Resenha: Maxwell – blackSUMMERS’night

Lançamento: 01/07/2016
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Musze, Hod David e Stuart Matthewman.

O veterano Maxwell retornou esse ano com um álbum intitulado “blackSUMMERS’night”, o segundo projeto de uma trilogia que começou com o “BLACKsummers’night” em 2009. Junto com D’Angelo e Erykah Badu, Maxwell é um dos pioneiros do movimento neo-soul durante a década de 90. Pode-se dizer que 2016 é um grande ano para o cantor, pois é o 20º aniversário do seu suave e sensual disco de estreia. “blackSUMMERS’night” é o seu quinto álbum de estúdio, produzido em grande maior parte por seu colaborador de longa data Hod David. O álbum foi lançado em 01 de julho de 2016, pela Columbia Records, e alcançou o número #3 da Billboard 200. Seu último disco unificou seus vocais em falsete e soulful, com elementos eletrônicos, teclados, guitarras e uma quantidade certeira de funky. Tudo foi misturado a fim de criar um registro sexy e envolvente.

Lançada 7 anos depois, a segunda parte dessa trilogia chegou muito mais tarde do que o previsto. Mas, apesar de toda demora, “blackSUMMERS’night” é um álbum que possui um senso de urgência e transcende além do neo-soul. O álbum sente-se revigorado por novos timbres, como por exemplo o uso de brilhantes sintetizadores. Eles são um deleite e dão uma nova e inesperada textura para a maioria das canções. Mantendo o ouvinte atento quanto as suas qualidades artísticas, o disco emprega um ritmo controlado e criativo. Aqui, os instrumentos são colocados lado a lado, mas momentaneamente um deles domina. Às vezes é uma guitarra, em outros momentos um bumbo ou baixo, e assim sucessivamente. O espaço entre os instrumentos e a maneira como cada um floresce é impressionante. “BLACKsummers’night” foi construído sobre um coração partido e cheio de desilusões.

Maxwell

Em contrapartida, “blackSUMMERS’night” oferece sensações mais convencionais, com letras que transforma-se em sulcos urbanos emocionantes. Maxwell canta sobre o cansaço das relações e experiências mais íntimas. A sua música é atraente e fácil de absorver, à medida que ele permanece fiel a si mesmo. Há muita coisa surpreendente neste álbum, e muita coisa do seu passado pode ser encontrada. Para aqueles que gostam de um R&B suave e assumidamente profundo, este registro é um prato cheio. O alcance vocal de Maxwell ainda é forte e poderoso como você poderia esperar, algo evidente na primeira faixa do álbum: “All the Ways Love Can Feel”. É um congestionamento pós-disco que abre com um granulado e sensual falsete. Um movimento quase cósmico, atado por um refrão sólido, uma batida house, metais e guitarras.  Aqui, Maxwell ainda testa algumas texturas novas sobre um teclado e órgão sintetizado.

Em sua maior parte, a música fornece a base para suas reflexões introspectivas sobre o amor. “All the Ways Love Can Feel” abre as coisas, antes de Maxwell deslizar na arrastada “The Fall” e o soul eletrificado de “III”. Do início ao fim este álbum é quase perfeito, embora vacile ligeiramente durante “The Fall”. Não é exatamente uma canção ruim, mas, por outro lado, não está no mesmo nível técnico das demais faixas. “III”, por sua vez, é reminiscente da década de 80 e praticamente uma esquete do Prince. “Lake by the Ocean”, uma das faixas mais fortes do álbum, foi lançada como primeiro single do mesmo. Essa canção é um exemplo sublime do excelente neo-soul de Maxwell. Ela ressoa através de arranjos impecáveis no piano, ótimos vocais e cordas sutis. A música ainda apresenta técnicas de produção impressionantes na bateria, que lhe dá uma grande vantagem. “Podemos nadar um lago à beira-mar?”, Maxwell pede durante o refrão.

Sua voz fornece a quantidade certa de tensão, à medida que sintetizadores rodam em segundo plano. Em seguida, com um punhado de instrumentos de metais, Maxwell espera ser amado no tradicional R&B de “Fingers Crossed”. “Um dia, algum dia, provavelmente, talvez / Você vai ser minha, toda minha / Deixa eu te amar direito, durante toda a noite”, ele canta aqui. Em entrevista para a Pitchfork, Maxwell afirmou que certas músicas levaram anos para serem concluídas, uma delas é “Hostage”. Essa slow-jam pensativa possui alguns elementos psicodélicos, que deixam o ouvinte em um ligeiro transe. É uma canção gentil, embora pinte o músico como um prisoneiro desesperado por amor. A faixa “1990x”, que abre a segunda metade do álbum, foi lançada como segundo single e está estruturada em torno de um lento movimento. É um número mais nebuloso que evoca os anos noventa, como o título sugere. Carrilhões instrumentais e vocais de apoio a levam para um ambiente nostálgico e exuberante.

Maxwell

É uma jam sexy e romântica, com uma batida e sulco soulful, acompanhada por uma suave seção de cordas. “Gods” é um número emocional de R&B alternativo, do qual muitos cantores, como The Weeknd, têm vindo a fazer ultimamente, enquanto “Lost” é uma canção bluesy com uma instrumentação que evoca o jazz e funky. É um fácil destaque do álbum, uma pista vintage e slow-tempo, trabalhada ao lado de backing vocals e uma guitarra. Sua textura dá um aceno inevitável para alguns trabalhos de Marvin Gaye. A química entre Maxwell e os membros da banda de longa data fortalece toda a vibração do álbum, principalmente durante a faixa “Of All Kind”. Uma canção bela e cativante, guiada por maravilhosos vocais, tambores promissores e uma honesta vulnerabilidade. Faixas como a balada “Listen Hear”, por sua vez, gravitam em torno de profundas mensagens de intimidade e uma conexão reconfortante.

‘Porque nada está errado / Nada está errado / Está tudo certo / Nós vamos ser fortes / Nós vamos ser fortes”, ele canta lindamente. A última faixa do álbum, chamada “Night”, é uma pequena gravação de 23 segundos com sons de água, que capitaliza a próxima parte da trilogia. Ele conclui com esta faixa para nos lembrar que ainda há outro registro por vir. Mesmo depois de um hiato de 7 anos, Maxwell provou que ainda consegue fazer um som reconfortante, acolhedor e elegante. Cheio de romantismo, “blackSUMMERS’night” nos lembra que o verdadeiro neo-soul ainda está vivo. A variedade e dinamismo desse LP torna sua escuta realmente fascinante. Os vocais de Maxwell mostram sua plena maturidade como artista e canalizam todo o seu potencial criativo. Em comparação com “BLACKsummers’night”, esse álbum possui um som muito mais cru e imediato. Ao longo de doze faixas, Maxwell fala sobre amor, luxúria, desgostos e complexidades. Agora, nos resta esperar impacientemente, mais uma vez, pela terceira e última parte da trilogia.

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Favorite Tracks: “Lake by the Ocean”, “Gods”, “Lost”, “Of All Kind” e “Listen Hear”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.