Beautiful Girls Are the Loneliest”, uma supresa agradável. Sua letra é igualmente suave e romântica, sendo escrita por James Bourne e John Fields. Uma balada acústica, lenta, com vocais doces e genuinamente comovente. Os violinos que tocam no fundo, ainda transmitem um ambiente bem relaxante para o ouvinte. A faixa “Before You Knew Me”, por sua vez, começa com um riff poderoso que perpetua por quase toda a música. Apesar dos versos soarem muito diferente do refrão, não deixa de ser um destaque tanto melodicamente quanto liricamente. A letra fala sobre a desconfiança masculina perante a identidade feminina, inclusive citando Miley Cyrus no verso: “You were Hannah Montana / But now you’re licking things like Miley”.

McBusted

Na faixa “Back In Time”, um pop rock bem rápido, a banda apresenta algumas de suas letras divertidas que nós já conhecemos: “Maybe I’ll spend my / Whole day on tinder / Looking to find that face I remember”. “Back In Time” só peca pelo seu final, que fica extremamente repetitivo. A penúltima faixa, “How’s My Hair”, começa devagar e soa um pouco mórbida, no entanto, o refrão torna-se mais consistente e a faz soar como uma espécie de balada sombria. Os seus riffs são ótimos e é uma faixa com grande potencial, embora liricamente e tematicamente não seja tão boa. A letra fala sobre um garoto que tenta impressionar uma garota que preocupa-se com o seu cabelo. “Getting It Out”, um número rock, encerra a versão padrão do álbum de forma impactante e cheia de energia. É outra canção bastante cativante que permanecerá em minha cabeça por alguns dias. O solo de guitarra que surge no meio da música é excelente. Na versão deluxe ainda temos mais três faixas: “23:59”, “In da Club” e “I See Red”, essa última sendo a melhor entre as três.

Primeiro álbum do McBusted é realmente muito, muito, bom. Eles fizeram um trabalho realmente digno, dando-nos um sabor da gama de sons que o McFly e o Busted podem produzir em conjunto. No geral é muito punk, e você pode ter certeza que eles mostraram um grande entusiasmo e habilidades musicais incríveis. Como em seus shows ao vivo, tão astutamente apresentados, McBusted ostentou mais de um vocalista qualificado e mais de um compositor hábil neste álbum. Ficou evidente que a banda está em um bom momento. O repertório permitiu que cada membro brilhasse e trouxessem o melhor de si em nome da diversão musical. McBusted conseguiu lidar com o seu passado, presente e futuro em um álbum que tem uma honestidade convincente em seu núcleo e mostraram que são homens que não têm medo de mostrar um lado sensível. É a capacidade deles de se conectarem a mais de um nível, que os torna em uma perspectiva tão empolgante de se ouvir.

Há muitos momentos promissores que fazem alusão a um futuro brilhante, se caso o McBusted continuar. Fundir duas bandas sempre será uma tarefa difícil, mas eles conseguiram e trouxeram um equilíbrio entre letras sem jeito e inteligentemente divertidas. Esse material prova que os caras estão ficando cada vez melhores em seus ofícios, e com uma enorme carreira tão à frente como a deles, isso é a coisa mais importante. Acompanhado por quatro vozes harmoniosas, eles criaram melodias maravilhosas que são quase impossíveis de não cantar junto. O álbum inteiro não se leva muito a sério e voltar, fortemente, a fazer um som que fez  o Busted e o McFly populares, pode parecer uma jogada arriscada, especialmente, porque a música mudou muito de lá para cá. Mas ver um grupo apenas querendo fazer canções que os deixem felizes, em vez de seguir tendências atuais, é algo absolutamente refrescante. Em última análise, reassalto que todo o disco tem uma mentalidade global de olhar para a juventude e, musicalmente, está no ponto, com riffs de guitarras viciantes, melodias infecciosas e refrões cativantes.

68

Favorite Tracks: “Air Guitar”, “Hate Your Guts (feat. Mark Hoppus)”, “What Happened to Your Band”, “How’s My Hair” e “Getting It Out”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.